24/02/2021 - Cascavel, colheita de Soja

Palmas se consolida como principal produtor de sementes de soja e batata do Paraná

O município de Palmas, no Sudoeste do Paraná, é um importante centro de produção de sementes de soja e batata. As condições climáticas fazem da microrregião uma das preferidas para a instalação de cultivos pelas empresas sementeiras. 

De acordo com os últimos dados disponíveis, referentes à safra 23/24, Palmas foi responsável pela produção de 47,6 mil toneladas de semente de soja, 9,2% de toda a produção do Paraná de acordo com levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O volume também representou 34,1% do total da microrregião, que é formada, ainda, por Clevelândia, Coronel Domingos Soares, Honório Serpa e Mangueirinha.

Saíram do município, no mesmo período, 9,37 mil toneladas de batata semente, o que correspondeu a 26% do total produzido no Estado. No que se refere a volume total (consumo e semente) os municípios de Guarapuava e Pinhão são os dois maiores produtores, com 119,8 mil toneladas e 93,1 mil toneladas respectivamente. Palmas fica na terceira posição, de acordo com o Deral.

A produção de sementes é uma atividade que envolve cooperativas e sementeiras. Para atender a demanda, as empresas fazem contratos com pequenos, médios e grandes produtores. Assim, eles passam a contar com acompanhamento técnico necessário para que a produção de sementes atenda às exigências de qualidade e obtenham a certificação.

Lucas Fernando Oliveira dos Santos, extensionista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) de Palmas, vê com bons olhos esse crescimento na produção de semente de soja. “Isso mostra mais um potencial para a microrregião de Palmas, além da madeira”, afirma Santos, ressaltando o potencial para crescer ainda mais.

Soja

Na safra 23/24, conforme o levantamento do VBP (Valor Bruto de Produção), do Deral, o Paraná teve uma produção total de 18.778,5 milhões de toneladas de soja em uma área cultivada de 5.828,2 milhões/ha. Desse volume de produção, 2,75% (517,1 mil toneladas) correspondem à produção de sementes.

Considerando-se a produção dos cinco municípios que formam a microrregião de Palmas, a produção de semente de soja chegou a 122.267 mil toneladas, ou 23,6% do volume produzido no Estado. Se levado em conta que o volume médio de uso de sementes fica entre 55 e 60 kg/ha, a região produz sementes o suficiente para cobrir uma área entre 2,3 a 2,5 milhões de hectares.

O município de Tibagi ocupa a segunda posição na produção de sementes de soja, com 36 mil toneladas, na safra 23/24. Mangueirinha vem em seguida com 34,2 mil/ toneladas. Arapoti e Marilândia do Sul ficam em quarto lugar, com quase 24 mil toneladas. As sementes produzidas no Paraná também são comercializadas em Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Microclima

O agrônomo Vilmar Grando, do IDR-Paraná de Pato Branco, explica que o clima de Palmas é muito favorável para a produção de sementes. Segundo ele, a altitude do município, cerca de 1000 metros acima do nível do mar, forma um microclima cuja temperatura média no verão é de 25ºC, enquanto em regiões a 500 metros do mar, chega facilmente a 30ºC.

 “A soja tem um bom desenvolvimento quando a temperatura fica entre 20º C e 30ºC. Acima dessa faixa a planta desestrutura algumas proteínas e perde a qualidade do grão”, disse Grando.

Durante a noite a temperatura média também ajuda as lavouras, ficando entre 15ºC e 18ºC. O agrônomo acrescentou que nessas condições a soja tem um menor gasto de energia, facilitando o ganho energético. “A planta respira menos e armazena mais energia que é dirigida à produção dos grãos, o que confere mais qualidade à semente. Nas regiões com altitude abaixo de 600 metros do nível do mar, os dias e as noites são mais quentes e não favorecem a planta”, ressaltou.

Outro fator importante para o sucesso da produção de sementes no entorno de Palmas é o regime de chuvas. Mesmo com os eventos extremos que vêm ocorrendo por causa das mudanças climáticas, Grando explica que o microclima da região tem se mantido estável, o que dá estabilidade à produção.

