Cascavel - 28-10-2020 - Produtor rural -Foto : Jonathan Campos / AEN

Adesão obrigatória da nota fiscal eletrônica do produtor rural é prorrogada para julho

A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) e a Receita Estadual prorrogaram o prazo para que agricultores e pequenos pecuaristas adotem a versão eletrônica da Nota Fiscal do Produtor Rural (NFP-e). Com o novo adiamento, os produtores terão até o dia 1º de julho de 2025 para se adequar às novas regras.

Dessa forma, a partir do segundo semestre, a NFP-e será exigida nas operações internas de produtores rurais que tiveram receita bruta acima de R$ 360 mil em 2023 ou 2024 e também nas operações interestaduais, independentemente do valor. Para as demais operações praticadas por produtores rurais, o uso da nota eletrônica será obrigatório somente a partir de 5 de janeiro de 2026.

A NFP-e é um documento exclusivamente digital, emitido e armazenado eletronicamente, destinado a registrar transações que envolvam a circulação de mercadorias para fins fiscais. Ao substituir o documento em papel, a NFP-e (modelo 55) possui as mesmas atribuições e validade jurídica que a Nota Fiscal de Produtor (modelo 4), que será gradualmente substituída pelo ambiente eletrônico.

De acordo com o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, o novo prazo atende pedido do próprio setor agropecuário. “A medida acolhe sugestões dos produtores, especialmente das cooperativas, que enfrentam dificuldades de conectividade e de adaptação dos sistemas. Enquanto isso, continua obrigatória a emissão da nota fiscal em papel”.

Mais eficiência

Desde 1º de janeiro de 2021, os produtores rurais com faturamento anual superior a R$ 200 mil já estavam obrigados a utilizar a NFP-e em operações interestaduais. A partir de 2025, porém, essa obrigatoriedade se estenderá para todas as operações, tanto internas quanto interestaduais, independentemente do valor em questão.

A exigência já passou por alguns adiamentos. Originalmente, a previsão era que o documento se tornasse obrigatório ainda em maio de 2024, mas o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) postergou a data para janeiro de 2025 por causa das chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul no ano passado. Depois, o prazo foi adiado para 03 de fevereiro e, agora, para 1º de julho.

A principal vantagem da NFP-e é a praticidade. Além de reduzir os erros de escrituração, a nota eletrônica também representa um significativo ganho de tempo para o produtor. Com ela, o documento fiscal pode ser emitido de qualquer lugar pela internet, evitando a necessidade de ir às prefeituras para buscar ou entregar as notas fiscais.

Ela também garante mais agilidade e eficiência por parte da Receita Estadual, já que a nota eletrônica é gerada e autorizada imediatamente. A medida também reduz o consumo de papel e diminui os gastos públicos.

Como emitir

A NFP-e pode ser emitida de três formas: pelo Portal Receita PR, pelo Nota Fiscal Fácil (NFF) ou mesmo por um software adquirido de terceiros que seja cadastrado para este fim.

Fonte: AEN Foto: Jonathan Campos

images

Safra 2025: Primeira estimativa para a produção brasileira de café é de 51,8 milhões de sacas

A primeira estimativa da safra brasileira de café para 2025 aponta para uma produção total de 51,8 milhões de sacas de café beneficiado, representando uma redução de 4,4% em relação à safra anterior, conforme divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta terça-feira (28). Em um ano marcado pelo ciclo de baixa bienalidade, os efeitos da restrição hídrica e altas temperaturas nas fases de floração impactaram a produtividade, que deverá atingir uma média nacional de 28 sacas por hectare, 3% abaixo do rendimento de 2024. Já a área total destinada ao cultivo do café no Brasil apresentou crescimento de 0,5%, alcançando 2,25 milhões de hectares, sendo 1,85 milhão de hectares em produção e 391,46 mil hectares em formação.

