Soja.   Curitiba, 26/06/2019 -  Foto: Geraldo Bubniak/ANPr

Safra de grãos do Paraná deve ter aumento de 306 mil toneladas, aponta IBGE

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Paraná deve produzir 306,4 mil toneladas a mais de grãos do que a projeção anterior, divulgada em fevereiro. É a quarta principal alta do País, atrás apenas de Bahia (652,2 mil toneladas), Goiás (424 mil t) e Minas Gerais (321,2 mil t). Já a maior variação negativa ocorreu no Rio Grande do Sul (-359.430 t).

De acordo com o levantamento, o Paraná, com uma produção de 22,3 milhões de toneladas, deve ter o segundo maior volume colhido do País neste ano, com crescimento de 4,3% em relação ao volume de 2025. O Estado responde por 13,9% da produção nacional, segundo maior indicador, atrás apenas do Mato Grosso (48,5 milhões de toneladas). O Mato Grosso do Sul, em terceiro, aguarda uma produção de 15 milhões de toneladas, crescimento de 14% sobre o total do ano passado.

A estimativa nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas é de 344,1 milhões de toneladas, 0,6% menor que a obtida em 2025 (346,1 milhões de toneladas. A área a ser colhida foi de 82,9 milhões de hectares, com aumento de 1,6% frente a 2025. Em relação à estimativa de janeiro, a área a ser colhida cresceu 0,3%.

No Paraná, as principais mudanças positivas estão na soja, milho e feijão. Na soja, o Paraná espera 22,3 milhões de toneladas, segundo maior volume colhido do País, com crescimento de 4,3% em relação ao volume colhido em 2025. A estimativa nacional alcançou novo recorde na série histórica em 2026, totalizando 173,3 milhões de toneladas, 0,4% acima de janeiro 4,3% maior que o produzido em 2025.

Em relação ao milho, o Paraná, segundo maior produtor nacional, registra crescimento de 1,6% na área, totalizando 17,5 milhões de toneladas e um rendimento médio de 6 125 kg/ha. O Estado tem 16,6% de participação nessa cultura.

A estimativa de fevereiro para as três safras do feijão alcançou 3 milhões de toneladas em todo o País. O Paraná, maior produtor nacional, prevê 688,4 mil toneladas (22,9% de participação), seguido por Minas Gerais com 514,1 mil toneladas (17,1% de participação), Goiás com 364,9 mil toneladas e Mato Grosso com 363,4 mil toneladas.

Fonte: AEN Foto: Geraldo Bubniak/AEN

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Novidades do cultivo e tecnologias serão apresentados no Dia de Campo Feijão Paraná

Encontro que reúne produtores e consultores técnicos é promovido pelo IDR-PR e acontece dias 17 e 18 de março. São esperados 400 participantes. Será apresentado aplicativo desenvolvido pelo IDR que permite uma recomendação personalizada de insumos na lavoura, o que reduz custos para os produtores.

Cerca de 400 produtores e consultores técnicos devem participar do Dia de Campo Feijão Paraná, nos dias 17 e 18, no Polo de Pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR_PR), em Ponta Grossa. Durante dois dias, técnicos e pesquisadores do Instituto e parceiros vão apresentar novas cultivares de feijão, além de práticas de manejo de pragas e doenças.

O dia de campo é um encontro técnico voltado à inovação, aumento de produtividade e competitividade da cultura do feijão. De acordo com Germano Kusdra, assessor técnico estadual do Programa Feijão e Cereais de Inverno e gerente do Projeto Feijão Paraná, do IDR-Paraná, trata-se de um evento estratégico tanto para produtores, quanto para técnicos e consultores, pois busca maior eficiência produtiva e rentabilidade no sistema feijão.

Uma das novidades do encontro é a apresentação dos resultados do uso de um aplicativo voltado à fertilidade do solo, o Ferticalc Feijão, desenvolvido pelo IDR-PR. Por meio desta ferramenta é possível estabelecer uma recomendação personalizada de insumos na lavoura, o que resulta em economia para o produtor. A ferramenta vem sendo validada com agricultores, há dois anos, pelos extensionistas e pesquisadores.

“O aplicativo calcula a adubação com base no balanço real de nutrientes do solo, cruzando a análise química com a necessidade da cultura. Ou seja, é uma recomendação personalizada, mais precisa economicamente, inteligente e eficiente”, explica Kusdra.

No dia de campo os pesquisadores e técnicos do IDR-Paraná vão mostrar os resultados comparativos já obtidos até agora e como essa tecnologia pode ajudar o produtor a investir melhor e colher mais.” Será uma oportunidade de conhecer, em primeira mão, uma ferramenta que pode mudar a forma de recomendar a adubação do feijão”, destaca o assessor técnico.

Os participantes vão poder comparar os resultados de lavouras cuja adubação seguiu as recomendações do manual de recomendações de adubação geral nas culturas para o Paraná e o obtido pelo aplicativo.

Sementes e fertilizantes

Um dos principais temas do dia de campo é a importância de o produtor usar semente de boa qualidade. Kusdra informa que atualmente cerca de 80% das sementes usadas na implantação de lavouras de feijão no Paraná são grãos que o produtor guarda de uma safra para a outra. Segundo ele, esse material apresenta problemas produtivos, pela perda da qualidade genética, além de uma grande chance de estar contaminado por agentes causadores de doenças.

Outro fator que contribui diretamente para a produtividade das lavouras é a manutenção da fertilidade do solo. “Essa questão ainda não tem a atenção plena dos produtores. É preciso entender que cada grão tem uma exigência em fertilidade e nutrientes”, explica Kusdra. Durante o dia de campo os participantes poderão ver, na prática, o que pode fazer diferença na produtividade e rentabilidade das lavouras de feijão.

“Não se trata de aumentar os custos, mas de acertar no manejo. Há pontos chave como o uso de sementes de qualidade, adubação baseada na análise de solo, tratamento de sementes, manejo integrado de pragas e doenças, além da realização das atividades na época adequada. A colheita deve ser feita no momento correto”, ressalta o extensionista.

