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Laboratório de Análise de Sementes APASEM Ponta Grossa inaugura novas instalações e reforça posição como referência no Paraná

A Associação Paranaense dos Produtores de Sementes (APASEM) inaugurou, no último dia 27 de março, a nova sede do Laboratório de Análises de Sementes (LAS) Ponta Grossa, com a presença da direção, associados e convidados, consolidando um marco para o setor sementeiro paranaense. A modernização amplia a capacidade técnica da unidade, que hoje atende produtores de todo o Brasil com rigor científico e alto padrão de confiabilidade.

Com mais de meio século de atuação, o LAS Ponta Grossa inicia uma nova fase ao operar em instalações completamente remodeladas, projetadas para receber o dobro de amostras, expandir a equipe técnica e acomodar um calendário contínuo de cursos, treinamentos e capacitações.

Para secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Ponta Grossa, Izaltino Cordeiro dos Santos, a nova infraestrutura do LAS Apasem vem para reforçar o desenvolvimento do agronegócio na cidade. “A concessão desse espaço é o mínimo que o município pode fazer, trazendo assim essa oportunidade de ampliação desta área da pesquisa, de desenvolvimento, contribuindo com o nosso agro, com o nosso pequeno produtor, com a nossa agricultura familiar, e também com os nossos grandes negócios”.

Também presente no evento,  o presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), Fernando Augusto Henning declarou que  “a inauguração é um marco para o estado do Paraná e para o Brasil. Estruturas como essas, bem montadas, com uma equipe treinada, capacitada, mais nós avançaremos nos pilares da produtividade”, avalia Henning que acrescenta “a partir de ambientes bem estruturados como o novo LAS Apasem é que a gente consegue, de fato, colocar no mercado uma matéria-prima de alta qualidade”.

Infraestrutura modernizada

O novo laboratório recebeu uma série de investimentos estratégicos que otimizam o fluxo de trabalho das análises. Entre os equipamentos adquiridos estão descascador de arroz, plantador a vácuo, balanças de precisão e câmaras B.O.D. Além disso, ambientes específicos foram construídos e climatizados de acordo com as exigências técnicas para cada etapa — incluindo salas de germinação, análises em areia e armazenamento de amostras.

“O planejamento foi pensado para acompanhar o crescimento constante da demanda do setor sementeiro, com área disponível para futuras expansões”, destacou o presidente da Apasem, Josef Pfann em seu discurso. A equipe atual, formada por dez profissionais, passou por capacitação baseada na versão mais recente das Regras para Análise de Sementes (RAS 2025), reforçando o compromisso com a melhoria contínua.

“Essa nova infraestrutura vai beneficiar tanto os profissionais do LAS, com a amplitude de espaço, quanto os produtores, que vão receber o resultado de um trabalho com melhor qualidade, além de cursos e capacitações, que a partir de agora também serão ampliados”, comenta a especialista em análise de sementes e consultora, Dra. Maria Fátima Zoratto, parceira da Apasem em diferentes projetos de treinamentos e que fez a aula inaugural das instalações que serão destinadas a capacitação de profissionais dentro do LAS Ponta Grossa.

Compromisso com a qualidade

Durante a inauguração, o presidente da Apasem, Josef Pfann ressaltou o impacto regional e nacional do laboratório: “Entregar essa nova estrutura ao agronegócio paranaense — e também ao brasileiro, já que recebemos amostras de diversos estados — é reafirmar nosso compromisso em garantir que cada semente colocada no solo traga o resultado esperado, respaldado por análises técnicas precisas”.

Crescimento constante

Os números reforçam a evolução do LAS Ponta Grossa. O volume de amostras passou de 6.763 em 2022 para 14.362 em 2025, realizando em torno de 48.369 ensaios no último ano.

O laboratório possui hoje mais de mil clientes cadastrados e, somente em 2025, atendeu 433 empresas — indicador da sua importância como suporte técnico ao setor sementeiro.

Atualmente, o LAS Ponta Grossa analisa 180 espécies e realiza ensaios para emissão de boletins oficiais e informes de qualidade e sanidade de sementes, incluindo testes de pureza, germinação, vigor, umidade, outras cultivares, sementes infestadas e Blotter Test.

Todos os procedimentos seguem normas reconhecidas nacional e internacionalmente, como ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, RAS 2025 e Manual de Vigor da ABRATES (2020).

Outro diferencial da unidade é a agilidade: os resultados são entregues em até 15 dias, com média de 7 dias, atendendo às necessidades do setor produtivo com rapidez e precisão.

Para José de Barros França Neto, pesquisador da Embrapa Soja em Londrina há 47 anos, toda a infraestrutura do LAS representa um grande avanço para o controle de qualidade em todo o processo de produção de sementes no Estado. “Com essa estrutura, poderemos avaliar com maior precisão a qualidade fisiológica, sanitária, genética e física das sementes — pilares essenciais para garantir sua excelência. Um laboratório como este, da APASEM, em Ponta Grossa, oferece condições mais robustas para avaliar a qualidade das sementes de forma fiel e, assim, disponibilizar ao campo uma matéria-prima realmente superior”, ressalta o pesquisador.

Novo endereço

O Laboratório de Análises de Sementes APASEM Ponta Grossa está operando em sua nova sede, localizada na Rua Amante Garcia, 280 – Jardim Carvalho, Ponta Grossa (PR).

LAS PG

Laboratório de Análise de Sementes APASEM Ponta Grossa ganha novas instalações

Modernização da estrutura e crescimento no volume de análises consolidam unidade como referência técnica no Paraná

O agronegócio paranaense ganha um suporte a mais para que a análise de sementes, um processo primordial para lavouras de sucesso, tenha ainda mais qualidade e assertividade. A Associação Paranaense dos Produtores de Sementes – APASEM no próximo dia 27 de março irá inaugurar a nova sede do laboratório que fica em Ponta Grossa, nos Campos Gerais.

A mudança marca uma nova fase da estrutura que atende ao produtor de sementes mais de meio século, que passa agora a contar com maior capacidade operacional, permitindo o recebimento de até o dobro de amostras e a ampliação da equipe técnica. O novo espaço também possibilita a organização de um cronograma mais robusto de treinamentos e capacitações.

