Show Rural

Show Rural Digital projeta o futuro do agronegócio com inovação e conexões globais

Integrado ao Show Rural Coopavel desde 2019, o Show Rural Digital tornou-se um dos principais ambientes dedicados à inovação e à transformação digital no evento, que chega à sua 38ª edição. O espaço deixou de ser apenas expositivo para se consolidar como um ponto de encontro entre conhecimento, tecnologia, networking e oportunidades de negócios voltadas ao avanço do agronegócio. De 9 a 13 de fevereiro, a programação reúne 60 apresentações e atividades, além de dezenas de expositores e conteúdos que abrangem toda a cadeia produtiva, da base no campo às soluções tecnológicas mais avançadas.

“O Show Rural Digital é um evento que cresce de forma consistente, gera conteúdo altamente relevante e deixa sua marca a cada edição. Em 2026, teremos mais expositores, mais atrações e uma agenda ainda mais completa”, afirma o coordenador José Rodrigues da Costa Neto. Um dos momentos centrais será o Fórum Internacional das Cooperativas, programado para terça-feira, dia 10, com a participação de CEOs e diretores técnicos de cooperativas do Brasil, Paraguai e Argentina. “O fórum ganhou dimensão internacional e se transformou em um espaço estratégico de discussão sobre o futuro do cooperativismo”, destaca Neto.

A inovação prática também ganha protagonismo com o Hackathon, maratona que desafia equipes a desenvolver soluções para demandas reais do agronegócio em mais de 40 horas de imersão. A equipe vencedora será premiada com uma visita a um dos principais ecossistemas de inovação da América do Sul — experiência vivenciada, no último ano, na Colômbia. Segundo o coordenador, o nível dos projetos apresentados evolui a cada edição, com propostas cada vez mais próximas da realidade de mercado.

Novos caminhos ao agro

A agenda do Show Rural Digital contempla temas como inteligência artificial aplicada ao agronegócio, cibersegurança, eventos climáticos extremos, agricultura de precisão, biotecnologia e valorização de resíduos. O público também poderá participar de rodadas de negócios, painéis com fundos de investimento e iniciativas de inovação aberta, como o Iguassu Valley Show, que trará ao debate as estratégias do ecossistema regional de inovação.

O compromisso com a diversidade segue fortalecido com o retorno do Founders Mulheres, que reunirá cerca de 150 mulheres de diferentes municípios do Oeste do Paraná em uma programação voltada à equidade, liderança feminina e ampliação da participação das mulheres no ecossistema de startups. Entre os participantes confirmados está Renato Chaves, presidente da Extreme Networks América Latina, que integra o Fórum das Cooperativas com reflexões sobre cibersegurança e infraestrutura digital, temas cada vez mais estratégicos e transversais para o setor agropecuário. O Show Rural Digital conta com a parceria do Governo do Paraná, Sebrae, Fiep, UTFPR, Biopark, Ocepar e Iguassu Valley.

Embrapa

ABC lança livro sobre legado da cientista Johanna Döbereiner para agricultura tropical

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) acaba de lançar o livro A Herança de Johanna Döbereiner para a Ciência Agrícola Brasileira e Mundialque celebra o centenário da cientista, considerada um ícone da mundial por suas pesquisas em microbiologia do solo e agricultura sustentável. A publicação congrega os anais do workshop realizado em 28 de novembro de 2024, data em que a pesquisadora completaria 100 anos. A obra é organizada pelos pesquisadores da Embrapa Mariangela Hungria, Fábio Bueno dos Reis Junior e Avílio Antônio Franco e pela professora Maria Domingues Vargas, do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense.

O livro reúne capítulos de especialistas brasileiros e estrangeiros para apresentar, sob novas perspectivas, a amplitude do legado científico, tecnológico e humano da pesquisadora que transformou  a agricultura tropical. Também traz depoimentos dos filhos, registros históricos e fotografias, combinando rigor científico e memória afetiva.  “Este livro ressalta as contribuições científicas, mas também o lado humano de Johanna Döbereiner: a professora dedicada, a mentora que acreditava no potencial dos jovens, a pesquisadora que enfrentou desafios e preconceitos sem abrir mão da curiosidade e da coragem. Com depoimentos emocionantes e relatos inéditos, a obra revela uma mulher à frente de seu tempo, cuja paixão pela ciência e pelo Brasil inspirou gerações”, destaca Mariangela Hungria.