Para o café arábica, a estimativa aponta uma produção de 34,7 milhões de sacas, uma queda de 12,4% em relação ao ano anterior. Esse desempenho reflete o ciclo de baixa bienalidade e as adversidades climáticas, especialmente em Minas Gerais, maior produtor do país, onde a redução foi de 12,1%. Já para o café conilon, a produção deverá alcançar 17,1 milhões de sacas, um crescimento expressivo de 17,2%, impulsionado principalmente pelos bons resultados no Espírito Santo, que responde por 69% da produção nacional dessa espécie.

Os estados produtores apresentam realidades diversas: Minas Gerais, maior produtor nacional, deve alcançar 24,8 milhões de sacas, uma redução de 11,6% em relação ao ano anterior, devido ao ciclo de baixa bienalidade e à seca prolongada que antecedeu a floração. O Espírito Santo, segundo maior produtor, prevê um crescimento de 9%, com 15,1 milhões de sacas, impulsionado pela produção de conilon, estimada em 11,8 milhões de sacas (+20,1%), devido aos bons volumes de chuvas registrados entre julho e agosto, viabilizando a emissão das primeiras floradas e pegamento, resultando em bom potencial produtivo, enquanto o arábica deve recuar 18,1%. São Paulo, exclusivamente produtor de arábica, projeta 4,6 milhões de sacas, uma redução de 15,3% causada pela baixa bienalidade e condições climáticas adversas. Na Bahia, a produção total deve crescer 11,3%, com 3,4 milhões de sacas, sendo 2,2 milhões de conilon e 1,2 milhão de arábica. Rondônia, exclusivamente produtor de conilon, deve alcançar 2,2 milhões de sacas (+6,5%), enquanto Paraná e Rio de Janeiro, predominantemente de arábica, estimam produções de 675,3 mil e 373,7 mil sacas, respectivamente. Goiás e Mato Grosso projetam reduções devido à bienalidade negativa e condições climáticas, com produções de 195,5 mil e 267,6 mil sacas, respectivamente.

Mercado

As projeções para a safra atual apontam um cenário de maior restrição na oferta global de café, com estoques em patamares historicamente baixos e uma demanda crescente no mercado internacional. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial para 2024/25 está estimada em 174,9 milhões de sacas, um avanço de 4,1% em relação à safra anterior, enquanto o consumo global deve alcançar 168,1 milhões de sacas, gerando um estoque final de 20,9 milhões de sacas, o menor das últimas 25 temporadas. Esse quadro tem sustentado a alta nos preços internacionais, com o café arábica e o robusta registrando elevações significativas nas bolsas de Nova Iorque e Londres, respectivamente.

Em 2024, o Brasil alcançou um recorde histórico na exportação de café, com o envio de 50,5 milhões de sacas de 60 quilos ao mercado internacional, um crescimento de 28,8% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O desempenho gerou uma receita de US$ 12,3 bilhões, marcando um aumento de 52,6% na comparação com 2023. Esse crescimento expressivo foi impulsionado por dois fatores principais: a valorização do café no mercado externo, em um contexto global de oferta restrita, e a alta do dólar frente ao real, cuja cotação média subiu de R$ 4,91/US$ em janeiro para R$ 6,10/US$ em dezembro de 2024, uma variação de 24,1% no período.

Os estoques nacionais de café registraram queda significativa, sendo um dos fatores o aumento expressivo das exportações. Ao final do primeiro semestre de 2024, o volume armazenado era de 13,7 milhões de sacas, 24% abaixo do registrado em 2023. A tendência é de novos recuos nos estoques devido à forte demanda externa, o que deve ser observado também em escala global.

Os números detalhados da produção brasileira de café e as análises de mercado do grão podem ser conferidos no Boletim completo do 1º Levantamento de Café – Safra 2025, publicado no site da Companhia.

Fonte: Conab Foto: Divulgação

img_1531

Vitrine Tecnológica do IDR-PR vai mostrar as novidades da agroecologia no Show Rural

O público que visitar o espaço do IDR-Paraná durante o Show Rural Coopavel, de 10 a 14 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste, terá a oportunidade de conhecer a Vitrine Tecnológica de Agroecologia Vilson Nilson Redel (Vital). Trata-se de uma unidade demonstrativa onde os extensionistas e pesquisadores mostram tecnologias voltadas à agricultura orgânica e agroecologia.