Entre os investimentos realizados estão a aquisição de novos equipamentos, como descascador de arroz, plantador à vácuo, balanças e câmaras B.O.D., além da adequação de ambientes específicos para cada etapa das análises. As salas foram projetadas e climatizadas conforme as exigências técnicas, contemplando atividades como análises em areia, testes de germinação e armazenamento de amostras.

“O planejamento todo foi pensado visando acompanhar o crescimento contínuo da demanda do setor sementeiro, com área disponível para futuras expansões”, explica o diretor executivo da Apasem, Jhony Moller. Atualmente, a equipe é composta por dez colaboradores, que passaram por capacitação técnica alinhada à versão mais recente das Regras para Análise de Sementes (RAS 2025), reforçando o compromisso com a melhoria contínua.

“Entregar essa nova estrutura para o agronegócio paranaense e também o brasileiro, uma vez que nossas amostras extrapolam pedidos do Paraná, é um compromisso para que o setor sementeiro tenha cada vez mais na análise de sementes a garantia de que a semente que é colocada no solo trará resultados esperados por meio de embasamento técnico especializado”, destaca Moller.

Crescimento em números

O desempenho do LAS Ponta Grossa nos últimos anos evidencia a consolidação da unidade como referência regional. Em 2025, o laboratório recebeu 14.362 amostras, um aumento expressivo em relação às 11.583 registradas em 2024, 8.298 em 2023 e 6.763 em 2022 — praticamente o dobro em quatro anos.

No mesmo período, foram recebidas 16.623 amostras e 48.369 ensaios laboratoriais realizados. A unidade também mantém uma base com mais de mil clientes cadastrados e, somente em 2025, atendeu 433 empresas, reforçando sua relevância no suporte técnico ao setor sementeiro.

Atualmente, o laboratório possui 180 espécies no escopo de análises e realiza ensaios para emissão de boletins oficiais e informes de qualidade e sanidade de sementes, incluindo testes de pureza, germinação, vigor, determinação de umidade, verificação de outras cultivares, sementes infestadas e Blotter Test, entre outros.

As atividades seguem normas reconhecidas nacional e internacionalmente, como a ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, as Regras para Análise de Sementes (RAS 2025) e o Manual de Vigor da ABRATES (2020), assegurando rastreabilidade, precisão e confiabilidade dos resultados.

Outro destaque da unidade é a agilidade na entrega dos resultados. O prazo máximo é de 15 dias, com média de sete dias — um diferencial importante para atender às demandas do setor produtivo.

Serviço: A cerimônia de abertura da nova sede ocorre no próximo dia 27 de março e contará com a presença de autoridades municipais e do setor sementeiro e do agro paranaense. O Laboratório de Análises de Sementes (LAS) Ponta Grossa está operando em novo endereço: Rua Amante Garcia, 280, bairro Jardim Carvalho, Ponta Grossa Paraná.

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Laboratórios da APASEM crescem, ampliam estrutura e reforçam confiança do setor sementeiro

Aumento no número de análises e modernização das estruturas consolidam atuação como referência técnica no Paraná

Os Laboratórios de Análises de Sementes (LAS) da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (APASEM) fecharam 2025 com crescimento expressivo no volume de amostras recebidas e uma série de investimentos em estrutura e capacitação técnica. O avanço reflete a confiança do agronegócio nos serviços prestados e fortalece o papel das unidades como suporte estratégico às empresas do setor sementeiro.

Na unidade de Ponta Grossa, foram recebidas 14.362 amostras em 2025 — um salto significativo em relação às 11.583 registradas em 2024, às 8.298 de 2023 e às 6.763 de 2022. Em quatro anos, o volume praticamente dobrou. No período, a unidade realizou 16.623 determinações e 48.369 ensaios (análises).

Em Toledo, o movimento também foi de alta. O número de amostras passou de 6.013 em 2024 para 6.519 em 2025, superando ainda os 5.300 registros de 2023 e os 3.509 de 2022. A unidade realizou 6.161 determinações e 21.660 ensaios ao longo do ano.

Para o diretor executivo da APASEM, Jhony Moller, o desempenho é resultado direto da credibilidade construída ao longo da trajetória da instituição. “A excelência do trabalho dos laboratórios, aliada à tradição, transmite segurança ao mercado e faz com que as empresas procurem cada vez mais nossos serviços. É uma credibilidade construída ao longo de mais de cinco décadas”, afirma.

Base de clientes supera mil cadastros

Os laboratórios mantêm uma base com mais de mil clientes cadastrados. Somente em 2025, foram atendidos 433 clientes em Ponta Grossa e 157 em Toledo, números que evidenciam a relevância regional das unidades no apoio técnico às empresas produtoras de sementes.

Escopo ampliado e rigor técnico

Atualmente, os laboratórios operam com 180 espécies no escopo de análises e realizam ensaios para emissão de boletins oficiais, como testes de pureza, germinação, vigor, determinação de umidade, verificação de outras cultivares, sementes infestadas e Blotter Test, entre outros.

As atividades seguem normas reconhecidas nacional e internacionalmente, incluindo a ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, as Regras para Análise de Sementes (RAS 2025) e o Manual de Vigor da ABRATES (2022), garantindo rastreabilidade, precisão e confiabilidade nos resultados.

Investimentos em infraestrutura e qualificação

Em 2025, os Laboratórios da APASEM investiram na modernização das unidades. Em Ponta Grossa, houve mudança para um novo endereço, com ampliação do espaço físico e implantação de câmaras com controle de temperatura e umidade para o Arquivo de Amostras, além de novas salas de germinação e sala de areia. Também foram adquiridos equipamentos como descascador de arroz, prensa para papel mata-borrão, balanças e câmaras B.O.D.

As equipes de ambas as unidades passaram por atualização técnica com foco na nova versão das RAS 2025, reforçando o compromisso com a melhoria contínua.

Agilidade como diferencial competitivo

O prazo máximo para entrega dos resultados é de 15 dias, com média de sete dias — um diferencial importante para atender à dinâmica do setor produtivo.

Com crescimento contínuo, ampliação da estrutura e investimentos em tecnologia e capacitação, os Laboratórios da APASEM seguem fortalecendo sua posição como referência regional em análise de sementes, acompanhando a evolução do agronegócio e contribuindo diretamente para a qualidade da produção sementeira no Paraná.