A pesquisadora afirma ainda que o lançamento reforça o compromisso da ABC com a memória científica do país e com a valorização de pesquisadores que, como Johanna, dedicaram suas vidas ao avanço do conhecimento. “Fica, então, um convite à leitura dessa obra ímpar, que exalta ainda mais a personalidade científica e humana dessa grande cientista brasileira”, diz Mariangela. “O livro deixa claro como o investimento em ciência e tecnologia traz frutos duradouros, que se multiplicaram e repercutem até os dias de hoje”, ressalta.

Quem foi Johanna Döbereiner –  Nascida em 28 de novembro de 1924, em Aussig, então Tchecoslováquia, Johanna enfrentou os efeitos da Segunda Guerra Mundial, sendo forçada a migrar para a Alemanha, onde atuou como trabalhadora rural antes de ingressar, em 1946, no curso de Agronomia da Universidade de Munique. Já demonstrava interesse pioneiro pela microbiologia do solo e pela fixação biológica do nitrogênio, tema de sua monografia de conclusão de curso.

Em 1950, recém-formada e casada com o também agrônomo Jurgen Döbereiner, mudou-se para o Brasil, onde iniciou uma trajetória científica que transformaria a agricultura nacional. Contratada pelo então Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, antecessor da Embrapa, publicou, em 1951, seu primeiro trabalho científico e passou a defender a ideia inovadora de que os solos tropicais apresentavam características microbiológicas distintas das regiões temperadas, exigindo novas abordagens científicas.

Naturalizada brasileira em 1956, Johanna Döbereiner construiu sua carreira na Embrapa Agrobiologia, em Seropédica (RJ). Entre suas contribuições mais relevantes está a indicação de uso da fixação biológica do nitrogênio na cultura da soja, o que dispensa o uso de fertilizantes nitrogenados. Essa inovação foi decisiva para a viabilidade econômica e ambiental da soja no Brasil, hoje líder mundial na produção do grão.

No campo científico, destacou-se ainda pela descoberta de bactérias capazes de fixar nitrogênio em associação com gramíneas, ampliando o entendimento sobre a fertilidade dos solos tropicais. Seu trabalho rendeu reconhecimento internacional, inúmeros prêmios e a indicação ao Prêmio Nobel de Química. Além disso, formou dezenas de pesquisadores, muitos dos quais hoje lideram grupos de pesquisa nacionais.

SERVIÇO

O livro A Herança de Johanna Döbereiner para a Ciência Agrícola Brasileira e Mundial está disponível gratuitamente para download no site da ABC: https://www.abc.org.br/livro-johanna-dobereiner
Para mais informações, consulte Mariangela Hungria: mariangela.hungria@embrapa.br / (43) 99958-3333

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Produtividade orienta estratégias no milho segunda safra

A produtividade do milho segunda safra ganha destaque em um cenário de margens mais ajustadas e maior exigência por eficiência agronômica. Em meio a desafios como pressão de pragas, doenças e plantas daninhas resistentes, iniciativas técnicas buscam avaliar, em condições reais de campo, como o manejo influencia diretamente os resultados produtivos e econômicos da cultura.

Nesse contexto, a IHARA anunciou participação no GETAP 2026, concurso nacional de produtividade voltado ao milho de inverno. O projeto será desenvolvido nas principais regiões produtoras do País, com acompanhamento de consultorias agronômicas que integram o grupo Shogun. Ao longo do ciclo, as áreas contarão com recomendações técnicas e adoção de estratégias de manejo, com uso de herbicida, inseticida e fungicida do portfólio da empresa. A produtividade será auditada pela curadoria do GETAP, com divulgação dos resultados prevista para novembro.

O idealizador do GETAP, Anderson Galvão, avalia que a iniciativa amplia o entendimento sobre o potencial produtivo do milho, cultura que representa parcela relevante da renda do agricultor. Já Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, destaca que o projeto reforça a validação de soluções em condições reais, com foco em produtividade e rentabilidade.

“O GETAP é um fórum técnico voltado à discussão e à validação das melhores práticas agronômicas, envolvendo gestão, tecnologias aplicadas e manejo. A participação da IHARA fortalece esse movimento ao apoiar os agricultores com soluções tecnológicas que contribuem para elevar os níveis de produtividade”, destaca Galvão.