Ele acrescenta que, como o feijão tem um ciclo curto, qualquer operação fora do período recomendado impacta diretamente no bolso do produtor. “Quem participar do dia de campo vai entender como pequenos ajustes técnicos podem gerar uma produtividade maior, maior eficiência e mais segurança, mesmo em períodos de preço baixo do feijão”, observou.

Serviço: O dia de campo Feijão Paraná 2026 é promovido pelo IDR-Paraná, com o apoio da Embrapa Arroz e Feijão e da Agro Brasinha. As atividades, nos dias 17 e 18, começam às 13h, no Polo de Pesquisa do Instituto, na Avenida Presidente Kennedy, s/n- Rodovia do Café, km 496. A programação é a mesma nos dois dias do evento, cabendo ao participante escolher e agendar o dia de sua participação, conforme a sua disponibilidade. Informações pelo telefone (42) 3219-9700.

Fonte: AEN Foto: IDR

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Agro exporta US$ 12,05 bilhões em fevereiro

As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12,05 bilhões em fevereiro de 2026, resultado recorde para o mês na série histórica. O valor correspondeu a 45,8% de todas as vendas externas do Brasil no período, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

Na comparação com fevereiro de 2025, houve crescimento de 7,4%. O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento do volume exportado, que subiu 9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, o desempenho reflete a estratégia adotada em parceria com outras instituições governamentais e com o setor privado para ampliar e abrir novos mercados para os produtos do agro brasileiro.

Apesar do crescimento nas vendas externas, o preço médio internacional registrou retração de 1,5%. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o movimento acompanha a tendência observada em índices globais de alimentos divulgados pelo Banco Mundial e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

No mesmo período, as importações de produtos agropecuários totalizaram US$ 1,5 bilhão, queda de 9,1% em relação a fevereiro de 2025. Com isso, o saldo da balança comercial do agronegócio registrou superávit de US$ 10,5 bilhões.

A China permaneceu como principal destino das exportações do setor, com compras de US$ 3,6 bilhões e participação de 30,5% no total exportado. Na sequência aparecem a União Europeia, com US$ 1,8 bilhão, e os Estados Unidos, com US$ 802,9 milhões.

O mês também registrou expansão das vendas para outros mercados asiáticos. O Vietnã importou mais de US$ 372,6 milhões em produtos do agro brasileiro, alta de 22,9% na comparação com fevereiro de 2025. Já a Índia registrou compras de US$ 357,3 milhões, crescimento de 171,1%. Com esse desempenho, os dois países ocuparam a quarta e a quinta posições entre os principais destinos das exportações do setor no mês.

Outros mercados também ampliaram as compras de produtos do agronegócio brasileiro, entre eles Turquia, Egito, México, Tailândia, Reino Unido, Filipinas, Rússia, Taiwan, Omã e Gâmbia.

Entre os principais setores exportadores em fevereiro, destacaram-se o complexo da soja, com US$ 3,78 bilhões e crescimento de 16,4% em relação a fevereiro de 2025, e o segmento de proteínas animais, com US$ 2,7 bilhões e avanço de 22,5%. Também figuram entre os principais itens exportados os produtos florestais, o café e o complexo sucroalcooleiro.

Além dos produtos mais tradicionais, outros itens registraram crescimento nas exportações, entre eles o óleo essencial de laranja, o DDG de milho, farinhas e extratos de carne, manteiga e óleo de cacau e óleo de milho, que alcançaram recordes de valor ou de volume embarcado.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que o resultado está relacionado ao aumento da produção e à ampliação dos mercados externos. “O Brasil caminha para colher safra recorde nos produtos vegetais e produção crescente nas proteínas animais. Esse aumento da produção amplia o excedente exportável do país e fortalece a presença do agro brasileiro no mercado internacional, demonstrando a capacidade do setor de atender à demanda global com regularidade, qualidade, sanidade e confiança”, afirmou.

Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luís Rua, o desempenho também reflete a agenda de acesso a novos mercados. “O Brasil amplia sua oferta, mas também amplia suas oportunidades de comércio. Foram nove novas aberturas de mercado apenas em fevereiro e 544 desde o início de 2023. Esse resultado reflete a importância de uma agenda contínua de negociação e aproximação com outros países”, destacou.

Fonte: Agrolink

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CropLife Brasil lança videocast “Caminhos do Agro” sobre inovação e desafios da agricultura moderna

Programa reúne especialistas e representantes da cadeira produtiva para debater temas relevantes do setor de forma didática e acessível

A CropLife Brasil lança, nesta terça-feira (10), o Caminhos do Agro, videocast setorial sobre agricultura moderna. O programa reúne jornalista e convidados da cadeia produtiva para abordar a realidade, os desafios e as tendências do campo. O novo espaço busca promover debates sobre temas relevantes do agro de forma leve e didática, esclarecer dúvidas sobre o uso de insumos agrícolas, destacar a importância da adoção das boas práticas e mostrar como inovação na lavoura se conecta à segurança do alimento na mesa. A produção audiovisual é uma parceria entre a entidade e a RW Cast, a central de podcasts do Grupo Radioweb. 

“Nossa proposta é trazer assuntos relacionados ao campo e conectar a sociedade à agricultura moderna. Por meio de dados precisos e convidados que são referência no setor, queremos reunir os elos da cadeia produtiva para um diálogo aberto e acessível a todos. Em 2025, o agronegócio liderou o crescimento da economia com uma alta de 11,7% no PIB brasileiro; nosso objetivo é mostrar a complexidade e a inovação do setor de insumos agrícolas que contribuem para esse resultado”, destaca o Gerente Executivo na CropLife Brasil, Renato Gomides. 

Os episódios vão ao ar toda segunda terça-feira do mês e serão disponibilizados nas principais plataformas digitais: canal do YouTube da CropLife Brasil, iHeartRadio, Apple Podcasts, Deezer e Spotify.