São aproximadamente 4.400 metros quadrados dedicados exclusivamente ao tema, reproduzindo uma propriedade agroecológica sustentável, com foco em atividades de transição agroecológica. Neste ano todas as atividades da Vital giram em torno do tema: “Construindo conhecimento agroecológico”.

No espaço da Vitrine foi construído um canteiro em forma de mandala. São plantas nativas, condimentares, aromáticas, medicinais e Pancs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) dispostas de maneira a facilitar a irrigação, permitindo que o sistema trabalhe de forma integrada. No centro da mandala há um pequeno lago onde são criados peixes que se alimentam dos resíduos das plantas e que podem se transformar em fonte de renda para o produtor.

Serão apresentadas várias alternativas de diversificação da produção na propriedade como o cultivo de grãos (soja, feijão, milho), girassol, grão de bico gergelim, mandioca e batata-doce. Um assunto que deve chamar a atenção do público são os SAFS (Sistemas Agroflorestais) que combinam a criação de meliponídeos (abelhas sem ferrão), plantas apícolas, espécies para a produção de madeira e frutíferas regionais. Na pecuária, o forte é a apresentação de novas plantas forrageiras e o uso de mandioca como alimento alternativo e de baixo custo.

O cultivo de hortaliças também ganha destaque na Vital. Foram plantados em sistema de cultivo protegido (estufas) algumas hortaliças, entre as quais o tomate.

Outra alternativa é o cultivo, a campo, de melancia e flores em SPDH (Sistema de Plantio Direto de Hortaliças). Com essa prática o produtor faz o revolvimento do solo apenas nos sulcos de plantio, diversifica as espécies com a rotação de culturas e a inclui plantas de cobertura para a produção de palhada. Neste sistema o solo tem cobertura permanentemente. O visitante poderá conhecer as plantas indicadas para a produção de palhada no SPDH como o guandu, o milheto e o sorgo.

Parcerias

Estão previstas ainda a apresentação de outras inovações como a instalação de um protótipo de galinheiro móvel, feito com linha de algodão em artesanato, tipo crochê; a criação de uma maquete viva no cultivo suspenso; apresentação de espécies comerciais de flores a campo e em vaso; turismo sustentável e preservação da saúde.

Todas as práticas apresentadas na Vital resultam do esforço da pesquisa, extensão e fomento dos parceiros que integram o trabalho. O objetivo da Vitrine é promover o desenvolvimento da agroecologia, oferecendo alternativas de renda para os agricultores familiares. Todas as ações apresentadas na Vital têm como meta atender aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda 2030 – da ONU.

A organização do espaço conta com 16 parceiros envolvidos no planejamento e preparação, entre cooperativas, universidades, instituições públicas e privadas. As ações são coordenadas pelo convênio Vitorias (Vitrines Tecnológicas para Agroecologia e Sustentabilidade), instrumento tripartite que envolve a Fapeagro (Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio), Itaipu Binacional e o IDR-Paraná.

Fonte: AEN Foto: Divulgação

Culturas de inverno aumentam a produção de mel e preservam o solo -  Curitiba, 23/09/2021  -  Foto: IDR-PARANÁ

Trigo-sarraceno em alta

Revista Apasem – edição 2024 – A semelhança com o trigo mais conhecido fica apenas no nome. O trigo-mourisco – ou trigo-sarraceno – tem identidade própria e um potencial a ser explorado pelos produtores. E isso acontece porque pode ser utilizado em rotação de cultura e ainda gerar um produto para exportação. Basicamente, no país, o trigo-sarraceno tem esses dois “destinos”: a tecnologia no campo e o mercado asiático, para a produção de macarrão. Paralelamente, chama cada vez mais a atenção por não ter glúten e ser uma opção importante em preparos de alimentos para celíacos ou para aqueles que querem diminuir a ingestão da farinha de trigo regular.