Consultorias como Terram e JF Consultoria também integram o trabalho. Para seus representantes, mesmo na segunda safra ainda há espaço para ganhos expressivos de eficiência, desde que o manejo considere custos, retorno sobre investimento e sustentabilidade econômica da atividade.

“Mais do que apresentar tecnologias, buscamos contribuir de forma concreta para a tomada de decisão do agricultor, demonstrando, com resultados consistentes e auditados, como o manejo adequado impacta diretamente a produtividade e a rentabilidade do milho segunda safra”, finaliza Valdumiro.

Fonte: Agrolink Foto: Divulgação

Colheita de soja. Fotos:Jaelson Lucas / Arquivo AEN

Paraná fecha 2025 com 13,5% de participação na safra nacional de grãos; produção vai aumentar

O Paraná consolidou em 2025 o protagonismo na produção de grãos. Dados divulgados nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Estado ficou com 13,5% da participação nacional na produção no ano passado, logo após o Mato Grosso (32%). Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%) completam a lista.

Apenas no prognóstico de dezembro o Paraná teve uma das principais variações positivas do Brasil, com crescimento de 49 mil toneladas. Outras variações relevantes aconteceram em São Paulo (253 mil t), no Pará (92 mil t), em Goiás (74 mil t), no Tocantins (52 mil t) e no Maranhão (20 mil t). A safra de 2025 do Paraná bateu recorde da série histórica do IBGE com 46,8 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo o Paraná deve renovar esse protagonismo em 2026, a partir do terceiro prognóstico de área e produção para a safra do IBGE. A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve somar 339,8 milhões de toneladas em relação ao segundo prognóstico, houve crescimento de 4,2 milhões de toneladas.

Segundo o IBGE, o Paraná deve ter aumento de 1,5% na produção em 2026. Outros estados que devem ter bom desempenho no setor são no Rio Grande do Sul, Piauí e Rondônia. Na contramão, o IBGE aponta declínios no Mato Grosso (-7,9%), em Goiás (-8,0%), no Mato Grosso do Sul (-6,8%), em Minas Gerais (-1,7%), na Bahia (-4,7%), em São Paulo (-4,8%), no Tocantins (-2,9%), no Maranhão (-0,7%), no Pará (-8,6%), em Santa Catarina (-1,6%) e em Sergipe (-7,4%).

O Paraná é o maior produtor brasileiro de feijão na 1ª safra, com uma estimativa de 191,1 mil toneladas. A produção paranaense deve representar 19,4% do total a ser colhido nessa 1ª safra. A estimativa da produção da 2ª safra é melhor. O Paraná vai produzir 553,5 mil toneladas, crescimento de 3% em relação ao prognóstico de novembro e de 2,7% em relação ao volume colhido nessa mesma safra em 2025, devendo participar com 42,8% do total da safra, seguido pelo Mato Grosso, com 172,9 mil toneladas.

A estimativa para a produção nacional de milho (2ª safra) para 2026 é de 104,6 milhões de toneladas. O Paraná é o segundo maior produtor e deve alcançar uma safra de 17,3 milhões de toneladas, devendo participar com 16,5% do total. Também são relevantes na produção do milho 2ª safra: Goiás, com 13,3 milhões de toneladas, participação de 12,7% e Mato Grosso do Sul, com 10,3 milhões de toneladas, participação de 9,8%.

A produção nacional de soja em 2026 deve ter aumento de 2,5% em relação à safra anterior, totalizando 170,3 milhões de toneladas, o que caracterizaria novo recorde na produção nacional da leguminosa. O Paraná estimou a segunda maior produção nacional, 22,1 milhões de toneladas, representando um crescimento de 3,6% na comparação com o volume produzido em 2025, o que seria a maior safra já alcançada no Estado.

Fonte e Foto: AEN

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Mercado de trigo reage após quedas recentes

O mercado de trigo apresentou movimentações distintas nos mercados internacionais e no cenário doméstico, com influência direta de fatores geopolíticos, ajustes técnicos e competitividade entre origens. Segundo análise da TF Agroeconômica, os contratos negociados nas bolsas americanas encerraram o pregão desta quarta-feira em alta, interrompendo a sequência de perdas observada no início da semana.