1º Episódio

O episódio de estreia aborda os “desafios no controle de pragas na agricultura brasileira”, um dos problemas mais complexos da produção agrícola em regiões tropicais. No bate-papo, assuntos como uso de defensivos químicos, regulação e segurança na lavoura, técnicas agronômicas de controle e manejo de ameaças, vão detalhar todo o processo de produção do alimento até a chegada na mesa do consumidor. Participam da conversa o especialista regulatório da CropLife Brasil, Rafael Cordioli; o coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), José Victor Torres; e o agricultor, diretor de Relações Institucionais e sócio-fundador da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Luiz Roberto Barcelos.

“Vejo que é uma excelente oportunidade de trazermos esclarecimentos ao público em geral, voltado ao tema de insumos agrícolas. (…) Um princípio da agronomia é utilizar o defensivo químico quando realmente há demanda. O processo exige que um profissional agrônomo vá ao campo, faça a prescrição do receituário agronômico para o controle de uma determinada praga. Então é importante entender que o agricultor só lança mão e utiliza o defensivo quando realmente precisa, quando a infestação e ataque das pragas alcançou um nível em que é necessário entrar com o controle fitossanitário”, explica Rafael Cordioli, da CropLife Brasil.

Fonte: CropLife Brasil

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Laboratórios da APASEM crescem, ampliam estrutura e reforçam confiança do setor sementeiro

Aumento no número de análises e modernização das estruturas consolidam atuação como referência técnica no Paraná

Os Laboratórios de Análises de Sementes (LAS) da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (APASEM) fecharam 2025 com crescimento expressivo no volume de amostras recebidas e uma série de investimentos em estrutura e capacitação técnica. O avanço reflete a confiança do agronegócio nos serviços prestados e fortalece o papel das unidades como suporte estratégico às empresas do setor sementeiro.

Na unidade de Ponta Grossa, foram recebidas 14.362 amostras em 2025 — um salto significativo em relação às 11.583 registradas em 2024, às 8.298 de 2023 e às 6.763 de 2022. Em quatro anos, o volume praticamente dobrou. No período, a unidade realizou 16.623 determinações e 48.369 ensaios (análises).

Em Toledo, o movimento também foi de alta. O número de amostras passou de 6.013 em 2024 para 6.519 em 2025, superando ainda os 5.300 registros de 2023 e os 3.509 de 2022. A unidade realizou 6.161 determinações e 21.660 ensaios ao longo do ano.

Para o diretor executivo da APASEM, Jhony Moller, o desempenho é resultado direto da credibilidade construída ao longo da trajetória da instituição. “A excelência do trabalho dos laboratórios, aliada à tradição, transmite segurança ao mercado e faz com que as empresas procurem cada vez mais nossos serviços. É uma credibilidade construída ao longo de mais de cinco décadas”, afirma.

Base de clientes supera mil cadastros

Os laboratórios mantêm uma base com mais de mil clientes cadastrados. Somente em 2025, foram atendidos 433 clientes em Ponta Grossa e 157 em Toledo, números que evidenciam a relevância regional das unidades no apoio técnico às empresas produtoras de sementes.

Escopo ampliado e rigor técnico

Atualmente, os laboratórios operam com 180 espécies no escopo de análises e realizam ensaios para emissão de boletins oficiais, como testes de pureza, germinação, vigor, determinação de umidade, verificação de outras cultivares, sementes infestadas e Blotter Test, entre outros.

As atividades seguem normas reconhecidas nacional e internacionalmente, incluindo a ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, as Regras para Análise de Sementes (RAS 2025) e o Manual de Vigor da ABRATES (2022), garantindo rastreabilidade, precisão e confiabilidade nos resultados.

Investimentos em infraestrutura e qualificação

Em 2025, os Laboratórios da APASEM investiram na modernização das unidades. Em Ponta Grossa, houve mudança para um novo endereço, com ampliação do espaço físico e implantação de câmaras com controle de temperatura e umidade para o Arquivo de Amostras, além de novas salas de germinação e sala de areia. Também foram adquiridos equipamentos como descascador de arroz, prensa para papel mata-borrão, balanças e câmaras B.O.D.

As equipes de ambas as unidades passaram por atualização técnica com foco na nova versão das RAS 2025, reforçando o compromisso com a melhoria contínua.

Agilidade como diferencial competitivo

O prazo máximo para entrega dos resultados é de 15 dias, com média de sete dias — um diferencial importante para atender à dinâmica do setor produtivo.

Com crescimento contínuo, ampliação da estrutura e investimentos em tecnologia e capacitação, os Laboratórios da APASEM seguem fortalecendo sua posição como referência regional em análise de sementes, acompanhando a evolução do agronegócio e contribuindo diretamente para a qualidade da produção sementeira no Paraná.

Fonte: Assessoria de Imprensa APASEM Foto: Divulgação LAS APASEM

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A importância dos viveiros de mudas de hortaliças e suas inovações tecnológicas

Os viveiros de mudas de hortaliças desempenham um papel fundamental na cadeia produtiva agrícola, especialmente na horticultura, que é uma das atividades mais importantes para a segurança alimentar e nutricional. Esses espaços, dedicados à produção de mudas saudáveis e de alta qualidade, garantem o bom início do ciclo produtivo, influenciando diretamente o rendimento, a sanidade e a uniformidade das plantas cultivadas em campo aberto ou em ambientes protegidos, como estufas.

Um dos principais benefícios dos viveiros de mudas é a possibilidade de um controle mais rigoroso das condições ambientais, como temperatura, umidade, luminosidade e irrigação, promovendo o desenvolvimento saudável das plântulas e reduzindo a incidência de doenças, pragas e falhas no plantio. Esse controle é especialmente importante nas fases iniciais do desenvolvimento das plantas, que são as mais sensíveis a fatores externos adversos.

Além disso, os viveiros possibilitam o escalonamento da produção, facilitando o planejamento agrícola. Com mudas produzidas previamente em bandejas e substratos adequados, os produtores conseguem otimizar o tempo de cultivo no campo, reduzindo o período de exposição às condições climáticas desfavoráveis e permitindo colheitas mais precoces. Isso gera ganhos econômicos, maior eficiência na utilização da terra e redução de perdas.