“Nos últimos anos não registramos grandes perdas causadas por estiagem na região”, afirmou. De acordo com o agrônomo, a ocorrência de temperaturas menores também aumenta o teor de matéria orgânica no solo, melhorando as condições nas áreas de cultivo.

Além das condições climáticas, os produtores ainda contam com outras facilidades. O IDR-Paraná mantém uma estrutura de câmara fria em Palmas, onde a batata semente produzida na região pode ficar armazenada até o plantio.

Fonte: AEN Foto: Gilson Abreu/Arquivo AEN

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Agrotec 2026 reforça inovação e a força da união

O Agrotec 2026, maior dia de campo da Integrada, já mobiliza equipes e parceiros para mais uma edição voltada à troca de conhecimento, inovação e fortalecimento do cooperativismo. Em entrevista ao programa Paiquerê Novo Campo, da Rádio Paiquerê FM, o coordenador técnico da Integrada, Lucas Pastre Dill, detalha os preparativos do evento, que será realizado nos dias 21 e 22 de janeiro, com o tema “Safra de prosperidade: colha resultados com a Força da União”. Na conversa, ele apresentou o que cooperados e parceiros poderão encontrar nesta edição, como as principais tecnologias, soluções e as orientações para quem deseja participar do Agrotec 2026.

Ouça

Fonte: Integrada News

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Análises apontam cenário lateral para o trigo em 2026

O mercado de trigo entra em 2026 sob um cenário de acomodação nos preços internacionais e maior complexidade no ambiente interno brasileiro. Análise da TF Agroeconômica indica que o contrato SRW dezembro de 2026 na Bolsa de Chicago mantém uma tendência primária de baixa bem definida desde o primeiro semestre de 2025, sem sinais consistentes de reversão até o momento.

O movimento técnico mostra uma sequência clara de topos e fundos descendentes, com o mercado saindo da região próxima de 680 a 690 centavos de dólar por bushel no início do contrato para a faixa atual ao redor de 560 a 565 centavos. O principal suporte está entre 550 e 555 centavos, considerado um nível psicológico relevante, cuja perda consistente pode abrir espaço para recuos até a região de 520 centavos. As resistências mais próximas se concentram entre 585 e 590 centavos no curto prazo e entre 610 e 620 centavos em movimentos corretivos mais amplos. O aumento expressivo de volume nas quedas recentes reforça a leitura de pressão vendedora por parte de fundos e sinaliza um mercado ainda confortável em relação à oferta global.

No Brasil, os fundamentos regionais seguem determinantes para a formação de preços. No Rio Grande do Sul, a disponibilidade total estimada em 4,05 milhões de toneladas praticamente se equilibra com o uso, projetado em 3,9 milhões, resultando em um estoque final baixo, porém recorrente, de cerca de 150 mil toneladas. O desafio central não é volumétrico, mas qualitativo, com elevada participação de trigo destinado a biscoitos e ração e limitações em parâmetros industriais, o que mantém o estado dependente de blends e sensível a prêmios de qualidade.

No Paraná, o mercado permanece estruturalmente apertado. A moagem estimada supera a produção local, exigindo importações relevantes e sustentando um prêmio consistente sobre o trigo gaúcho e argentino, diferença que tende a se manter acima de R$ 200 por tonelada em 2026. A qualidade instável do trigo argentino e possíveis mudanças no fluxo de exportações do Mercosul reforçam esse descolamento do mercado interno brasileiro em relação à CBOT, especialmente no Paraná.

Do ponto de vista macroeconômico, estímulos à renda e ao consumo favorecem a demanda interna, enquanto o bom abastecimento dos moinhos e a competição por margens limitam movimentos mais agressivos de alta. A projeção consolidada aponta para a CBOT operando entre 520 e 620 centavos por bushel em 2026, com média esperada entre 560 e 590 centavos, em um ambiente de tendência lateral a levemente baixista, marcado por ralis técnicos pontuais e menor volatilidade explosiva.