Fonte: Assessoria de Imprensa APASEM Foto: Divulgação LAS APASEM

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A importância dos viveiros de mudas de hortaliças e suas inovações tecnológicas

Os viveiros de mudas de hortaliças desempenham um papel fundamental na cadeia produtiva agrícola, especialmente na horticultura, que é uma das atividades mais importantes para a segurança alimentar e nutricional. Esses espaços, dedicados à produção de mudas saudáveis e de alta qualidade, garantem o bom início do ciclo produtivo, influenciando diretamente o rendimento, a sanidade e a uniformidade das plantas cultivadas em campo aberto ou em ambientes protegidos, como estufas.

Um dos principais benefícios dos viveiros de mudas é a possibilidade de um controle mais rigoroso das condições ambientais, como temperatura, umidade, luminosidade e irrigação, promovendo o desenvolvimento saudável das plântulas e reduzindo a incidência de doenças, pragas e falhas no plantio. Esse controle é especialmente importante nas fases iniciais do desenvolvimento das plantas, que são as mais sensíveis a fatores externos adversos.

Além disso, os viveiros possibilitam o escalonamento da produção, facilitando o planejamento agrícola. Com mudas produzidas previamente em bandejas e substratos adequados, os produtores conseguem otimizar o tempo de cultivo no campo, reduzindo o período de exposição às condições climáticas desfavoráveis e permitindo colheitas mais precoces. Isso gera ganhos econômicos, maior eficiência na utilização da terra e redução de perdas.

Nos últimos anos, os viveiros passaram por transformações importantes impulsionadas pelas inovações tecnológicas. Uma das mais relevantes é a automação dos processos, com sistemas de irrigação automatizados por gotejamento ou nebulização, controlados por sensores que monitoram a umidade do substrato, a temperatura e outros parâmetros ambientais. Essa automação permite a irrigação precisa e no momento certo, o que gera economia de água e promove um crescimento mais uniforme das mudas.

A utilização de substratos de alta qualidade, desenvolvidos a partir de compostos orgânicos ou materiais industrializados como fibra de coco, turfa e vermiculita, também representa um avanço. Esses substratos oferecem melhor aeração, retenção de água e ausência de patógenos, substituindo com eficiência o solo tradicional, que pode estar contaminado ou desequilibrado.

Outro aspecto relevante é o uso de bandejas multicelulares, geralmente fabricadas em poliestireno expandido ou plástico reciclável, que permitem o cultivo individualizado de cada muda. Isso facilita o transplante, reduz o estresse nas raízes e aumenta a taxa de pegamento no campo. Além disso, o desenho dessas bandejas otimiza o espaço físico, o que possibilita a produção em larga escala, mesmo em áreas reduzidas.

A tecnologia também tem contribuído para a sanidade das mudas. A introdução de bioinsumos, como inoculantes biológicos, microrganismos benéficos e extratos vegetais, tem sido uma alternativa sustentável ao uso de agroquímicos. Esses insumos promovem o crescimento das raízes, protegem contra patógenos e contribuem para a indução da resistência sistêmica das plantas, alinhando-se às práticas de produção orgânica e agroecológica.

Além disso, os viveiros modernos contam com sistemas de rastreabilidade e controle de qualidade, o que permite o acompanhamento detalhado de todo o processo de produção. Isso é essencial para a certificação de mudas, garantindo a confiança do produtor e do consumidor final quanto à origem e qualidade do alimento cultivado.

A integração da agricultura digital também já é realidade em muitos viveiros. Softwares de gestão agrícola, sensores de precisão, câmeras térmicas e até drones são usados para monitorar o desenvolvimento das mudas, detectar anomalias e orientar decisões baseadas em dados. Essa digitalização melhora a tomada de decisão, reduz desperdícios e eleva os padrões de qualidade da produção.

Do ponto de vista socioeconômico, os viveiros de mudas contribuem para a geração de emprego e renda, especialmente em pequenas propriedades e cooperativas. Eles favorecem o empreendedorismo rural, com a possibilidade de comercialização direta das mudas para agricultores locais ou programas de agricultura urbana e hortas escolares. Em áreas urbanas, viveiros comunitários têm papel importante na educação ambiental e na promoção de hábitos alimentares saudáveis.

Em suma, os viveiros de mudas de hortaliças são essenciais para uma agricultura mais eficiente, sustentável e tecnificada. A sua importância vai além do simples fornecimento de plântulas: eles representam um elo estratégico entre pesquisa, inovação, produção e consumo. As inovações tecnológicas vêm transformando esses espaços em centros de excelência na produção de mudas, alinhados aos desafios do futuro, como a produção de alimentos em ambientes urbanos, a redução do uso de recursos naturais e o enfrentamento das mudanças climáticas. Portanto, investir em viveiros modernos e sustentáveis é proporcionar o fortalecimento da agricultura e a segurança alimentar das próximas gerações.

Por eng. agrônomo Renato Augusto Abdo

Secretário de Agricultura de Mogi das Cruzes (SP)

Fonte: Revista APASEM 2025

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Treinamentos levam conhecimento e maior qualidade aos laboratórios

Eventos promovidos pela associação, em parceria com instituições profissionais de renome, ocorrem ao longo do ano

Há um consenso no setor sementeiro de que “a semente é o início do sucesso de uma lavoura”. De fato, se o produtor não contar com lotes de qualidade, certamente os resultados no campo podem ser comprometidos. Um processo primordial antes do início do plantio é realizar uma boa análise daquilo que será colocado no solo. É nesse momento que entra o trabalho estratégico e essencial dos laboratórios de análise de sementes.

A Apasem conta hoje com duas estruturas que são referência no setor: o LAS Toledo e o LAS Ponta Grossa. Com mais de 50 anos de atuação e uma equipe altamente capacitada, os laboratórios da Apasem analisaram mais de 18 mil amostras no último ano.

“De 2023 para 2024, tivemos um aumento expressivo no número de amostras recebidas, tendência que vem se repetindo em 2025. Isso ocorre porque os laboratórios oferecem serviços que atendem diretamente às necessidades do mercado, que busca por análises eficientes e resultados confiáveis”, avalia o diretor executivo da Apasem, Jhony Moller.