Nos últimos anos, os viveiros passaram por transformações importantes impulsionadas pelas inovações tecnológicas. Uma das mais relevantes é a automação dos processos, com sistemas de irrigação automatizados por gotejamento ou nebulização, controlados por sensores que monitoram a umidade do substrato, a temperatura e outros parâmetros ambientais. Essa automação permite a irrigação precisa e no momento certo, o que gera economia de água e promove um crescimento mais uniforme das mudas.

A utilização de substratos de alta qualidade, desenvolvidos a partir de compostos orgânicos ou materiais industrializados como fibra de coco, turfa e vermiculita, também representa um avanço. Esses substratos oferecem melhor aeração, retenção de água e ausência de patógenos, substituindo com eficiência o solo tradicional, que pode estar contaminado ou desequilibrado.

Outro aspecto relevante é o uso de bandejas multicelulares, geralmente fabricadas em poliestireno expandido ou plástico reciclável, que permitem o cultivo individualizado de cada muda. Isso facilita o transplante, reduz o estresse nas raízes e aumenta a taxa de pegamento no campo. Além disso, o desenho dessas bandejas otimiza o espaço físico, o que possibilita a produção em larga escala, mesmo em áreas reduzidas.

A tecnologia também tem contribuído para a sanidade das mudas. A introdução de bioinsumos, como inoculantes biológicos, microrganismos benéficos e extratos vegetais, tem sido uma alternativa sustentável ao uso de agroquímicos. Esses insumos promovem o crescimento das raízes, protegem contra patógenos e contribuem para a indução da resistência sistêmica das plantas, alinhando-se às práticas de produção orgânica e agroecológica.

Além disso, os viveiros modernos contam com sistemas de rastreabilidade e controle de qualidade, o que permite o acompanhamento detalhado de todo o processo de produção. Isso é essencial para a certificação de mudas, garantindo a confiança do produtor e do consumidor final quanto à origem e qualidade do alimento cultivado.

A integração da agricultura digital também já é realidade em muitos viveiros. Softwares de gestão agrícola, sensores de precisão, câmeras térmicas e até drones são usados para monitorar o desenvolvimento das mudas, detectar anomalias e orientar decisões baseadas em dados. Essa digitalização melhora a tomada de decisão, reduz desperdícios e eleva os padrões de qualidade da produção.

Do ponto de vista socioeconômico, os viveiros de mudas contribuem para a geração de emprego e renda, especialmente em pequenas propriedades e cooperativas. Eles favorecem o empreendedorismo rural, com a possibilidade de comercialização direta das mudas para agricultores locais ou programas de agricultura urbana e hortas escolares. Em áreas urbanas, viveiros comunitários têm papel importante na educação ambiental e na promoção de hábitos alimentares saudáveis.

Em suma, os viveiros de mudas de hortaliças são essenciais para uma agricultura mais eficiente, sustentável e tecnificada. A sua importância vai além do simples fornecimento de plântulas: eles representam um elo estratégico entre pesquisa, inovação, produção e consumo. As inovações tecnológicas vêm transformando esses espaços em centros de excelência na produção de mudas, alinhados aos desafios do futuro, como a produção de alimentos em ambientes urbanos, a redução do uso de recursos naturais e o enfrentamento das mudanças climáticas. Portanto, investir em viveiros modernos e sustentáveis é proporcionar o fortalecimento da agricultura e a segurança alimentar das próximas gerações.

Por eng. agrônomo Renato Augusto Abdo

Secretário de Agricultura de Mogi das Cruzes (SP)

Fonte: Revista APASEM 2025

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Treinamentos levam conhecimento e maior qualidade aos laboratórios

Eventos promovidos pela associação, em parceria com instituições profissionais de renome, ocorrem ao longo do ano

Há um consenso no setor sementeiro de que “a semente é o início do sucesso de uma lavoura”. De fato, se o produtor não contar com lotes de qualidade, certamente os resultados no campo podem ser comprometidos. Um processo primordial antes do início do plantio é realizar uma boa análise daquilo que será colocado no solo. É nesse momento que entra o trabalho estratégico e essencial dos laboratórios de análise de sementes.

A Apasem conta hoje com duas estruturas que são referência no setor: o LAS Toledo e o LAS Ponta Grossa. Com mais de 50 anos de atuação e uma equipe altamente capacitada, os laboratórios da Apasem analisaram mais de 18 mil amostras no último ano.

“De 2023 para 2024, tivemos um aumento expressivo no número de amostras recebidas, tendência que vem se repetindo em 2025. Isso ocorre porque os laboratórios oferecem serviços que atendem diretamente às necessidades do mercado, que busca por análises eficientes e resultados confiáveis”, avalia o diretor executivo da Apasem, Jhony Moller.

Por que são referência

Na avaliação da Apasem, não basta dispor de uma estrutura física completa para análise. “Esse é o básico de um laboratório. Mas precisamos ir além. As equipes precisam interagir, trazer informações de um mercado em constante mudança e levar conhecimento ao produtor, que também precisa entender sobre as boas práticas”, destaca Jhony.

É nessa estratégia de compartilhamento de informações que os laboratórios da Apasem fortalecem seus laços com os produtores e mantêm um elevado padrão de satisfação entre seus clientes. Anualmente, as equipes técnicas dos laboratórios executam um calendário robusto de treinamentos, em parceria com instituições e profissionais de renome no setor de sementes. Por meio dessas ações, são oferecidos treinamentos in company ou mesmo dentro das estruturas dos próprios laboratórios (LAS). A Academia da Semente é um desses parceiros e tem realizado diversos trabalhos em conjunto com a Apasem.

“Quando capacitamos os profissionais, levando informações de qualidade, todo o agronegócio se beneficia. Toda a cadeia sementeira ganha, pois profissionais bem preparados são fundamentais para garantir análises de sementes com credibilidade”, afirma o instrutor e gerente de projetos da Academia da Semente, Jonas Pinto.

Para ele, as empresas que enxergam a capacitação como investimento — e não como custo — se diferenciam no mercado, pois passam a ter processos internos mais alinhados com a produção de sementes de qualidade.