Fonte: Agrolink Leonardo Gottems Foto: Pixabay

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Mapa divulga balanço anual de registros de agrotóxicos e bioinsumos em 2025

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulga o balanço anual dos registros de agrotóxicos e afins concedidos ao longo de 2025. Os últimos dados constam no Ato nº 63 da Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins (CGAA/SDA/Mapa), publicado no Diário Oficial da União, e apontam recorde histórico na liberação de produtos biológicos, além de avanços na modernização regulatória do setor.

Em 2025 foram concedidos registros para um ingrediente ativo de origem química inédito, além de 101 produtos equivalentes ou genéricos e 15 produtos classificados como bioinsumos.

Ao todo, o Brasil encerrou 2025 com 912 registros concedidos, sendo 323 produtos técnicos, categoria destinada exclusivamente ao uso industrial, sem comercialização direta ao agricultor. O ano também foi marcado pela liberação de 162 produtos classificados como bioinsumos, o maior quantitativo já registrado no país, abrangendo produtos formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos, inclusive para uso na agricultura orgânica.

Outro marco foi o registro de 6 novos produtos técnicos inéditos e 19 produtos formulados à base de ingrediente ativo novo, reforçando a modernização do portfólio fitossanitário disponível no país.

Importância dos ingredientes ativos novos

A introdução de ingredientes ativos novos no mercado brasileiro representa um avanço estratégico para o fortalecimento da defesa fitossanitária e da competitividade agrícola. Diferentemente dos produtos equivalentes ou genéricos, essas novas moléculas ampliam os modos de ação disponíveis, fortalecem o manejo integrado de pragas e doenças, reduzem riscos de resistência e incorporam tecnologias mais modernas.

Em 2025, foram registrados no Brasil os seguintes ingredientes ativos novos: Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram. A incorporação desses ativos contribui para maior eficiência no controle fitossanitário, estimula a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico e fortalece a posição do agronegócio brasileiro no cenário internacional.

Produtos equivalentes e organização dos processos

Do total de registros concedidos, predominam quantitativamente os produtos equivalentes, cujo objetivo é ampliar a concorrência, assegurar o abastecimento e reduzir custos ao produtor rural. O Mapa destaca que parte relevante das liberações decorre de determinações judiciais, relacionadas ao não cumprimento de prazos legais, incluindo processos originalmente protocolados em 2015 e 2016.

Para aumentar a transparência, previsibilidade e eficiência da análise regulatória, o Mapa editou o Ato nº 62, de 22 de dezembro de 2025, que uniformiza e centraliza o protocolo, a distribuição e a tramitação dos pedidos de registro e pós-registro. A partir de 15 de setembro de 2025, todos os novos pleitos passaram a ser protocolados exclusivamente pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI/Mapa), não sendo mais considerados, para fins de organização de fila, os protocolos realizados diretamente na Anvisa ou no Ibama.

O ato também assegura que processos distribuídos antes dessa data mantenham seus fluxos originais, preservando a segurança jurídica. A primeira lista de distribuição priorizou produtos à base de ingredientes ativos novos e bioinsumos com menor potencial de impacto à saúde humana e ao meio ambiente. o Ato, ainda, reforça que a distribuição realizada pelo MAPA não substitui o pagamento das taxas de avaliação devidas a cada órgão competente e garante que processos distribuídos antes dessa data mantenham os fluxos originais, preservando a segurança jurídica e o andamento regular das análises em curso.

Registros não indicam uso efetivo no campo

O Ministério esclarece que o número de registros concedidos não está diretamente relacionado ao volume de defensivos aplicados na agricultura. A demanda pelo uso desses insumos depende de fatores técnicos, como área cultivada, pressão de pragas, condições climáticas e sistemas de manejo. Dados nacionais indicam que, em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos registradas e 13,6% dos ingredientes ativos não chegaram a ser comercializados.

Regulação, fiscalização e prevenção

O processo de registro de agrotóxicos no Brasil é rigoroso e tripartite, envolvendo análises técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quanto aos impactos à saúde humana; do Ibama, quanto aos riscos ambientais; e do Mapa, quanto à eficiência, eficácia e praticabilidade agronômica. O registro final é concedido apenas após parecer favorável dos três órgãos, conforme a legislação vigente.