Por que são referência

Na avaliação da Apasem, não basta dispor de uma estrutura física completa para análise. “Esse é o básico de um laboratório. Mas precisamos ir além. As equipes precisam interagir, trazer informações de um mercado em constante mudança e levar conhecimento ao produtor, que também precisa entender sobre as boas práticas”, destaca Jhony.

É nessa estratégia de compartilhamento de informações que os laboratórios da Apasem fortalecem seus laços com os produtores e mantêm um elevado padrão de satisfação entre seus clientes. Anualmente, as equipes técnicas dos laboratórios executam um calendário robusto de treinamentos, em parceria com instituições e profissionais de renome no setor de sementes. Por meio dessas ações, são oferecidos treinamentos in company ou mesmo dentro das estruturas dos próprios laboratórios (LAS). A Academia da Semente é um desses parceiros e tem realizado diversos trabalhos em conjunto com a Apasem.

“Quando capacitamos os profissionais, levando informações de qualidade, todo o agronegócio se beneficia. Toda a cadeia sementeira ganha, pois profissionais bem preparados são fundamentais para garantir análises de sementes com credibilidade”, afirma o instrutor e gerente de projetos da Academia da Semente, Jonas Pinto.

Para ele, as empresas que enxergam a capacitação como investimento — e não como custo — se diferenciam no mercado, pois passam a ter processos internos mais alinhados com a produção de sementes de qualidade.

Outro fator de grande impacto é estar atento ao que determina a legislação vigente. “Volta e meia ocorrem mudanças significativas, e os profissionais precisam estar atentos às alterações que impactam diretamente as atividades de produção e análise de sementes”, explica Jonas, que também é associado técnico-cientifico da Apasem.

Atendimento a empresas

Os laboratórios da Apasem atendem centenas de clientes, desde pequenos produtores, que enviam amostras para verificar a qualidade da semente adquirida (comprovação por meio da nota fiscal), até empresas que utilizam os laboratórios para testes de validação de produtos destinados ao tratamento de sementes.

Além disso, atendem sementeiros com RENASEM (Registro Nacional de Sementes e Mudas), que enviam amostras tanto para checagem interna quanto para análise oficial, visando à emissão do boletim de análise de sementes.

“Esses clientes não estão apenas no Paraná. Atendemos praticamente todos os Estados do Brasil, além de países vizinhos”, destaca Jhony Moller.

As estruturas atendem tanto associados quanto não associados à Apasem.

Fonte: Revista APASEM/Everson Mizga

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Coalisão contra pirataria de sementes é lançada no Brasil

Liderada pela Croplife, iniciativa reúne entidades representativas do setor, entre elas a Abrasem e a Apasem

O combate à pirataria de sementes é um tema recorrente no agronegócio e acaba de ganhar um novo capítulo, com a criação de uma coalisão nacional que reúne diferentes entidades representativas do setor – entre elas a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) – e que tem a liderança da CropLife. A Campanha de Boas Práticas Agrícolas é uma iniciativa para conscientizar produtores, trabalhadores, consumidores e outros atores da cadeia sobre o uso responsável das tecnologias agrícolas.

Entre as ações, o combate ao uso de insumos ilegais conta com abordagem estratégica em três pilares: comunicação, advocacy e enforcement. Em 2024, um estudo realizado pela CropLife Brasil junto à empresa Céleres Consultoria revelou que a pirataria de sementes de soja, por exemplo, gera prejuízos anuais de R$ 10 bilhões, afetando produtores, indústria, exportações e arrecadação tributária. Porém, a iniciativa engloba o combate à pirataria de sementes em geral e as ações estruturadas têm potencial de aplicação também para outras culturas.

Centralização dos esforços

É por meio do Comitê de Combate à Pirataria de Sementes da Abrasem que essa ação vem sendo discutida no setor. O grupo tem papel essencial dentro de uma associação que se destaca justamente por sua pluralidade e representatividade. “Nos últimos anos, vimos esforços importantes direcionados às grandes culturas, o que é natural, dado o impacto econômico que elas geram. No entanto, para quem atua com pesquisa, no desenvolvimento de sementes ou mesmo na produção final, é fundamental que o combate à pirataria e a valorização da pesquisa considerem todas as espécies e culturas”, diz o coordenador do comitê, Fernando Wagner.

Segundo o coordenador, o principal desafio dessa pauta hoje é promover uma sintonia entre diferentes realidades. “Buscamos entender o grau de impacto da pirataria em cada cultura, inclusive nas que tradicionalmente têm menos dados disponíveis. Nosso esforço atual está voltado para estruturar esse diagnóstico e, a partir disso, construir ações mais assertivas”, destaca.

Internamente, na Abrasem, o foco é alinhar as necessidades dos associados, ouvir os diferentes segmentos e buscar soluções que gerem impacto positivo em todo o ecossistema. Já externamente, trabalha-se para integrar esse movimento a outras iniciativas nacionais, como a Coalizão de Combate à Pirataria de Sementes — que reúne entidades como Abrasem, CropLife Brasil, Abrass, Apasem, entre outras entidades de renome no setor. O objetivo é evitar sobreposições e maximizar os resultados no combate à pirataria de sementes.

O trabalho do comitê é guiado por objetivos estratégicos bem definidos, como, por exemplo, o de construir uma base sólida de dados — concreta, confiável e representativa, que permita compreender o real tamanho do mercado informal em diferentes espécies.

Esses impactos, diz Fernando Wagner, são múltiplos. “Há prejuízos técnicos, que afetam a produtividade e a qualidade no campo. Há perdas diretas para a indústria de sementes e de germoplasma. E há, ainda, um impacto expressivo do ponto de vista socioeconômico: empregos que deixam de ser gerados, renda que não circula, evasão tributária e distorções de mercado que comprometem a sustentabilidade da cadeia como um todo”, explica.

O trabalho dos integrantes vai ainda mais a fundo, na certeza de que não se constrói um ecossistema forte com elos enfraquecidos. “Precisamos entender as razões pelas quais o agricultor recorre à semente salva ou à semente pirata — e, ao mesmo tempo, mostrar a importância de manter viva a cadeia de pesquisa, desenvolvimento e inovação”, destaca Wagner.