Outro fator de grande impacto é estar atento ao que determina a legislação vigente. “Volta e meia ocorrem mudanças significativas, e os profissionais precisam estar atentos às alterações que impactam diretamente as atividades de produção e análise de sementes”, explica Jonas, que também é associado técnico-cientifico da Apasem.

Atendimento a empresas

Os laboratórios da Apasem atendem centenas de clientes, desde pequenos produtores, que enviam amostras para verificar a qualidade da semente adquirida (comprovação por meio da nota fiscal), até empresas que utilizam os laboratórios para testes de validação de produtos destinados ao tratamento de sementes.

Além disso, atendem sementeiros com RENASEM (Registro Nacional de Sementes e Mudas), que enviam amostras tanto para checagem interna quanto para análise oficial, visando à emissão do boletim de análise de sementes.

“Esses clientes não estão apenas no Paraná. Atendemos praticamente todos os Estados do Brasil, além de países vizinhos”, destaca Jhony Moller.

As estruturas atendem tanto associados quanto não associados à Apasem.

Fonte: Revista APASEM/Everson Mizga

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Coalisão contra pirataria de sementes é lançada no Brasil

Liderada pela Croplife, iniciativa reúne entidades representativas do setor, entre elas a Abrasem e a Apasem

O combate à pirataria de sementes é um tema recorrente no agronegócio e acaba de ganhar um novo capítulo, com a criação de uma coalisão nacional que reúne diferentes entidades representativas do setor – entre elas a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) – e que tem a liderança da CropLife. A Campanha de Boas Práticas Agrícolas é uma iniciativa para conscientizar produtores, trabalhadores, consumidores e outros atores da cadeia sobre o uso responsável das tecnologias agrícolas.

Entre as ações, o combate ao uso de insumos ilegais conta com abordagem estratégica em três pilares: comunicação, advocacy e enforcement. Em 2024, um estudo realizado pela CropLife Brasil junto à empresa Céleres Consultoria revelou que a pirataria de sementes de soja, por exemplo, gera prejuízos anuais de R$ 10 bilhões, afetando produtores, indústria, exportações e arrecadação tributária. Porém, a iniciativa engloba o combate à pirataria de sementes em geral e as ações estruturadas têm potencial de aplicação também para outras culturas.

Centralização dos esforços

É por meio do Comitê de Combate à Pirataria de Sementes da Abrasem que essa ação vem sendo discutida no setor. O grupo tem papel essencial dentro de uma associação que se destaca justamente por sua pluralidade e representatividade. “Nos últimos anos, vimos esforços importantes direcionados às grandes culturas, o que é natural, dado o impacto econômico que elas geram. No entanto, para quem atua com pesquisa, no desenvolvimento de sementes ou mesmo na produção final, é fundamental que o combate à pirataria e a valorização da pesquisa considerem todas as espécies e culturas”, diz o coordenador do comitê, Fernando Wagner.

Segundo o coordenador, o principal desafio dessa pauta hoje é promover uma sintonia entre diferentes realidades. “Buscamos entender o grau de impacto da pirataria em cada cultura, inclusive nas que tradicionalmente têm menos dados disponíveis. Nosso esforço atual está voltado para estruturar esse diagnóstico e, a partir disso, construir ações mais assertivas”, destaca.

Internamente, na Abrasem, o foco é alinhar as necessidades dos associados, ouvir os diferentes segmentos e buscar soluções que gerem impacto positivo em todo o ecossistema. Já externamente, trabalha-se para integrar esse movimento a outras iniciativas nacionais, como a Coalizão de Combate à Pirataria de Sementes — que reúne entidades como Abrasem, CropLife Brasil, Abrass, Apasem, entre outras entidades de renome no setor. O objetivo é evitar sobreposições e maximizar os resultados no combate à pirataria de sementes.

O trabalho do comitê é guiado por objetivos estratégicos bem definidos, como, por exemplo, o de construir uma base sólida de dados — concreta, confiável e representativa, que permita compreender o real tamanho do mercado informal em diferentes espécies.

Esses impactos, diz Fernando Wagner, são múltiplos. “Há prejuízos técnicos, que afetam a produtividade e a qualidade no campo. Há perdas diretas para a indústria de sementes e de germoplasma. E há, ainda, um impacto expressivo do ponto de vista socioeconômico: empregos que deixam de ser gerados, renda que não circula, evasão tributária e distorções de mercado que comprometem a sustentabilidade da cadeia como um todo”, explica.

O trabalho dos integrantes vai ainda mais a fundo, na certeza de que não se constrói um ecossistema forte com elos enfraquecidos. “Precisamos entender as razões pelas quais o agricultor recorre à semente salva ou à semente pirata — e, ao mesmo tempo, mostrar a importância de manter viva a cadeia de pesquisa, desenvolvimento e inovação”, destaca Wagner.

A campanha

A ideia é focar no alerta sobre os riscos do uso de insumos ilegais e fortalecer a percepção sobre os benefícios das sementes legais, com foco em qualidade, inovação e sustentabilidade – amparada a dados e cases. O objetivo é gerar sensibilização e conscientização ampla sobre os prejuízos econômicos e os riscos atrelados à pirataria de sementes.

“A comunicação da campanha foi estruturada considerando ações de grande alcance, como: parcerias e divulgação em mídias sociais, realização de coletiva de imprensa e produção de conteúdo em parceria com o Comitê Estratégico de Soja (CESB). Além disso, a CLB desenvolveu um canal de denúnciapara receber informações sobre produtos ilegais, sementes e defensivos agrícolas”, explica a diretora de biotecnologia e germoplasma na CropLife Brasil, Catharina Pires.

A CropLife Brasil, em parceria com a Céleres, divulgou recentemente um estudo demonstrando que 11% da área de soja cultivada no Brasil utiliza sementes piratas — isso representa cerca de 4 milhões de hectares, equiparando-se à área de Mato Grosso do Sul –, resultando em R$ 10 bilhões de prejuízo por ano. Na esteira da evasão financeira está ainda o risco deredução da produtividade média (perda estimada de 4 sacas/hectare); riscos fitossanitários, com disseminação de pragas e doenças; desestímulo à inovação, com menor investimento em pesquisa (estimativa de perda de R$ 1,2 bilhão em P&D em 10 anos); perda de arrecadação tributária, com impacto direto sobre a economia nacional e regional, além do comprometimento da imagem do agronegócio brasileiro e enfraquecimento da segurança jurídica no setor.