Em 2025, o Mapa também fortaleceu as ações de fiscalização e controle, com a publicação de chamamentos públicos para atualização documental e revisão técnica de produtos. Foram editados avisos para os ingredientes ativos Glifosato, 2,4-D, Glufosinato, Atrazina, Clofenapir, Acefato, Metomil e Epoxiconazol. Como resultado da primeira etapa dessas ações, foi publicado o Ato nº 61, de 22 de dezembro de 2025, que determinou a suspensão cautelar dos registros de 34 produtos agrotóxicos. Agregado a isso foram apreendidos no ano de 2025, somente em ações de fiscalização executadas pelo MAPA, 1.946 litros de agrotóxicos ilegais.

Perspectivas para 2026

As ações desenvolvidas em 2025 integram a agenda de aprimoramento regulatório iniciada com a Lei nº 14.785/2023, que instituiu o modelo de protocolo único, rastreabilidade e priorização técnica. O Mapa segue coordenando, em conjunto com Anvisa e Ibama, a implementação do Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), previsto para lançamento em 2026.

A diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia Soares, destaca:

“os trabalhos desenvolvidos e os dados de 2025 demonstram que o país avança com transparência, segurança e inovação no registro de produtos químicos. O Brasil reforça sua liderança global no desenvolvimento e adoção de bioinsumos, que representam hoje a maior transformação tecnológica no campo e um dos pilares da agricultura sustentável”.

Síntese – 2025

* 912 registros concedidos

* 323 produtos técnicos (uso industrial)

* 162 bioinsumos liberados – maior número da série histórica

* 6 produtos técnicos com ingredientes ativos novos

* 19 produtos formulados com ingredientes ativos novos

Fonte e Foto: Mapa

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Mercado financeiro projeta inflação de 4,06% em 2026

O primeiro Boletim Focus de 2026 apresentou índices de estabilidade em três das quatro medianas projetadas pelo mercado financeiro. A única que apresentou variação em relação às últimas semanas de 2025 foi a relativa à expectativa de inflação projetada para o ano corrente, que variou dos 4,05% projetados na semana passada, para 4,06% segundo o boletim divulgado nesta segunda-feira (05/01) pelo Banco Central.

A inflação oficial do país tem como referência o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A variação de 0,01 ponto percentual apresentada neste boletim ocorre após uma sequência de oito estimativas seguidas de queda. Há quatro semanas, o mercado financeiro projetava uma inflação de 4,16% ao final de 2016.

Para os anos subsequentes, as projeções de inflação mantêm estabilidade há nove semanas, de 3,80% em 2027; e de 3,50% em 2028

Meta de inflação

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.

A prévia da inflação oficial de dezembro ficou em 0,25%, resultado que faz o acumulado de 12 meses marcar 4,41%, dentro do limite da meta do governo.

Foi o segundo mês seguido com inflação acumulada dentro da margem de tolerância. Em novembro, o IPCA-15 tinha baixado para 4,5%, depois de ter ficado fora do limite desde janeiro. Em abril, o ponto mais alto desde então, chegou a 5,49%.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PIB

Tanto as projeções do mercado financeiro para o câmbio, como para a taxa básica de juros (Selic) e a economia PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) apresentaram estabilidade nas últimas semanas.

No caso do PIB, as projeções são de crescimento de 1,8% em 2026 – mesmo percentual projetado para 2027. Para o ano seguinte (2028), o crescimento estimado pelo mercado financeiro para a economia é de 2%.

Câmbio e Selic

Com relação ao câmbio, o mercado financeiro projeta que o dólar fechará 2026 com uma cotação de R$ 5,50, valor que não vem apresentando alterações por 12 semanas consecutivas. Para 2027 e 2028, as cotações projetadas para a moeda estadunidense estão, respectivamente, em R$ 5,50 e R$ 5,52.

Já a Selic, que fechou 2025 a 15%, deve cair para 12,25% ao longo de 2026; para 10,50% em 2027; e 9,75% em 2028.