Em Chicago, o trigo brando registrou valorização moderada nos contratos de março e maio, enquanto o trigo duro de Kansas e o trigo de primavera de Minneapolis também fecharam o dia em campo positivo. O movimento refletiu compras de oportunidade após o impacto do relatório WASDE, além da reprecificação dos riscos associados à guerra no Mar Negro. O mercado passou a considerar que a mediação para um possível fim do conflito deixou de ser prioridade no cenário internacional, o que sustenta prêmios de risco. Na Europa, porém, o trigo para moagem em Paris encerrou em queda, indicando ajustes regionais distintos.

No comércio global, a competitividade do trigo argentino ganhou destaque, com preços até US$ 15 inferiores aos do produto francês, garantindo vendas para destinos tradicionais como Marrocos e China. Ao mesmo tempo, o trigo europeu recuperou ritmo de exportações após um início lento do ano comercial, enquanto o produto americano perdeu espaço nesses mercados.

No Rio Grande do Sul, o mercado segue pressionado pela fraca demanda interna e limitações da exportação, com moinhos relatando interrupções na moagem. O trigo argentino tornou-se mais competitivo que o paranaense, embora ainda fique atrás do paraguaio em preço e qualidade. Em Santa Catarina, o mercado permanece travado, com negócios pontuais e manutenção da competitividade do trigo gaúcho. No Paraná, as negociações avançam lentamente, com moinhos focados em entregas futuras e forte presença do trigo paraguaio, especialmente nas regiões de maior concentração de moagem.

Fonte: Agrolink Foto: Divulgação

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Safra paranaense tem bom início nas principais culturas

Os trabalhos de campo das principais culturas agrícolas do Paraná avançam em ritmo acelerado na safra 2025/2026. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, indicam bom desenvolvimento das lavouras em praticamente todas as regiões, conforme o levantamento mais recente do Sistema de Acompanhamento de Safra Subjetiva, referente à segunda semana de janeiro.

A soja, principal cultura do Estado, já ocupa cerca de 4,8 milhões de hectares. A maior parte das áreas apresenta condições consideradas boas, com predominância das fases de desenvolvimento vegetativo e floração. A produção está estimada em aproximadamente 22 milhões de toneladas, mantendo a expectativa de elevado volume colhido. Segundo o Deral, “as lavouras de soja seguem com bom desenvolvimento na maior parte do território paranaense”.

O milho da primeira safra soma cerca de 339 mil hectares plantados, com áreas distribuídas em todas as regiões produtoras. Mais de 90% das lavouras estão classificadas entre médias e boas. Já a segunda safra, responsável pela maior parte da produção estadual, tem projeção de mais de 2,8 milhões de hectares, embora o plantio ainda esteja em fase inicial.

No caso do feijão, a primeira safra contabiliza aproximadamente 103,6 mil hectares, com colheita em andamento em algumas regiões e produção estimada em torno de 184 mil toneladas. A segunda safra da leguminosa ainda está no início do plantio, com grande parte das áreas previstas para implantação nas próximas semanas.

A batata também apresenta avanço na safra atual. A primeira safra já ultrapassa 16,6 mil hectares plantados, com colheita em curso e produção estimada acima de 530 mil toneladas. A segunda safra encontra-se majoritariamente em fase de plantio, com previsão de pouco mais de 10 mil hectares.

De acordo com o Deral, as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras até o momento. O órgão ressalta, porém, que o monitoramento segue atento à regularidade das chuvas nos próximos meses, considerada decisiva para a consolidação das produtividades esperadas. “O comportamento do clima será determinante para confirmar as projeções da safra”, aponta o departamento.

Fonte: Deral Foto: Divulgação

Sementes não certificadas avançam no Brasil e geram perdas expressivas e desafios à cadeia da soja

O uso de sementes de soja não certificadas — incluindo sementes piratas e sementes salvas comercializadas irregularmente — segue em expansão no Brasil e já representa um dos maiores desafios estruturais da cadeia produtiva da soja. Dados consolidados pela Céleres Consultoria, com elaboração da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS), indicam que, na safra 2025/26, 27% da área plantada no país será cultivada com sementes não certificadas, o equivalente a cerca de 13 milhões de hectares.

Segundo Gladir Tomazelli, diretor institucional da ABRASS, parte do problema está na distorção entre o uso legal da semente salva e a sua comercialização irregular. “A prática de utilizar sementes produzidas pelo próprio agricultor cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Ocorre que uma parcela dessas sementes, que deveriam ser para uso próprio, acaba sendo comercializada ilegalmente, transformando-se em semente pirata”, explica.