“Por isso, a campanha engloba o combate à pirataria de sementes em geral e as ações estruturadas (advocacy, enforcement e comunicação), que têm potencial de aplicação também paraoutras culturas. Embora o estudo divulgado pela Céleres tenha foco na soja, a coalizão de Combate à Pirataria de Sementes atua de forma abrangente”, destaca Catarina.

Na questão regulatória, a coalisão defende ainda que o uso de sementes piratas seja enquadrado como crime ambiental. “A defesa da criminalização da pirataria em campanha é uma estratégia que busca contribuir para o aumento da gravidade jurídica do ato, estabelecendo penas mais severas como um todo. Além disso, para além da criminalização, é preciso reconhecer que o uso de sementes ilegais pode disseminar pragas e doenças, comprometer a sanidade vegetal e afetar a sustentabilidade dos sistemas produtivos”, explica a gerente regulatório de Biotecnologia e Germoplasma da CLB, Danielle Costenaro.

Dessa forma, o aprimoramento regulatório traz maior proteção ao agronegócio brasileiro, sua competividade e preservação de imagem, “pois reforça a segurança jurídica no setor de sementes; inibe práticas ilegais com risco real de responsabilização criminal, bem como fortalece o ambiente de inovação e os investimentos em P&D”, exemplifica Danielle.

O que já foi desenvolvido na Coalisão

  • Coletiva de imprensa com ampla repercussão, com exposição para quase 30 veículos de comunicação;
  • Produção de conteúdo com o CESB, incluindo 18 materiais sobre sementes certificadas;
  • Entrevistas concedidas para pautar o tema na imprensa nacional e regional;
  • Ampliação da cobertura via rádio, releases e presença em 210 cidades;
  • Reuniões de cunho institucional com autoridades governamentais das três esferas (federal, estadual e municipal), além de diálogo com forças policiais, como no Rio Grande do Sul.

Próximas ações

  • Desenvolvimento de casos judiciais contra a pirataria;
  • Engajamento de federações de agricultura, associações de sementes estaduais e cooperativas;
  • Fortalecimento das ações de fiscalização;
  • Aprimoramento das mensagens-chave e reforço das atividades de comunicação.

A experiência paranaense

A Associação Paranaense dos produtores de sementes e mudas (Apasem) é reconhecida no mercado por fomentar diferentes campanhas contra a pirataria de sementes ao longo da última década, trazendo resultados expressivos para o setor estadual. Agora a instituição faz adesão à coalisão por meio da Abrasem e procura levar sua expertise para que isso possa de alguma forma ser reverberado no âmbito nacional do setor.

“A experiência construída no Paraná, especialmente por meio das campanhas da Apasem, tem sido extremamente valiosa nesse contexto nacional. O Paraná é um exemplo de protagonismo técnico e institucional no agro, e foi lá que aprendemos a importância de compreender as peculiaridades regionais. Cada Estado tem suas dores e fortalezas: a realidade do Paraná é diferente da de Mato Grosso, da Bahia ou do Rio Grande do Sul, por exemplo”, diz o coordenador do Comitê de Combate à Pirataria de sementes na Abrasem, Fernando Wagner.

Ele ressalta que essa vivência mostra que é preciso escutar, mapear os atores relevantes — que podem ser associações, obtentores, multiplicadores ou mesmo órgãos públicos — e conectar esses pontos. “Essa articulação foi bem-sucedida no Paraná e certamente serve de inspiração para a construção de um movimento nacional. A contribuição da Apasem e de outras associações estaduais está sendo essencial na estruturação das novas frentes”, conclui.

Fonte: Revista APASEM/Everson Mizga

SEMENTES - Foto_ Fabiola Dias _ Adapec

Atualização de novas regras traz vantagens para laboratórios e produtores

As novas Regras de Análises de Sementes (RAS) implantadas em 2025 proporcionam vantagens tanto para os laboratórios quanto para os produtores, pois são métodos oficiais de análise de sementes referência para laboratórios credenciados para a elaboração dos Boletins de Análise de Sementes e, posteriormente, dos certificados ou termos de conformidade.

Muitos ganhos, conforme especialistas ouvidos pela Revista da Apasem, são consequências do aprimoramento na redação dos capítulos, que se tornaram mais claros e mais objetivos. Ou seja, a facilidade para a interpretação é um ponto crucial, impactando diretamente a padronização e a aplicação das metodologias por parte dos laboratórios. “As metodologias, de maneira geral, não foram alteradas, e sim o texto e a forma como estão apresentadas. E isso facilitou o entendimento dos laboratórios e analistas”, sinaliza Saionara Tesser, responsável técnica pelo Laboratório de Análise de Sementes (LAS) da Apasem em Toledo.

A atualização das RAS aconteceu no primeiro semestre deste ano, após a reivindicação do segmento para que a padronização acompanhasse a evolução da produção de sementes. A versão anterior era de 2009. O processo que culminou nas novas RAS contou com a participação de laboratórios oficiais e uma consulta pública por meio das Comissões de Sementes e Mudas. “Essa participação da comunidade foi uma enorme conquista”, acrescenta Saionara.

Segundo o Ministério da Agricultura, as novas RAS continuam com seu alinhamento perante as Regras Internacionais de Análise de Sementes da International Seed Testing Association (ISTA) e da Association of Official Seed Analysts, mas com respeito às particularidades da agricultura tropical e à legislação atual sobre sementes no país.

“O alinhamento das RAS 2025 com as Regras Internacionais da ISTA traz inúmeros benefícios como, por exemplo, a harmonização das metodologias nacionais com os métodos internacionalmente aceitos. Isso facilita a inserção das sementes brasileiras no mercado global, ampliando oportunidades comerciais e fortalecendo a reputação do Brasil quanto à qualidade das sementes produzidas. Outro aspecto positivo relevante é o acesso às ferramentas de apoio e metodologias disponibilizadas pela ISTA, agora integradas às RAS, oferecendo maior segurança e eficiência aos usuários”, afirma a consultora em análise de semente Myriam Alvisi, importante especialista do setor.