A taxa básica de juros situa-se no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Fonte: Agência Brasil Foto: Banco Central do Brasil

Sementes não certificadas avançam no Brasil e geram perdas expressivas e desafios à cadeia da soja

O uso de sementes de soja não certificadas — incluindo sementes piratas e sementes salvas comercializadas irregularmente — segue em expansão no Brasil e já representa um dos maiores desafios estruturais da cadeia produtiva da soja. Dados consolidados pela Céleres Consultoria, com elaboração da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS), indicam que, na safra 2025/26, 27% da área plantada no país será cultivada com sementes não certificadas, o equivalente a cerca de 13 milhões de hectares.

Segundo Gladir Tomazelli, diretor institucional da ABRASS, parte do problema está na distorção entre o uso legal da semente salva e a sua comercialização irregular. “A prática de utilizar sementes produzidas pelo próprio agricultor cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Ocorre que uma parcela dessas sementes, que deveriam ser para uso próprio, acaba sendo comercializada ilegalmente, transformando-se em semente pirata”, explica.

O impacto direto desse cenário é sentido na produtividade. Pesquisas indicam que o uso de sementes não certificadas resulta, em média, em queda de quatro sacas por hectare. Aplicada à área total fora do sistema formal, essa redução representa 2,8 milhões de toneladas a menos de soja produzidas no país, além da perda estimada de 1,9 milhão de toneladas em exportações e 0,9 milhão de toneladas no consumo interno.

As perdas econômicas também são expressivas. O levantamento aponta que 16,4 milhões de sacas de sementes certificadas deixam de ser comercializadas, gerando um prejuízo superior a R$ 8 bilhões para o setor de sementes. Apenas de royalties genética, o impacto chega a R$ 590 milhões, comprometendo investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento de novas cultivares.

“Estamos falando de um efeito dominó que atinge toda a cadeia produtiva”, afirma Tomazelli. “Menos sementes certificadas significam menos produtividade, menos geração de empregos qualificados — estimamos cerca de 4.500 postos diretos a menos — e menor circulação de renda no agronegócio brasileiro”.

Para enfrentar o problema, a ABRASS defende a modernização da legislação de cultivares. A entidade apoia o Projeto de Lei (PL n. 1702/19) em tramitação na Câmara dos Deputados que prevê o recolhimento de royalties de genética sobre a semente salva. “A aprovação e regulamentação dessa lei trarão mais segurança jurídica ao pesquisador e tornarão o mercado de sementes mais competitivo e equilibrado”, destaca Tomazelli.

Além da agenda regulatória, a associação tem investido em ações práticas para elevar o padrão do setor. Um dos principais projetos é a Certificação de Processos ABRASS, desenvolvido há cerca de quatro anos e atualmente em fase de implementação de auditorias, em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

“O objetivo é padronizar e elevar o nível dos processos produtivos entre os multiplicadores associados, garantindo maior regularidade e previsibilidade na qualidade das sementes”, explica Tomazelli. A iniciativa deve resultar na criação de um selo ABRASS de processos de produção, oferecendo maior segurança ao agricultor no momento da compra.

Para o presidente da ABRASS, André Schwening, a escolha por sementes certificadas vai além do cumprimento legal. “Trata-se de uma decisão estratégica para o produtor e para o país. Semente certificada é sinônimo de produtividade, competitividade e sustentabilidade econômica. Quando a semente não certificada ganha espaço, todos perdem: o agricultor, a indústria, a pesquisa e o Brasil”, afirma.

Schwening reforça que a entidade seguirá atuando de forma institucional e técnica para fortalecer o mercado formal. “A ABRASS continuará trabalhando para criar um ambiente mais transparente, moderno e sustentável, onde a inovação seja valorizada e a produção de soja brasileira mantenha sua liderança global”.

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRASS Foto: Divulgação

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Paraná é o fiel da balança da soja

O Rio Grande do Sul se consolida como o principal foco de incerteza da safra brasileira de soja, segundo informações da TF Agroeconômica. “Para pagamento em dezembro, com entrega em dezembro, os preços no porto foram reportados a R$ 141,00/sc (-0,70%) semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 132,08/sc (-0,23%) semanal em Cruz Alta, salvo por Santa Rosa a R$ 136,00. Já em Panambi, o mercado físico apresentou manutenção, com o preço de pedra recuando para R$ 122,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.