A campanha

A ideia é focar no alerta sobre os riscos do uso de insumos ilegais e fortalecer a percepção sobre os benefícios das sementes legais, com foco em qualidade, inovação e sustentabilidade – amparada a dados e cases. O objetivo é gerar sensibilização e conscientização ampla sobre os prejuízos econômicos e os riscos atrelados à pirataria de sementes.

“A comunicação da campanha foi estruturada considerando ações de grande alcance, como: parcerias e divulgação em mídias sociais, realização de coletiva de imprensa e produção de conteúdo em parceria com o Comitê Estratégico de Soja (CESB). Além disso, a CLB desenvolveu um canal de denúnciapara receber informações sobre produtos ilegais, sementes e defensivos agrícolas”, explica a diretora de biotecnologia e germoplasma na CropLife Brasil, Catharina Pires.

A CropLife Brasil, em parceria com a Céleres, divulgou recentemente um estudo demonstrando que 11% da área de soja cultivada no Brasil utiliza sementes piratas — isso representa cerca de 4 milhões de hectares, equiparando-se à área de Mato Grosso do Sul –, resultando em R$ 10 bilhões de prejuízo por ano. Na esteira da evasão financeira está ainda o risco deredução da produtividade média (perda estimada de 4 sacas/hectare); riscos fitossanitários, com disseminação de pragas e doenças; desestímulo à inovação, com menor investimento em pesquisa (estimativa de perda de R$ 1,2 bilhão em P&D em 10 anos); perda de arrecadação tributária, com impacto direto sobre a economia nacional e regional, além do comprometimento da imagem do agronegócio brasileiro e enfraquecimento da segurança jurídica no setor.

“Por isso, a campanha engloba o combate à pirataria de sementes em geral e as ações estruturadas (advocacy, enforcement e comunicação), que têm potencial de aplicação também paraoutras culturas. Embora o estudo divulgado pela Céleres tenha foco na soja, a coalizão de Combate à Pirataria de Sementes atua de forma abrangente”, destaca Catarina.

Na questão regulatória, a coalisão defende ainda que o uso de sementes piratas seja enquadrado como crime ambiental. “A defesa da criminalização da pirataria em campanha é uma estratégia que busca contribuir para o aumento da gravidade jurídica do ato, estabelecendo penas mais severas como um todo. Além disso, para além da criminalização, é preciso reconhecer que o uso de sementes ilegais pode disseminar pragas e doenças, comprometer a sanidade vegetal e afetar a sustentabilidade dos sistemas produtivos”, explica a gerente regulatório de Biotecnologia e Germoplasma da CLB, Danielle Costenaro.

Dessa forma, o aprimoramento regulatório traz maior proteção ao agronegócio brasileiro, sua competividade e preservação de imagem, “pois reforça a segurança jurídica no setor de sementes; inibe práticas ilegais com risco real de responsabilização criminal, bem como fortalece o ambiente de inovação e os investimentos em P&D”, exemplifica Danielle.

O que já foi desenvolvido na Coalisão

  • Coletiva de imprensa com ampla repercussão, com exposição para quase 30 veículos de comunicação;
  • Produção de conteúdo com o CESB, incluindo 18 materiais sobre sementes certificadas;
  • Entrevistas concedidas para pautar o tema na imprensa nacional e regional;
  • Ampliação da cobertura via rádio, releases e presença em 210 cidades;
  • Reuniões de cunho institucional com autoridades governamentais das três esferas (federal, estadual e municipal), além de diálogo com forças policiais, como no Rio Grande do Sul.

Próximas ações

  • Desenvolvimento de casos judiciais contra a pirataria;
  • Engajamento de federações de agricultura, associações de sementes estaduais e cooperativas;
  • Fortalecimento das ações de fiscalização;
  • Aprimoramento das mensagens-chave e reforço das atividades de comunicação.

A experiência paranaense

A Associação Paranaense dos produtores de sementes e mudas (Apasem) é reconhecida no mercado por fomentar diferentes campanhas contra a pirataria de sementes ao longo da última década, trazendo resultados expressivos para o setor estadual. Agora a instituição faz adesão à coalisão por meio da Abrasem e procura levar sua expertise para que isso possa de alguma forma ser reverberado no âmbito nacional do setor.

“A experiência construída no Paraná, especialmente por meio das campanhas da Apasem, tem sido extremamente valiosa nesse contexto nacional. O Paraná é um exemplo de protagonismo técnico e institucional no agro, e foi lá que aprendemos a importância de compreender as peculiaridades regionais. Cada Estado tem suas dores e fortalezas: a realidade do Paraná é diferente da de Mato Grosso, da Bahia ou do Rio Grande do Sul, por exemplo”, diz o coordenador do Comitê de Combate à Pirataria de sementes na Abrasem, Fernando Wagner.

Ele ressalta que essa vivência mostra que é preciso escutar, mapear os atores relevantes — que podem ser associações, obtentores, multiplicadores ou mesmo órgãos públicos — e conectar esses pontos. “Essa articulação foi bem-sucedida no Paraná e certamente serve de inspiração para a construção de um movimento nacional. A contribuição da Apasem e de outras associações estaduais está sendo essencial na estruturação das novas frentes”, conclui.

Fonte: Revista APASEM/Everson Mizga

SEMENTES - Foto_ Fabiola Dias _ Adapec

Atualização de novas regras traz vantagens para laboratórios e produtores

As novas Regras de Análises de Sementes (RAS) implantadas em 2025 proporcionam vantagens tanto para os laboratórios quanto para os produtores, pois são métodos oficiais de análise de sementes referência para laboratórios credenciados para a elaboração dos Boletins de Análise de Sementes e, posteriormente, dos certificados ou termos de conformidade.

Muitos ganhos, conforme especialistas ouvidos pela Revista da Apasem, são consequências do aprimoramento na redação dos capítulos, que se tornaram mais claros e mais objetivos. Ou seja, a facilidade para a interpretação é um ponto crucial, impactando diretamente a padronização e a aplicação das metodologias por parte dos laboratórios. “As metodologias, de maneira geral, não foram alteradas, e sim o texto e a forma como estão apresentadas. E isso facilitou o entendimento dos laboratórios e analistas”, sinaliza Saionara Tesser, responsável técnica pelo Laboratório de Análise de Sementes (LAS) da Apasem em Toledo.