O impacto direto desse cenário é sentido na produtividade. Pesquisas indicam que o uso de sementes não certificadas resulta, em média, em queda de quatro sacas por hectare. Aplicada à área total fora do sistema formal, essa redução representa 2,8 milhões de toneladas a menos de soja produzidas no país, além da perda estimada de 1,9 milhão de toneladas em exportações e 0,9 milhão de toneladas no consumo interno.

As perdas econômicas também são expressivas. O levantamento aponta que 16,4 milhões de sacas de sementes certificadas deixam de ser comercializadas, gerando um prejuízo superior a R$ 8 bilhões para o setor de sementes. Apenas de royalties genética, o impacto chega a R$ 590 milhões, comprometendo investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento de novas cultivares.

“Estamos falando de um efeito dominó que atinge toda a cadeia produtiva”, afirma Tomazelli. “Menos sementes certificadas significam menos produtividade, menos geração de empregos qualificados — estimamos cerca de 4.500 postos diretos a menos — e menor circulação de renda no agronegócio brasileiro”.

Para enfrentar o problema, a ABRASS defende a modernização da legislação de cultivares. A entidade apoia o Projeto de Lei (PL n. 1702/19) em tramitação na Câmara dos Deputados que prevê o recolhimento de royalties de genética sobre a semente salva. “A aprovação e regulamentação dessa lei trarão mais segurança jurídica ao pesquisador e tornarão o mercado de sementes mais competitivo e equilibrado”, destaca Tomazelli.

Além da agenda regulatória, a associação tem investido em ações práticas para elevar o padrão do setor. Um dos principais projetos é a Certificação de Processos ABRASS, desenvolvido há cerca de quatro anos e atualmente em fase de implementação de auditorias, em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

“O objetivo é padronizar e elevar o nível dos processos produtivos entre os multiplicadores associados, garantindo maior regularidade e previsibilidade na qualidade das sementes”, explica Tomazelli. A iniciativa deve resultar na criação de um selo ABRASS de processos de produção, oferecendo maior segurança ao agricultor no momento da compra.

Para o presidente da ABRASS, André Schwening, a escolha por sementes certificadas vai além do cumprimento legal. “Trata-se de uma decisão estratégica para o produtor e para o país. Semente certificada é sinônimo de produtividade, competitividade e sustentabilidade econômica. Quando a semente não certificada ganha espaço, todos perdem: o agricultor, a indústria, a pesquisa e o Brasil”, afirma.

Schwening reforça que a entidade seguirá atuando de forma institucional e técnica para fortalecer o mercado formal. “A ABRASS continuará trabalhando para criar um ambiente mais transparente, moderno e sustentável, onde a inovação seja valorizada e a produção de soja brasileira mantenha sua liderança global”.

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRASS Foto: Divulgação

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Controle químico da cigarrinha-do-milho

Considerada uma das principais se não a principal praga da atualidade do milho, a cigarrinha-do-milho, espécies Dalbulus maidis e Leptodelphax maculigera, é vetor dos microrganismos causadores dos enfezamentos do milho, responsáveis por reduzir expressivamente a produtividade da cultura. De acordo com Sabato; Barros; Oliveira (2016), os danos em decorrência dos enfezamentos na cultura do milho podem ser superiores a 70%, resultando entre outros sintomas, na redução do tamanho das espigas, impactando diretamente a produtividade da lavoura.

Ainda que estratégias integradas de manejo possam ser utilizadas para reduzir a disseminação dos enfezamentos, o controle químico dos vetores (cigarrinhas) é o método mais eficaz e utilizado comercialmente para o manejo dos enfezamentos em lavouras comerciais. No entanto, como a praga apresenta um curto ciclo de vida, a reinfestação das áreas de cultivo é comum durante o período crítico, tonando necessária a reaplicação dos inseticidas para um controle mais efetivo.

O ciclo de ovo a adulto tem duração entre 15 dias a 27 dias, dependendo da temperatura e umidade do ambiente. Os adultos apresentam longevidade de 51 dias a 77 dias e cada fêmea pode ovipositar de 400 a 600 ovos (Ávila et al., 2022). O curto ciclo de vida da praga atrelado a sua elevada prolificidade, dificulta o controle efetivo da cigarrinha-do-milho durante o período crítico de ocorrência na cultura (figura 2).