Santa Catarina apresenta uma dinâmica de mercado descolada da paridade de exportação. “Do ponto de vista agrícola, a colheita da safra de inverno está praticamente concluída, liberando áreas para o avanço do plantio da soja em áreas tardias. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 141,05 (-0,89%)”, completa a consultoria.

O Paraná atua como fiel da balança da produção no Sul, combinando expectativa de safra consistente com uma postura comercial defensiva por parte do produtor. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 141,82. Em Cascavel, o preço foi R$ 130,83 (+0,01%). Em Maringá, o preço foi de R$ 129,53 (-0,28%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 132,46 (-0,41%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 141,05 (-0,89%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 122,00”, indica.

O Mato Grosso do Sul apresenta um mercado de soja travado, marcado por baixa fluidez nas negociações e ajustes negativos alinhados ao movimento nacional. “Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 127,82 (-0,30%), Campo Grande em R$ 127,82 (-0,30%), Maracaju em R$ 127,82 (-0,30%), Chapadão do Sul a R$ 123,39 (-0,14%), Sidrolândia a em R$ 127,82 (-0,30%)”, informa a consultoria.

Mato Grosso vive o paradoxo da abundância produtiva combinada com forte pressão financeira, em um cenário de safra volumosa e margens cada vez mais comprimidas. “Campo Verde: R$ 121,39 (-0,70%). Lucas do Rio Verde: R$ 118,77 (+0,70%), Nova Mutum: R$ 118,77 (+0,70%). Primavera do Leste R$ 121,39 (-0,70%). Rondonópolis: R$ 121,39 (-0,70%). Sorriso: R$ 118,77 (+0,70%)”, conclui.

Fonte: Agrolink Foto: Divulgação

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CNA alerta produtor rural para mudanças no modelo de emissão de notas fiscais a partir de 2026

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta o produtor rural para a transição do modelo de tributação sobre consumo que começa a valer a partir de 1º de janeiro de 2026.

O coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, explica que até o final de dezembro desse ano os produtores que utilizam sistemas próprios para emissão de notas fiscais eletrônicas devem solicitar atualização para o novo padrão, definido pela Receita Federal.

“Para aqueles produtores que possuem sistemas de emissão de notas fiscais, se não fizerem a adequação exigida, poderão ter problemas a partir de 1º de janeiro de 2026”, afirmou.

Conchon ressalta que a mudança, prevista na Reforma Tributária, traz segurança jurídica para o produtor, com a criação de uma legislação unificada, por meio de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), amplamente utilizado em diversos países.

“No caso do Brasil, serão criados os novos tributos: Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirão gradativamente os tributos atuais.”

O coordenador da CNA lembra que, durante o ano de 2026, os produtores entrarão em um período de transição, com emissão de notas no novo modelo e aplicação de uma alíquota-teste de 1%, sem impacto no pagamento destes tributos.

“Esse processo vai permitir que os órgãos competentes calibrem as alíquotas reais ao longo do ano”, a partir da emissão do documento fiscal com o destaque de 1%, explica.

Ele orienta que, para os produtores garantirem uma adaptação tranquila, é necessário que façam a transição de forma gradual e planejada, envolvendo áreas como contabilidade, jurídico, financeiro, comercial, recursos humanos e tecnologia da informação.

Além dos benefícios para o produtor, Renato Conchon enfatiza o impacto positivo da reforma para a sociedade, onde o consumidor final terá acesso a alimentos sem a incidência de tributos cumulativos.

O coordenador lembra, ainda, dos principais ganhos para o agro na reforma, como a redução de 60% nas alíquotas, a possibilidade de regime opcional para produtores com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões, a não incidência do imposto seletivo sobre produtos agropecuários e o tratamento diferenciado para cooperativas e biocombustíveis.