A atualização das RAS aconteceu no primeiro semestre deste ano, após a reivindicação do segmento para que a padronização acompanhasse a evolução da produção de sementes. A versão anterior era de 2009. O processo que culminou nas novas RAS contou com a participação de laboratórios oficiais e uma consulta pública por meio das Comissões de Sementes e Mudas. “Essa participação da comunidade foi uma enorme conquista”, acrescenta Saionara.

Segundo o Ministério da Agricultura, as novas RAS continuam com seu alinhamento perante as Regras Internacionais de Análise de Sementes da International Seed Testing Association (ISTA) e da Association of Official Seed Analysts, mas com respeito às particularidades da agricultura tropical e à legislação atual sobre sementes no país.

“O alinhamento das RAS 2025 com as Regras Internacionais da ISTA traz inúmeros benefícios como, por exemplo, a harmonização das metodologias nacionais com os métodos internacionalmente aceitos. Isso facilita a inserção das sementes brasileiras no mercado global, ampliando oportunidades comerciais e fortalecendo a reputação do Brasil quanto à qualidade das sementes produzidas. Outro aspecto positivo relevante é o acesso às ferramentas de apoio e metodologias disponibilizadas pela ISTA, agora integradas às RAS, oferecendo maior segurança e eficiência aos usuários”, afirma a consultora em análise de semente Myriam Alvisi, importante especialista do setor.

Ela reforça que a atualização das RAS atende plenamente às demandas atuais do setor sementeiro e dos laboratórios de sementes. “As mudanças promovem melhoria significativa na padronização das práticas laboratoriais, aumentando a confiabilidade, a exatidão e a reprodutibilidade dos resultados analíticos”, considera.

Uma das novidades na versão 2025 foi a melhor interface com os usuários, com a disponibilização das RAS na plataforma WikiSDA, o que possibilita atualizações mais rápidas, eliminando a dependência da publicação formal de portarias para oficialização das revisões dos métodos. “Essa atualização das RAS vai abrir possibilidades para novas revisões, com maior periodicidade. Assim, existirá um acompanhamento real entre o que acontece no setor e o que está colocado no instrumento normativo”, classifica Maria de Fátima Zorato, consultora em qualidade de sementes e outra referência dessa área.

Facilidade ainda implica comprometimento

Saionara Tesser, da Apasem, entende que os ganhos vindos com as novas RAS serão realmente sentidos na prática se os laboratórios e os analistas também estiverem comprometidos com a atualização. “Não adianta mudar se as equipes dos laboratórios não fizerem a consulta diária das regras de análise. Não adianta ter um material tão importante se ele não for consultado e tiver uma leitura bem feita, com os profissionais seguindo as regras ali descritas. Isso é o que vai fazer diferença. Caso contrário, os laboratórios não estarão atendendo o mercado e às regras do Ministério da Agricultura”, comenta.

Sementes florestais e misturas de sementes

Entre as principais novidades na atualização das RAS está a introdução dos capítulos de misturas de sementes e de espécies florestais nas RAS, o que não existia na versão de 2009. Além disso, a inclusão de um capítulo específico dedicado à análise de misturas de sementes repercute bastante no setor sementeiro.

Para Myriam Alvisi, isso representa um avanço significativo para atender às demandas crescentes desse tipo de comercialização. “Essa padronização garante a correta identificação dos lotes comercializados, promove segurança jurídica e técnica tanto para produtores quanto para consumidores finais, evita prejuízos econômicos decorrentes de inconsistências analíticas e fortalece a confiança nas transações comerciais envolvendo lotes de misturas”, indica.

Fonte: Revista Apasem/Joyce Carvalho Foto: Fabiola Dias/Adapec

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Um paranaense na liderança da Abrasem

A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) tem um paranaense como presidente na gestão 2025-2028. Trata-se de Paulo Pinto de Oliveira Filho, agropecuarista e engenheiro agrônomo que atua há décadas no cooperativismo e no setor de sementes.

Atual presidente da Coprossel (Cooperativa de Produtores de Sementes) e vice-presidente da Apasem, Paulo Pinto assume a principal entidade representativa do setor de sementes e mudas no Brasil. Fundada em 1972, a Abrasem reúne empresas, associações estaduais e entidades ligadas à pesquisa, produção e comercialização de sementes e mudas, atuando como elo entre o setor produtivo e o governo. “Temos uma expectativa muito boa no enfrentamento dos desafios da Associação para os próximos anos. Estamos com uma nova gestão administrativa e um novo presidente executivo, que juntos darão maior dinamismo à instituição, fortalecendo ainda mais a Abrasem para que possa atender às demandas contemporâneas dos associados”, comenta o presidente, em entrevista à Revista Apasem.

O papel da Associação está justamente em promover o desenvolvimento da cadeia de sementes e mudas, defender os interesses dos associados, além de incentivar a inovação e a qualidade na produção. A Abrasem também participa ativamente da formulação de políticas públicas, normas e legislações que impactam o setor, contribuindo para a segurança alimentar e a sustentabilidade da agricultura brasileira. Confira os principais trechos dessa conversa com o novo presidente da entidade:

Revista Apasem: Como avalia esse início de mandato à frente da Abrasem e quais são as prioridades da gestão?
Paulo Pinto de Oliveira Filho: Assumimos há poucos meses, porém, já atuo na Abrasem há bastante tempo, contribuindo com a elaboração de um planejamento estratégico voltado a fortalecer cada vez mais a instituição. O objetivo, neste momento, é torná-la ainda mais representativa e, assim, proporcionar melhores resultados naquilo que realmente interessa aos nossos associados e ao setor de sementes.

Revista Apasem: Como enxerga os desafios relacionados às questões regulatórias, ao desenvolvimento e à difusão de novas tecnologias, além da comunicação institucional da Abrasem em todo o Brasil?

PPOF: Esse é um dos principais focos em que a Abrasem vem trabalhando. Nosso objetivo é estabelecer um marco regulatório que seja simples, claro e que ofereça segurança a todos os elos da cadeia da indústria de sementes. Para isso, estamos promovendo o diálogo entre todos os interessados — produtores, governo, cientistas e outros profissionais — com o intuito de construir uma estrutura normativa que atenda às necessidades dos nossos associados e do setor como um todo.

Revista Apasem: Quais os principais desafios que o setor de sementes deve enfrentar nos próximos anos e de que forma a Abrasem pode atuar estrategicamente diante desse cenário?