Diferentemente de outras pragas, ainda não há nível de ação pré-estabelecido para o controle da cigarrinha-do-milho, uma vez que a capacidade da praga em transmitir os enfezamentos está relacionada a presença de cigarrinhas infectadas com os molicutes transmissores dos enfezamentos, e não com a densidade populacional da praga. Com isso em vista, e considerando os danos devastadores ocasionados pelos enfezamentos, a presença da cigarrinha-do-milho durante a fase crítica de ocorrência no milho, já justifica o controle químico da praga.

Monitoramento e controle químico 

Visando o máximo de eficiência no controle da cigarrinha-do-milho, além do posicionamento correto dos inseticidas durante o momento crítico à ocorrência da praga, é fundamental dar preferência por inseticidas com maior eficiência no controle da cigarrinha. Para tanto, é necessário adotar um monitoramento frequente das áreas de cultivo visando identificar a presença da cigarrinha-do-milho no início da infestação e conhecer a suscetibilidade da praga a inseticidas.

O monitoramento da cigarrinha-do-milho é realizado, especialmente durante a fase crítica (VE – V5), com o uso de armadilhas adesivas que capturam os insetos alados e com a identificação visual dos insetos. Essas armadilhas devem ser instaladas ainda antes da semeadura e permanecer ativas durante todo o período crítico da cultura. A recomendação é posicioná-las a cerca de 50 metros da borda da lavoura e a uma altura de 20 a 30 centímetros acima do dossel do milho (figura 3). As cartelas adesivas devem ser substituídas semanalmente ou, preferencialmente, a cada três dias (Coleagro).

Definida a necessidade de realizar uma intervenção química para o controle da cigarrinha-do-milho, é importante atentar para a escolha do inseticida, dando preferência por inseticidas com maior nível de controle, respeitando o intervalo entre aplicações de 5 a 7 dias. Conforme observado por Machado et al. (2024), há diferença de suscetibilidade da cigarrinha-do-milho a inseticidas, sendo que, a maioria das populações da cigarrinha apresentam alta suscetibilidade ao metomil, carbosulfan e acefato, e suscetibilidade reduzida à bifentrina, acetamiprido e imidacloprido.

Sobretudo, para uma manejo eficiente e eficaz da cigarrinha-do-milho, é fundamental rotacionar inseticidas no programa de controlo, visando reduzir a seleção de indivíduos resistentes, conservando assim a eficiência dos inseticidas disponíveis no mercado. Como alternativa para isso, pode-se utilizar inseticidas que atuam de forma distinta no organismo da cigarrinha, mas que ainda assim proporcionam bons resultados de controle, como o Fiera®.

O Fiera® é um inseticida fisiológico (Buprofezina), seletivo e regulador de crescimento de insetos, que atua principalmente no controle de ninfas da cigarrinha-do-milho. Resultados de pesquisa tem demonstrado efeito significativo da Buprofezina no controle das cigarrinhas, além da  influência da molécula na fertilidade da praga, reduzindo a quantidade e a viabilidade dos ovos depositados (Sipcam Nichino, s. d.).

Logo, para um controle químico eficiente e para uma manejo da resistência sustentável, é fundamental adotar um programa diversificado de controle, com inseticidas de diferentes mecanismo de ação, dando preferencia para moléculas com maior performance no controle da cigarrinha-do-milho. Sobretudo, além do controle químico, é essencial adotar estratégias integradas (figura 6) que reduzam a incidência da cigarrinha-do-milho, diminuindo a pressão sobre o controle químico.

Fonte: Mais Soja Foto: Divulgação

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Pirataria de sementes pressiona produtividade no campo

A expansão agrícola brasileira convive com um desafio que cresce de forma silenciosa e interfere diretamente na produtividade das lavouras. Estimativas apresentadas no Seed Congress of the Americas 2026 indicam que 11% da área de soja no país ainda é cultivada com sementes não registradas ou não certificadas, causando prejuízos que podem chegar a R$ 10 bilhões por ano e afetando também forrageiras, algodão, arroz e feijão.

A Associação Paulista dos Produtores de Sementes alerta que o uso desse material compromete a qualidade das áreas plantadas, dissemina pragas e doenças e reduz o vigor das plantas. Segundo a entidade, a semente é o ponto inicial da produção e escolhas inadequadas acabam refletindo em perdas ao longo de todo o ciclo.