Para orientações extras sobre o novo modelo tributário, o produtor rural pode acessar a página especial criada pela CNA com matérias, vídeos e um perguntas e respostas sobre o tema: https://cnabrasil.org.br/paginas-especiais/reformatributaria

Fonte: CNA Foto: Divulgação

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Produção de etanol de milho cresce, mas disputa por biomassa ameaça ritmo das usinas

Com a produção brasileira de etanol de milho projetada para alcançar 10 bilhões de litros até o final de 2025, segundo dados da Unem, o setor entra em uma fase de expansão que vem reconfigurando o mapa industrial do país. O avanço, porém, expõe um desafio que até pouco tempo era secundário e agora se torna decisivo para a competitividade das plantas: garantir energia térmica confiável, barata e sustentável para assegurar a operação crescente das usinas.

A demanda por biomassa já dá sinais de pressão em polos importantes do Centro-Oeste, onde projetos de etanol, fertilizantes, processamento de grãos e indústrias madeireiras passaram a disputar o mesmo insumo. Em algumas regiões, agentes do setor já falam abertamente sobre o risco de “estreitamento de oferta”, fenômeno equivalente a um possível apagão de biomassa em períodos de alta demanda.

Um ponto sensível nesse contexto é a energia térmica, já que o vapor é o responsável por sustentar etapas críticas do processo industrial e responde por grande parte do custo operacional. Sem previsibilidade de preço e de suprimento, qualquer oscilação impacta diretamente margens e produtividade.

A alternativa que começa a ganhar tração no setor é a adoção de soluções térmicas flexíveis, capazes de operar com múltiplas biomassas ao longo do ano, reduzindo o risco de escassez e garantindo a continuidade da operação. Em alguns projetos industriais, já existem caldeiras aptas a trabalhar com até 14 tipos diferentes de biomassa, incluindo cavaco de madeira, bagaço de culturas regionais e resíduos agrícolas.

Nesse cenário, empresas especializadas na gestão de energia térmica passam a ocupar um espaço relevante. A ComBio, por exemplo, opera unidades dedicadas dentro de diferentes plantas industriais, assumindo integralmente a responsabilidade por suprimento, operação e desempenho das caldeiras. O modelo surgiu como alternativa para mitigar a volatilidade no mercado de biomassa e dar previsibilidade a setores que dependem de grandes volumes de vapor. Na prática, a empresa funciona como uma gestora térmica de longo prazo, capaz de adaptar a matriz de combustível conforme a disponibilidade regional e reduzir o impacto das oscilações do mercado.

Segundo Ricardo Blandy, diretor comercial da ComBio, essa flexibilidade deixa de ser um diferencial e passa a ser condição básica de segurança energética: “Para o produtor de etanol de milho, a atenção ao suprimento de biomassa é vital, pois a usina simplesmente não funciona sem ela. Em várias regiões do país, já há um risco concreto de escassez desse insumo. Por isso, adotar caldeiras que operem com diferentes tipos de biomassa deixou de ser opção e se tornou uma exigência para garantir segurança e continuidade operacional”.

O consumo elevado do setor também exige novas formas de organizar a cadeia. Uma única usina pode demandar 300 mil a 400 mil toneladas de biomassa por ano, volume que pressionará ainda mais o mercado conforme novos projetos entrem em operação. Para garantir estabilidade, especialistas defendem o uso de contratos de longo prazo, rastreabilidade da origem da biomassa e desenvolvimento de novas cadeias regionais.

A discussão energética também se conecta à pauta climática. Em 2024, soluções térmicas baseadas em biomassa evitaram a emissão de centenas de milhares de toneladas de CO₂ no país, reforçando a narrativa de sustentabilidade que acompanha a expansão do etanol de milho.

Para Blandy, o setor vive um momento de tomada de decisão estratégica. “Vale a pena pensar em flexibilidade e em desenvolver novas biomassas. A região que hoje não tem oferta pode ter daqui a cinco ou dez anos. E o projeto térmico precisa estar preparado para isso”, afirma.

Com novos projetos prestes a sair do papel e a competição global por biocombustíveis de baixo carbono aumentando, a forma como o setor lidará com sua matriz térmica pode definir não apenas o ritmo de expansão, mas quem conseguirá manter competitividade em um mercado cada vez mais exigente.

Fonte: ComBio Foto: Divulgação