As cultivares do trigo-sarraceno possuem períodos de desenvolvimento que agregam valor quando se trata de rotação de culturas. Assim, é possível utilizá-lo como ferramenta para a aplicação da técnica, mas sem comprometer os planejamentos de produção e utilização da área com cultivos mais rentáveis e ainda saindo do padrão de gramíneas e leguminosas. No Paraná, a principal janela de semeadura do trigo-sarraceno é de 15 de janeiro a 15 de março, basicamente.

O trigo-sarraceno é considerado como uma planta de serviço e não requer aplicação de produtos químicos. E ainda tem vantagens do ponto de vista agronômico: grande alelopatia, consegue segurar bastante gramíneas e possui um efeito cultural importante para o controle de plantas daninhas no período do outono.

“O trigo-sarraceno não possui nenhuma doença, nenhuma praga, e isso traz favorecimentos ao produtor. Além disso, é uma planta solubilizadora de fósforo e não requer adubação. Por isso, é bem interessante por esse viés e ainda gera uma renda”, comenta Fábio Schmidt, engenheiro agrônomo da Protecta, empresa de Ponta Grossa que tem a produção de sementes entre as suas atividades.

O engenheiro agrônomo e coordenador do setor de produtos tecnológicos do IDR-PR, Renan Carvalhal, reforça que a espécie é rústica e, como praticamente não tem pragas ou doenças para serem controladas, é uma ótima competidora perante as plantas daninhas. “Com isso, o produtor gasta pouco ou quase nada com o controle de invasoras, tornando-se um cultivo relativamente barato e ainda rápido. Exige pouca utilização de insumos agrícolas, incluindo herbicidas, inseticidas e fungicidas”, indica.

“Por ser um material bem rústico, o trigo-sarraceno tem bom resultado em solos com fertilidade baixa, diferentemente de outras espécies. Esses são fatores que têm estimulado o agricultor a ir atrás do mourisco. E ele ainda tem um aspecto interessante em relação ao período em que as plantas ficam com flores, de cerca de 30 a 40 dias dentro do ciclo completo. As flores são importantes em função das abelhas e manutenção delas, sem falar para os produtores de mel. Ou seja, gera um benefício amplo para todo o ambiente em si”, completa. 

As áreas com a maior quantidade de plantio e maiores produções de trigo-sarraceno são as que têm registro de clima mais frio, especialmente nos Campos Gerais, região central (como a cidade de Guarapuava) e sudoeste. As colheitas terminaram no mês de junho e, no caso da Protecta, a etapa de beneficiamento começa logo em seguida.

A Protecta possui um programa para a produção de trigo-sarraceno, que mostra uma das estratégias do mercado para essa cultivar e a sua aplicação na rotação de culturas. Inicialmente, o objetivo era exatamente este: utilizar como parte da importante técnica. “Mas, depois, conseguimos achar brechas nos mercados interno e externo. E passamos a fazer o que chamamos de fomento: entregamos a semente para o produtor e acompanhamos as lavouras. Depois, adquirimos a produção para dar destino a esses mercados”, explica Schmidt, citando que 95% da produção do trigo-sarraceno é exportada pela empresa.

////

Por que o trigo-sarraceno não avança mais?

Na região sul paranaense, em 2024, o trigo-mourisco entrou no rol de diversificação de culturas, o que também incluiu a aveia branca comercial e o centeio. Isso mostra que o trigo-sarraceno tem a atenção dos agricultores paranaenses. No entanto, não há uma grande escala ou uma perspectiva em curto e médio prazos para que a adesão a essa cultura aumente de maneira significativa.

Segundo Fábio Schmidt, engenheiro agrônomo da Protecta, o potencial para a ampliação do trigo-sarraceno existe, mas, atualmente, a opção por esse cultivar depende dos planos do agricultor a cada ano. “Se os plantios de verão ficam mais tardios e não se consegue plantar as lavouras de soja e milho em época normal, isso diminui bastante a adoção do trigo-sarraceno. Não é possível deixá-lo para mais tarde além do seu período recomendado, o que geraria baixa produtividade. Quando há épocas de plantios normais da safra de verão, na sequência, o trigo-sarraceno entra bem e são anos em que a demanda por área fica aquecida”, esclarece.