PPOF: A atualização da Lei de Proteção de Cultivares é, sem dúvida, o principal desafio hoje. Trata-se de uma legislação bastante antiga, que precisa ser modernizada para acompanhar as novas tecnologias que vêm surgindo. O setor precisa de uma legislação segura e atualizada, que acompanhe os avanços tecnológicos e continue protegendo os interesses dos nossos associados. Outro ponto crucial é a comunicação com o nosso cliente: o produtor rural. É fundamental que ele compreenda a importância de utilizar sementes de boa qualidade, com todas as tecnologias embarcadas. A Abrasem vem trabalhando nisso há mais de cinco décadas, levando informações relevantes ao campo e representando o setor de sementes. Precisamos reforçar essa comunicação, pois o sucesso do agronegócio brasileiro está diretamente ligado à qualidade da semente — que é o início de tudo. Sementes de alta qualidade, com tecnologia, garantem maior produtividade. Esse é o caminho.

Revista Apasem: Neste sentido, como será tratada a pauta sobre o combate à pirataria de sementes?

PPOF: Com prioridade e seriedade. Quando estive à frente da Associação Paranaense de Sementes e Mudas (Apasem), realizamos um importante trabalho no Paraná, conscientizando os produtores sobre a importância do uso de sementes certificadas, com qualidade comprovada. Muitas vezes, na tentativa de economizar, o produtor acaba utilizando sementes de baixa qualidade e, como resultado, obtém produtividade muito inferior. Agora, com a Abrasem, em parceria com a CropLife, formamos uma coalizão com diversos setores para levar essas informações ao produtor rural em todo o Brasil. Queremos mostrar, primeiro, a importância de utilizar sementes de qualidade, que asseguram boa produtividade e segurança; segundo, alertar que o uso de sementes piratas é crime e pode trazer consequências sérias, como multas e perdas na produção. Essa conscientização é essencial e será um dos pilares do nosso trabalho.

Workshop de Amendoin Guariba-SP

O papel estratégico das CSMs no setor de sementes brasileiro

O setor sementeiro no Brasil conta com um importante instrumento de apoio técnico que contribui para a constante evolução das atividades de produção de sementes e mudas. As Comissões de Sementes e Mudas (CSMs) estão presentes em todo o território nacional, funcionando como órgãos colegiados, de caráter consultivo e de assessoramento ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Entre as atribuições dessas comissões está a proposição de normas e procedimentos complementares relativos à produção, ao comércio e à utilização de sementes e mudas. A coordenação nacional dessas atividades, no entanto, é de responsabilidade do Mapa.

“As estruturas, atribuições e responsabilidades das Comissões de Sementes e Mudas estão estabelecidas no regulamento da Lei”, explica a secretária executiva e membro da Subcomissão de Forrageiras da CSMSP, Sandra Ferreira.

Segundo ela, as comissões são compostas por representantes de entidades federais, estaduais, distritais, municipais e da iniciativa privada, atuantes na fiscalização, pesquisa, ensino, assistência técnica, extensão rural, produção, comércio e uso de sementes e mudas.

“Os representantes são indicados por essas entidades e devem ter vínculo com áreas ligadas à fiscalização, pesquisa, ensino, assistência técnica, extensão rural, produção, comércio ou utilização de sementes e mudas”, destaca Sandra.

Como são compostas

Cada Comissão de Sementes e Mudas é formada por, no mínimo, cinco membros. O presidente e o vice-presidente são eleitos pelos próprios membros da comissão, com mandatos de quatro anos, sendo permitida a reeleição. Já o secretário-executivo é escolhido pelo presidente da comissão.

Na prática

Um exemplo prático de atuação das comissões, citado por Sandra, é o caso do setor do amendoim. Por meio da Subcomissão de Amendoim, foi feita recentemente a solicitação para a instalação de campo de produção de sementes da categoria “Básica” para a colheita de sementes “Básica 1”.

“No caso da autorização para instalação de campos de produção de sementes da categoria S2, de espécies que não apresentam lotes de categoria superior, também houve avanços recentes — como o caso do capim Aruana”, exemplifica Sandra.

Ela destaca ainda que, antes da publicação da Portaria nº 538, de 2022, houve autorização para instalação de campos com sementes S2 de algumas espécies de leguminosas, com base em pleitos encaminhados pela CSMSP.

“Esses são alguns exemplos práticos do impacto positivo da atuação das comissões”, reforça.

Texto e fotos – Revista Apasem Ed. 2025

leandro vieira - Crédito_ Luara Baggi - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

CTNBio atua na regulamentação de pesquisas e novos produtos do agronegócio

O pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Leandro Vieira Astarita, que esteve como presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) até novembro de 2025, encerrou seu mandato com um grande desafio ao comandar um grupo voltado para a análise e a viabilidade de uma série de novas técnicas e ferramentas que afetam diretamente o agronegócio. Entre elas está a edição gênica, metodologia que avança nas pesquisas sobre produção de sementes. Em entrevista para esta edição da Revista da Apasem, em meados do ano passado, Astarita destacou o avanço e os desafios na regulamentação de organismos editados geneticamente, aliando legislação com o que é pesquisado atualmente no país.

A comissão tem como objetivo a atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança, estabelecendo normas técnicas de segurança e emissão de pareceres para atividades que envolvem os organismos geneticamente modificados (OGMs). Atua na avaliação de pesquisas e desenvolvimento desses produtos, assim como acompanha a sua comercialização e descarte. A meta é garantir segurança para a saúde humana e do meio ambiente como um todo.

“Em todo o mundo, observamos que as novas tecnologias avançam mais rápido do que os legisladores conseguem definir sobre normas e procedimentos. Aqui no Brasil, tivemos uma nova legislação em 2005, que representou efetivamente um avanço, e temos essa lei sobre biossegurança até hoje. É com ela que deliberamos atualmente”, conta.

As plantas ocupavam o foco nas análises e trabalhos da CTNBio, muito por conta da novidade que era a transgenia. Hoje, os microrganismos têm destaque, contribuindo – e muito – para o desenvolvimento de uma série de atividades, como é o caso da indústria de etanol. A biotecnologia está otimizando e melhorando a produção, a partir do maior aproveitamento do bagaço e da cana-de-açúcar como um todo, segundo Astarita. Bactérias e leveduras, dentro do contexto de pesquisa de biossegurança, tomam conta da pauta da comissão. Outro exemplo disso é a evolução do uso de controle biológico nas lavouras país afora, o que impacta, inclusive, os resultados de bons cultivares.