Ela reforça que a atualização das RAS atende plenamente às demandas atuais do setor sementeiro e dos laboratórios de sementes. “As mudanças promovem melhoria significativa na padronização das práticas laboratoriais, aumentando a confiabilidade, a exatidão e a reprodutibilidade dos resultados analíticos”, considera.

Uma das novidades na versão 2025 foi a melhor interface com os usuários, com a disponibilização das RAS na plataforma WikiSDA, o que possibilita atualizações mais rápidas, eliminando a dependência da publicação formal de portarias para oficialização das revisões dos métodos. “Essa atualização das RAS vai abrir possibilidades para novas revisões, com maior periodicidade. Assim, existirá um acompanhamento real entre o que acontece no setor e o que está colocado no instrumento normativo”, classifica Maria de Fátima Zorato, consultora em qualidade de sementes e outra referência dessa área.

Facilidade ainda implica comprometimento

Saionara Tesser, da Apasem, entende que os ganhos vindos com as novas RAS serão realmente sentidos na prática se os laboratórios e os analistas também estiverem comprometidos com a atualização. “Não adianta mudar se as equipes dos laboratórios não fizerem a consulta diária das regras de análise. Não adianta ter um material tão importante se ele não for consultado e tiver uma leitura bem feita, com os profissionais seguindo as regras ali descritas. Isso é o que vai fazer diferença. Caso contrário, os laboratórios não estarão atendendo o mercado e às regras do Ministério da Agricultura”, comenta.

Sementes florestais e misturas de sementes

Entre as principais novidades na atualização das RAS está a introdução dos capítulos de misturas de sementes e de espécies florestais nas RAS, o que não existia na versão de 2009. Além disso, a inclusão de um capítulo específico dedicado à análise de misturas de sementes repercute bastante no setor sementeiro.

Para Myriam Alvisi, isso representa um avanço significativo para atender às demandas crescentes desse tipo de comercialização. “Essa padronização garante a correta identificação dos lotes comercializados, promove segurança jurídica e técnica tanto para produtores quanto para consumidores finais, evita prejuízos econômicos decorrentes de inconsistências analíticas e fortalece a confiança nas transações comerciais envolvendo lotes de misturas”, indica.

Fonte: Revista Apasem/Joyce Carvalho Foto: Fabiola Dias/Adapec

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Instituto Pensar Agronegócio apoia e fortalece o setor em diferentes frentes

O agronegócio brasileiro alcançou os resultados globais que possui por meio de forte mobilização e cooperação técnica. Um exemplo disso é a atuação do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), uma organização sem fins lucrativos criada por uma série de entidades da agricultura e pecuária, de toda cadeia produtiva nacional, para auxiliar na articulação e na proteção dos interesses desses segmentos, incluindo a assessoria direta, com informações, embasamento técnico e estudos, para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), no Congresso Nacional. Assim, agendas, debates e questões que afetam o setor e as pautas que são levantadas pelo próprio agronegócio possuem um respaldo mais robusto.


Trata-se de estratégia e, desta forma, fortalecer a participação do agronegócio nas decisões públicas. O IPA se consolidou como um importante polo de produção de conhecimento técnico e de articulação política em defesa do setor agropecuário brasileiro.

“O Instituto Pensar Agro tem sido essencial para que a Frente Parlamentar da Agropecuária atue com base em dados confiáveis e análises técnicas qualificadas. Hoje, o IPA nos apoia em temas como o aprimoramento das políticas de crédito e seguro rural, o acompanhamento de pautas ambientais e climáticas, além da avaliação de impactos de propostas tributárias e regulatórias. Esse suporte técnico garante que nossas pautas no Congresso e junto ao governo estejam sempre embasadas em informações atualizadas e bem fundamentadas”, comenta o deputado federal Pedro Lupion (PP), da bancada paranaense e presidente da FPA.

Já são 14 anos de atuação, com uma série de conquistas neste período. Desafios importantes já foram superados com estudos técnicos e atuação conjunta das associações e federações ligadas ao agronegócio, mas as demandas se renovam e, por isso, a mobilização em torno e por meio do IPA segue como uma das iniciativas de sucesso que englobam o papel de facilitador entre produtores, governos e instituições, sendo um espaço para diálogo com consistência,  além de embasamento técnico para decisões e negociações.

A missão de garantir a fluidez neste trabalho está, desde fevereiro deste ano, com a superintendente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), Tania Zanella. Ela é a presidente do IPA até 2027 e, com isso, tem o papel de trabalhar por uma eficiente articulação entre as 59 associações e entidades ligadas ao agronegócio brasileiro que compõem o instituto. Entre elas estão a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP).

“O IPA evoluiu significativamente na sua capacidade de reunir especialistas, entidades representativas e formuladores de políticas públicas em torno de pautas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do agro. Entre os principais avanços, destacam-se a elaboração de estudos que subsidiaram importantes marcos legais, como o Código Florestal, a Nova Lei dos Agrotóxicos, o Licenciamento Ambiental e a Reforma Tributária com olhar para o setor”, afirma Tania Zanella, em entrevista para a Revista da Apasem.

O dinamismo nos desafios e demandas também é destacado pela presidente do Instituto. De acordo com ela, a agenda regulatória ambiental, os entraves logísticos, a insegurança jurídica e a crescente necessidade de fortalecer a imagem do agro perante a sociedade são temas constantes para o IPA. “Ainda assim, o instituto tem respondido com responsabilidade técnica e diálogo permanente com o Congresso Nacional, sempre em parceria com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O grande mérito do IPA tem sido justamente sua capacidade de reunir múltiplos atores em torno de soluções viáveis e tecnicamente fundamentadas para o setor”, salienta.