Outro desafio é a limitação do mercado interno. Atualmente, o trigo-sarraceno atende uma pequena parte da população e está disponível, em produto final, principalmente em casas de alimentos naturais. A falta de escala impacta também diretamente um possível planejamento para aumentar a produção.

Entretanto, com a descoberta cada vez maior de pessoas com doenças celíacas e a escolha por alimentação mais balanceada, com a inclusão de mais grãos na dieta, o trigo-sarraceno vem, aos poucos, sendo descoberto pela população em geral. “O consumidor, cada vez mais, está preocupado com as intolerâncias e outras questões nutricionais, mas ainda é um mercado que o consumidor está descobrindo. Fora isso, é necessário pensar em preço acessível e facilidade para encontrar esse produto”, lembra Renan Carvalhal, do IDR-PR.

Por enquanto, a produção do trigo-sarraceno no Paraná, que varia conforme o andamento da safra de maneira geral, ainda é tímida e praticamente todo o seu resultado é exportado, especialmente para a Ásia.

Tecnologia no campo: os cultivares do trigo-sarraceno

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná) desenvolveu duas cultivares do trigo-sarraceno e as lançou no ano 2000: IPR 91 Baili e IPR 92 Altar. As duas são registradas no Ministério da Agricultura e se tornaram as mais aplicadas para esse tipo de produção, com foco na cobertura vegetal da área e rotação de culturas, e com o adicional da venda dos grãos, especialmente para o exterior.

O engenheiro agrônomo e coordenador do Setor de Produtos Tecnológicos do IDR-PR, Renan Carvalhal, explica que esses cultivares têm características distintas. A IPR 91 Baili significa baixa e ligeira, ou seja, tem um porte mais baixo e um ciclo mais curto, de aproximadamente 70 dias, entre a emergência e a produção de sementes. Já a IPR 92 Altar tem uma referência de porte mais alto, com ciclo de aproximadamente 90 dias. “São materiais antigos, lançados ainda pelo Iapar, mas são os únicos materiais registrados para multiplicação no Brasil”, afirma.

Por enquanto, não há perspectiva do desenvolvimento de novas pesquisas sobre o trigo-sarraceno ou seu desenvolvimento genético, até mesmo em função dos resultados que apresenta atualmente no campo.

Assim como acontece com outros cultivares, o trigo-sarraceno também passa por análise de sementes para a emissão de certificado para posterior comercialização, com os mesmos testes de germinação, pureza, determinação e tratamento por número. A coordenadora do Laboratório de Análise de Sementes (LAS) da Apasem em Ponta Grossa, Juliana Veiga, explica que é necessária uma quantidade mínima de 600 gramas de sementes de trigo-sarraceno para uma avaliação e poder emitir um boletim oficial.

O teste de germinação inclui a avaliação da semente em diferentes temperaturas e condições, com quatro a sete dias. “Por ser uma semente rústica, é difícil encontrarmos lotes ruins do trigo-mourisco. Uma das influências principais é o armazenamento, o que pode alterar esse resultado”, explica Juliana.

A tradição do soba, o macarrão japonês com trigo-sarraceno

Um dos principais destinos do trigo-sarraceno produzido no Paraná – e em outras localidades – é o Japão, onde essa matéria-prima é utilizada em um tipo de macarrão bastante tradicional. Chama-se soba. São vários os pratos que têm como base esse macarrão de coloração mais escura, que ganhou relevância na culinária ao longo da história do país asiático, especialmente na segunda metade do século 19. O soba, normalmente, é cortado em tiras finas e pode ser servido em preparações quentes ou frias.