Edição gênica

Já eliminadas as polêmicas do passado e com o avanço das pesquisas, uma das principais atenções da CTNBio é para a edição gênica. “Ela já quebrou paradigmas no mundo todo. Empresas e institutos de pesquisas estão avançando nessas tecnologias para plantas editadas. Não estamos falando em um transgênico, e sim em uma mutação, algo que naturalmente ocorreria. Mas, nas pesquisas, isso é provocado, em vez de procurarmos na natureza, porque sabemos que existe. Ou seja, é um mesmo organismo, e não uma transgenia”, explica Astarita.

Para o pesquisador e presidente da comissão, em relação às plantas e a microrganismos que podem ser usados para beneficiar o agronegócio, entre as questões atuais mais debatidas estão a patente e proteção da tecnologia por parte das empresas que a desenvolveram. A cada reunião da CTNBio, os integrantes recebem várias demandas de liberação comercial, diante da facilidade de se trabalhar com edição gênica.

Um dos desafios é a unificação das regulamentações sobre edição gênica em todo o mundo, o que vai afetar produções e exportações. Já há aprovação, na CTNBio, para vários produtos, como soja e milho editados geneticamente, mas ainda não existe permissão para colocar esses produtos no mercado. “Essa é a grande estratégia. Estão sendo acumuladas várias aprovações, em termos de enquadramento legal como plantas editadas, e não como OGMs, dentro das normas de biossegurança. Agora, em que momento isso vai realmente chegar ao mercado? Acredito que está se encaminhando para uma definição do próprio mercado”, opina.

Como acontece a avaliação

Após autorizações para pesquisas, a CTNBio avalia o produto final e como foi o processo até chegar a esse ponto no seu desenvolvimento. São verificados, por exemplo, onde exatamente aconteceu a edição gênica e em que ponto do processo e da cadeia de DNA. “Não estamos falando de engenharia genética. Nada de novo está sendo colocado naquela planta. Sobre edição gênica, fazemos a mesma avaliação que outros países fazem. A partir da atual lei de biossegurança, determinamos se aquele produto é um organismo convencional, com a edição gênica, ou seja, um organismo não geneticamente modificado”, conta.

Leandro Vieira Astarita esclarece que a atual legislação permite a análise dos pedidos que chegam para a comissão, a partir do que vem sendo desenvolvido por empresas e institutos de pesquisas. Mas, brevemente, o conjunto de leis sobre biossegurança deverá ser melhorado. “A lei ainda é suficiente para termos segurança nas aprovações e nos enquadramentos legais quando falamos de organismos editados. A melhoria é um processo longo, mas aguardado”, sinaliza.

CORRELATA

Pesquisa da Embrapa Soja aposta na edição gênica por CRISPR para desenvolver cultivar com tolerância a secas

A CTNBio foi a responsável por considerar como convencional uma cultivar de soja com tolerância a secas, desenvolvido pela Embrapa Soja, localizada em Londrina, no norte do Paraná. O processo utilizou uma das técnicas de edição gênica conhecidas atualmente: a CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas).

O parecer foi emitido em 2023 e, desde então, os pesquisadores da Embrapa Soja realizam testes em campo para validar a soja editada geneticamente, em diferentes regiões. Até então, em ambientes controlados, as plantas mostraram ser mais tolerantes a secas em relação a outros exemplares. “Já estamos com a segunda safra para multiplicação de sementes, apenas aqui em Londrina. Já temos volume de soja para a continuidade dos testes e o plantio na próxima safra”, conta o pesquisador e chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Lima Nepomuceno. As avaliações incluem o comportamento em diferentes ambientes e a análise de suas características no cultivo e no desenvolvimento da planta.

Para chegar a esse estágio, os pesquisadores identificaram quais genes da soja indicavam maior tolerância a secas. Cultivares com essas características não apresentam, necessariamente, alta produtividade e sanidade. Por isso, a estratégia foi editar geneticamente uma cultivar com apelo comercial e alterar parte do seu DNA para diminuir as perdas de produtividade em casos de seca prolongada.

“Os anos de 2021 e 2022 foram os de safra com a maior seca dos últimos 100 anos. Somente o Paraná perdeu US$ 6 bilhões com a soja não colhida. Com uma variedade mais tolerante, é possível reduzir isso. O quanto? Ainda não sabemos e depende, por exemplo, da duração da seca, da intensidade, do período de desenvolvimento da soja. As cultivares editadas são uma maneira de mexer com o próprio mecanismo da soja, que, diante da escassez de água, preserva apenas alguns grãos e aborta o restante. Quando começa a faltar água, existe um sinal molecular para iniciar esse processo. Se eu conseguir retardá-lo, a perda não deve ser tão grande. A soja editada é uma forma de mexer nesse mecanismo”, esclarece Nepomuceno.

O parecer da CTNBio considerando a soja editada geneticamente como não transgênica acelerou os processos de pesquisas, com redução de prazos e de custos. Favoreceu, ainda, aspectos para uma futura comercialização. Isso abre uma perspectiva mais positiva para que esses cultivares mais tolerantes a secas cheguem ao mercado de maneira mais rápida, na comparação com produtos considerados organismos geneticamente modificados.

Para Nepomuceno, a adoção do CRISPR como método de edição gênica permite maior acesso da biotecnologia por empresas e institutos de pequeno e médio porte. “O uso da edição gênica está se expandindo e tem democratizado a utilização da biotecnologia na agricultura, o que antes estava limitado a poucas empresas. Mas, com a edição genética, vemos que isso está mudando. Empresas pequenas e médias, além de empresas públicas, estão com maior acesso e começamos a ver o impacto disso no mercado. O CRISPR teve grande destaque porque é muito mais rápido e eficiente do que técnicas anteriores”, comenta Nepomuceno, lembrando que Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna receberam o Prêmio Nobel de Química em 2020 em função da descoberta e do desenvolvimento dessa técnica de edição gênica.

Por Joyce Carvalho – Revista Apasem – Ed. 2025