Pedro Lupion, em entrevista à Revista da Apasem, também reforçou a evolução do IPA, de forma constante e estratégica, tornando-se um pilar técnico da atuação parlamentar em defesa do agronegócio. Para o deputado federal, isso permitiu avanços em áreas como legislação ambiental, política agrícola e comércio internacional. “Hoje, a FPA conta com um braço técnico sólido que nos permite atuar com ainda mais eficiência, assertividade e visão de futuro na defesa do produtor rural e do desenvolvimento do setor”, opina.

Imagem do agronegócio

Se os desafios são constantes, como, então, direcionar os esforços para melhores resultados? Para Tania Zanella, isso passa pelo fortalecimento da imagem do agronegócio como um todo e a necessidade de mostrar que o segmento vai além da sua relevância econômica. Os papéis social, ambiental e estratégico para o país devem ser trabalhados cada vez mais pelo IPA, com esforços para que o agro seja cada vez mais compreendido e valorizado pela sociedade e pelas novas gerações.

“Esse direcionamento tem permeado todas as frentes do IPA: desde os estudos técnicos voltados à sustentabilidade e à inovação no campo, até o fortalecimento da atuação institucional junto ao Congresso Nacional e à imprensa. Estamos empenhados em promover uma agenda propositiva, baseada em evidências e aberta ao diálogo com diferentes segmentos da sociedade”, afirma.

O IPA tem focado em uma agenda que alia competitividade, sustentabilidade e inovação. De acordo com a presidente do instituto, os estudos atuais tratam de temas como transição energética no campo, pagamento por serviços ambientais, mercado de carbono, segurança jurídica para a produção agropecuária, modernização do licenciamento ambiental e governança fundiária. Isso acontece paralelamente aos acompanhamentos de novidades e debates colocados por governos, além da tramitação de projetos e discussões nas diferentes esferas do poder público. Estão sendo acompanhadas de perto, por exemplo, as discussões sobre políticas públicas de crédito rural, seguro agrícola e conectividade no campo.

Participação ativa faz diferença

A atuação do Instituto Pensar Agronegócio (IPA) pode ser acompanhada por toda a cadeia por meio dos canais oficiais da própria entidade e da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), onde as pautas são divulgadas para a sociedade como um todo. “O IPA representa a força da união do setor produtivo em torno de objetivos comuns. A participação ativa de diversas entidades traz uma riqueza de informações, experiências e propostas que fortalece a nossa atuação política. Essa construção coletiva garante uma visão ampla e plural do agronegócio, permitindo que nossas pautas avancem de forma mais sólida, estratégica e representativa diante dos desafios nacionais e internacionais”, enfatiza o deputado Pedro Lupion.

A Abrasem é uma das 59 entidades do agronegócio que fazem parte do IPA. “O instituto é fundamental na organização do agronegócio nacional”, classifica o presidente executivo da Associação Brasileira de Sementes e Mudas, Ronaldo Troncha. Ele relembra que a criação da Frente Parlamentar da Agropecuária partiu da antiga bancada ruralista no Congresso Nacional e a movimentação por uma articulação e representação política organizada motivou o surgimento do IPA. “As instituições ligadas ao agronegócio começaram a entender a necessidade de fornecer o apoio técnico aos parlamentares, fazendo com que matérias relevantes sobre legislação, questões jurídicas e discussões junto ao Executivo tivessem o apoio do conhecimento técnico dessas associações”.

Desta forma, o IPA auxilia na preparação e apoio para projetos de leis e debates mais ligados aos temas específicos de cada associação que integra seu quadro, além de assuntos nacionais que impactam o agronegócio como um todo, incluindo Reforma Tributária, licenciamento ambiental e Código Florestal Brasileiro. “Aliás, esse foi um dos grandes temas discutidos e uma das grandes conquistas do IPA”, indica.

De acordo com Troncha, leis como a de proteção de cultivares e de patentes também tiveram o auxílio, em suas articulações e resultados, de representantes ligados ao agronegócio como um todo. “Um dos temas para o setor de sementes que está sendo relevante e estamos discutindo exatamente nesse momento em uma das comissões do IPA é justamente a questão da alteração, ou seja, da modernização da lei de proteção de cultivares. Estamos fazendo várias reuniões com vários setores do agronegócio, que estão ali representados dentro do IPA. Todos os tipos de sementes e mudas estão envolvidos nesta legislação, e isso inclui o trabalho conjunto com outras associações, além da Abrasem”, revela.

A comissão de Defesa Agropecuária do IPA vem concentrando esses debates neste ano e os integrantes debatem a possibilidade de melhoria da legislação como um todo, inclusive visando aumentar o fomento e investimentos em pesquisas e melhoramento genético como um todo.

O Sistema FAEP – Federação da Agricultura do Estado do Paraná – participa ativamente do IPA desde a criação da entidade, em 2011, por meio da elaboração de estudos técnicos e da atuação nos grupos de trabalho, o que inclui temas como relações fundiárias, relações trabalhistas e relações institucionais e governamentais.

Exemplos paranaenses e pautas capitaneadas por aqui também são levados para o IPA, segundo o presidente interino no Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. A visão sobre o Código Florestal Brasileiro e mudanças em legislações referentes a licenciamento ambiental foram temas de mobilizações no Paraná que repercutiram nacionalmente, por meio, inclusive, da participação da FAEP nas articulações e atividades do Instituto Pensar Agronegócio.

“As entidades que fazem parte do IPA colocam seus papéis e as importâncias que têm relacionadas aos temas dentro da Associação. Por isso, existe esse papel de protagonismo, com atuação dentro dessa importante entidade que representa toda a agropecuária e que exerce esse ponto importante para a bancada no Congresso Nacional”, avalia.

A própria federação paranaense contribui com muitos estudos técnicos, que são usados para basear negociações e articulações, com impacto direto na defesa ativa dos interesses da agropecuária estadual e nacional. A expertise do departamento técnico da FAEP também é ressaltada por Ágide Eduardo Meneguette. “Na IPA, trabalhamos em conjunto para achar as melhores soluções, juntamente com os corpos técnicos das entidades, subsidiando os parlamentares da melhor forma e, assim, atendendo os anseios do setor”, disse.