A cultura japonesa é repleta de rituais e o soba também faz parte disso. Uma das receitas mais conhecidas com o macarrão feito a partir do trigo-sarraceno é o toshikoshi soba, feito para as celebrações de Ano Novo. Entre as histórias mais contadas para explicar a tradição é uma referência ao formato do macarrão, comprido, para o desejo de uma vida longa. Também existe uma ligação direta com o trigo-sarraceno, que remete à resiliência e à adaptação mesmo em condições adversas.

Além do toshikoshi soba, outro prato bastante comum com o macarrão japonês feito com trigo-sarraceno é o hikkoshi soba. Quem muda de casa ou de região oferta esse prato como uma espécie de aproximação com os novos vizinhos.

Sobá de Campo Grande

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o soba deixou de ser apenas ingrediente para se tornar também nome do prato típico da cidade. Grupos de imigrantes japoneses, principalmente da Ilha de Okinawa, levaram o soba para a rotina da região e não demorou muito para ser apreciado pela população em geral. Tanto que se tornou patrimônio imaterial da cidade.

Confira a receita do sobá:

Receita do blog da Sakura Alimentos

Caldo

Ingredientes

  • 1 kg de ossobuco
  • 4 litros de água
  • 1 colher (sopa) de sal
  • 1 colher (café) de Hondashi
  • 1 colher (café) de glutamato monossódico
  • ½ colher (sopa) de caldo de carne
  • Shoyu a gosto

Modo de preparo

Ferva o ossobuco com água por 40 minutos. Acrescente os demais ingredientes e deixe ferver por mais 30 minutos.

Macarrão

Ingredientes

  • 2 litros de água
  • 1 colher (café) de óleo de gergelim
  • 500 g de macarrão de sobá
  • 5 ovos
  • 300 g de carne magra de porco ou boi
  • 200 ml de molho de soja
  • 1 maço de cebolinha picada

Modo de preparo

Ferva dois litros de água com um fio de óleo e cozinhe o macarrão até ficar al dente. Escorra e reserve. Bata os ovos, tempere e frite os omeletes. Depois de esfriar, enrole todos juntos e corte em tiras finas. Cozinhe a carne e corte em pedaços. Coloque numa panela o molho de soja e mexa até ficar sequinha. Escalde o macarrão em água fervente e preencha a tigela, até ficar próxima à borda. Coloque a cebolinha, o omelete e a carne. Por último, coloque o caldo até encher a tigela.

Fontes: Japan House, Nippo Brasil e Sakura Alimentos

Por Joyce Carvalho

Dia de Campo Coopertradição

Cooperativa Tradição apresenta o Dia de Campo Verão 2025

A Cooperativa Tradição convida todos os produtores e profissionais do agronegócio para o Tradição em Campo – Dia de Campo Verão 2025, que acontecerá nos dias 19 e 20 de fevereiro, no Centro de Tecnologia e Inovação (CTIC), em Pato Branco. O evento reunirá, ao longo de dois dias, alta tecnologia, conhecimento especializado e inovação para fortalecer o setor agrícola.

O evento é totalmente gratuito, e as inscrições já estão abertas. Os interessados podem se inscrever aqui

O vice-presidente e diretor comercial da Cooperativa, Gelson Corrêa, ressaltou a importância do evento para os produtores rurais. “Nosso foco é realizar um dia de campo, trazendo o máximo de tecnologias possíveis, e neste ano não vai ser diferente. Como produtor rural, sei o quanto essa troca de experiências é fundamental. A cada ano, as inovações e tecnologias surgem de forma cada vez mais rápida, e aqui, no nosso centro experimental, o produtor tem a oportunidade de conhecê-los em primeira mão”, destacou o diretor.

Mais de 70 expositores e palestrantes nacionais

Com mais de 70 expositores confirmados, o Tradição em Campo – Dia de Campo Verão 2025 contará com atrações imperdíveis como duas palestras nacionais:

– No dia 19, o evento receberá Paulo Herrmann, ex-CEO da John Deere Brasil, que compartilhará sua vasta experiência no setor agrícola.

– No dia 20, será a vez de Kellen Severo, jornalista renomada e especialista em agronegócio pela Jovem Pan News, abordar as tendências e desafios do setor.