“A semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis no campo, enquanto a semente ilegal traz riscos de baixa produtividade, contaminações e prejuízos irreversíveis. Investir em semente certificada não é gasto: é segurança, rentabilidade e respeito ao futuro da agricultura brasileira. destaca que o produtor precisa enxergar a semente como o ponto de partida de toda a produção”, esclarece a diretora-executiva da entidade, Andreia Bernabé.

Entre as forrageiras, uma das cultivares que mais despertam interesse de falsificadores é um híbrido conhecido por sua tolerância à seca e boa adaptação ao clima quente. O produto ilegal tem sido vendido a preços muito baixos e, muitas vezes, substituído por Brachiaria ruziziensis, de desempenho inferior. A versão original, ao contrário, é submetida a controles de vigor e pureza, pode ser tratada com fungicida e inseticida e segue embalada de forma lacrada, com coloração característica que assegura identificação imediata.

Fonte: Agrolink/ Leonardo Gottems Foto: Divulgação

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Sistema Ocepar orienta produtores sobre prejuízos com granizo nas lavouras

Muita chuva, ventos fortes e incidência de granizo afetaram as lavouras do Paraná no último final de semana. Segundo informações da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a ocorrência foi principalmente nas regiões Extremo Oeste, Noroeste, Norte e Norte Pioneiro, atingindo especialmente as plantações de milho e soja. Além disso, o mau tempo atingiu também instalações, como galpões e armazéns, além de máquinas e equipamentos.

“Neste momento, estamos fazendo o levantamento junto às cooperativas para avaliar a dimensão do prejuízo”, informa José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar. Paralelamente ao levantamento, a Ocepar está orientando os produtores atingidos para que procurem as prefeituras municipais, solicitando a avaliação sobre a necessidade de decretação de estado de calamidade pública. “Essa medida é importante para comprovar os danos e buscar medidas de socorro, como acionamento do seguro rural e renegociação de dívidas, caso necessário”, sinaliza.

Nessa linha, o Sistema Ocepar orienta os produtores que têm seguro rural para que já acionem a sua seguradora, solicitando a visita de um perito para avaliar e quantificar os danos. É importante também que os produtores informem o agente financeiro, no caso de lavouras financiadas.

Mitigar danos

O gerente de Desenvolvimento Técnico do Sistema Ocepar, Flávio Turra, informa que ao longo dessa semana será possível ter uma avaliação mais precisa sobre os danos provocados pelo excesso de chuva, ventos e granizo. “Vamos buscar ações para mitigar os prejuízos, com apoio direto aos produtores afetados”, diz Turra, acrescentando que a entidade atuará junto aos governos estadual e federal, acionando também os ministérios da Agricultura e Pecuária e Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Nesse trabalho, segundo o gerente, a Ocepar também vai buscar a parceria da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Levantamento preliminar

De acordo com o levantamento preliminar, realizado pelo Sistema Ocepar, com base em dados do Simepar e Inmet, no sábado, foram muitas chuvas de descargas elétricas, com ventos de intensidade moderada a forte e, também, registro de granizo em várias localidades nas regiões Noroeste e Norte.

No domingo, ocorreram precipitações em praticamente todas as regiões do estado, com destaque para o Oeste e Noroeste, onde as chuvas foram mais intensas. Em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro, foram registradas precipitações de mais de 40 mm nas últimas horas de domingo.

Ainda no domingo, entre a madrugada e o período da manhã, os acumulados ultrapassaram 70 mm no Norte do estado, enquanto as rajadas de vento chegaram a 92 km/h no Norte Pioneiro.

No final da tarde, novas áreas de instabilidade avançaram do Paraguai e Mato Grosso do Sul em direção às regiões Oeste e Noroeste, trazendo pancadas de chuva acompanhadas de descargas elétricas.

Na madrugada desta segunda-feira, seguem registro de chuvas no Paraná, com incidência mais forte nas proximidades de Toledo, Campina da Lagoa e Mamborê. As temperaturas estão mais elevadas no Noroeste (22 graus) e mais amenas no Sul e na Região Metropolitana de Curitiba (17 graus).

De acordo com levantamento do Defesa Civil, divulgado na manhã desta segunda-feira, o mau tempo atingiu 15 municípios paranaenses, afetando 5.318 pessoas. Desse total, 444 pessoas estão desalojadas e 60 estão desabrigadas. As condições climáticas adversas danificaram 4.056 casas.

Confira o levantamento das condições climáticas aqui

Fonte e Foto: Sistema Ocepar