Além disso, os visitantes terão acesso a demonstrações práticas de tecnologia de ponta, novas soluções para o campo e espaços voltados à troca de experiências entre produtores e especialistas.

Foto artigo 02

Artigo – Invasões de terras por indígenas: solução é respeitar leis vigentes no país

A invasões de terras agrícolas na região Oeste do Paraná por indígenas se tornaram, infelizmente e ilegalmente, costumeiras ao longo de 2024. Isso porque não está se cumprindo o Marco Temporal, que ratifica que as demarcações de terras indígenas devem ser limitadas à data da promulgação da Constituição Federal (5 de outubro de 1988). Além disso, no final de 2023, foi publicada a Lei 14.701, que fortalece o Marco Temporal.

Mesmo assim, nada disso está se fazendo valer, o que gera insegurança jurídica para os nossos produtores rurais e prejuízos econômico, social e sanitário ao Paraná. Basta olhar para o recorte das áreas invadidas nos municípios de Terra Roxa, Guaíra e Altônia, na região Oeste, para verificar que, no mínimo, R$ 260 milhões (considerando o Valor Bruto de Produção Agropecuário de cada município) deixam de girar na economia estadual. Afinal, os agricultores estão sendo impedidos sumariamente de plantar.

Diante deste cenário, alguns pontos causam espanto. Primeiro, a inércia do governo federal, que não coíbe novas invasões e nem executa as ordens de reintegração de posse obtidas na Justiça. O segundo ponto envolve a Itaipu Binacional, uma empresa pública que propôs a compra de áreas para assentar os grupos indígenas Avá-guarani de Guaíra e Terra Roxa. A empresa sugere a compra de 1,5 a 3 mil hectares a serem destinados para as novas aldeias. A questão é: quem quer vender terra agrícola?

Essa pergunta faz total sentido, pois o mercado de terras tornou-se um investimento bastante rentável. Segundo estudo da Scot Consultoria, as áreas agrícolas nos 17 estados mais relevantes na produção de grãos tiveram grande valorização nos últimos cinco anos. O valor médio nacional do hectare voltado à agricultura subiu 113%, passando de R$ 14,8 mil em julho de 2019 para R$ 31,6 mil no mesmo mês do ano passado. Especialmente no Paraná, a média é de R$ 60 mil o hectare nas áreas para agricultura. E, segundo previsões, o preço das terras deve seguir em valorização.

Somado a isso existe o fato de que os produtores rurais querem apenas exercer o ofício de produzir alimentos para a sociedade. Não conheço quem queira se desfazer das suas terras. E, caso haja, não acredito que a Itaipu Binacional possa utilizar tanto dinheiro público (R$ 180 milhões para comprar 3 mil hectares) para a compra de áreas para assentamento de grupos indígenas.

Uma coisa é certa nesta situação alarmante em que vivem os produtores rurais da região Oeste do Paraná. A solução para as invasões não passa pela compra de terras por parte de entidades públicas, mas pela garantia da execução das leis vigentes no país. Afinal, essas estão aí para serem cumpridas e não discutidas.

Texto e foto – Gazeta do Povo – Por Ágide Eduardo Meneguette é presidente interino do Sistema FAEP

Embrapa Soja

Embrapa apresenta cultivares de soja com produtividade elevada no Agrotec 2025

A Embrapa Soja irá participar do Agrotec, evento promovido pela cooperativa Integrada, nos dias 22 e 23 de janeiro, em Londrina (PR), demonstrando as cultivares BRS 1064IPRO e o lançamento BRS 2361 i2X, desenvolvidas em parceria com a Fundação Meridional.

BRS 1064IPRO, desenvolvida pela Embrapa Soja e Fundação Meridional, tem como diferencial o excelente desempenho produtivo, com alta estabilidade e boa adaptação. É uma soja transgênica com tolerância ao herbicida glifosato e também promove o controle de algumas espécies de lagartas “Essa cultivar apresentou ganho produtivo acima da média das cultivares de amplo cultivo na mesma região de indicação”, destaca o agente de transferência de tecnologias, Rogério Borges, da Embrapa Soja.

Indicada para o Paraná (Oeste e Norte), Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Goiás, especialmente em localidades mais quentes, abaixo de 600 m, possui Grupo de Maturidade 6.4. A BRS 1064IPRO apresenta ampla janela de semeadura mostrando bom desempenho também na abertura de plantio, o que é um atrativo para produtores interessados no cultivo do milho safrinha. Essa cultivar apresenta ainda resistência ao acamamento e às principais doenças da soja, principalmente resistência à podridão radicular de fitóftora. Outro destaque que torna a BRS 1064IPRO bastante promissora é sua resistência aos nematoides de galha (Meloidogyne. javanica) e de cisto (raça 3), problemas bastante recorrentes nas regiões para as quais ela está sendo indicada. 

Lançamento da safra 2024/2025

 A BRS 2361 i2X, que estará sendo lançada, é uma soja transgênica com a tecnologia Intacta2 Xtend® (I2X), que agrega tolerância aos herbicidas glifosato e dicamba e a resistência às principais lagartas da soja. Apresenta maior potencial produtivo em altitudes a cimade 600m na macrorregião REC 201 dos estados de Paraná e São Paulo. Também permite semeadura antecipada, viabilizando a semeadura do milho safrinha na melhor “janela” de plantio, na região em que a cultivar está indicada.

Dia de Campo Lar 01

Dia de Campo Lar 2025: conhecimento, inovação e oportunidades para o agronegócio

Entre os dias 14 e 16 de janeiro, a Lar Cooperativa promoveu o tradicional Dia de Campo Lar, inaugurando a agenda de compromissos de 2025. Conhecido por sua qualidade técnica, o evento é referência na região por ser uma vitrine do agronegócio para quem busca conhecimento, inovação e oportunidades no setor.

“Nossas melhores previsões para o Dia de Campo Lar 2025 foram superadas. Logo no primeiro dia reunimos mais de mil mulheres e esse volume de pessoas se repetiu nos dois dias seguintes. Com essa presença expressiva da família associada concluímos nosso objetivo de transmitir conhecimento através das melhores tecnologias e manejos que temos disponível para o campo e tudo isso conectado com nosso propósito de cooperar para melhorar a vida das pessoas”, destacou o diretor-presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues.

Tradicionalmente, o primeiro dia do evento foi dedicado ao público feminino, com uma programação diferenciada, além de dinâmicas desenvolvidas especialmente para receber as visitantes. A palestra “Profissionalização do Negócio através das Mulheres”, ministrada pela consultora, escritora e palestrante Mariely Biff, abriu a agenda do dia, envolvendo as pessoas em discussões construtivas sobre a sucessão e governança familiar no âmbito rural.

A visitação ao campo foi aberta ao público todos os dias do evento, das 13h30 às 19h, na Unidade Tecnológica Lar, anexa ao Lar Centro de Eventos, em Medianeira (PR). Durante três dias, pesquisadores, palestrantes e profissionais da área estiveram reunidos para compartilhar conhecimentos e experiências, oportunizando aos produtores rurais a possibilidade de interagir e a dialogar diretamente com especialistas.

“O Dia de Campo Lar sempre teve esse apelo mais técnico, por isso nosso destaque para as tendas técnicas, onde convidamos profissionais para atender o nosso produtor, com temas voltados para as necessidades da região. É claro que cada propriedade tem sua carência, mas quem compareceu ao evento com um determinado objetivo seguramente voltou para casa com muito mais conhecimento”, citou o superintendente de Negócios Agrícolas da Lar, Vandeir Conrad.

No campo, os visitantes conheceram de perto as mais recentes soluções para o agronegócio, em um ambiente prático e dinâmico. Nesta edição, os espaços técnicos destacam-se pela seleção e qualidade do conteúdo, entre eles: Sistema de Manejo de Solo – Inovações e resultados regionais; Tecnologia de Aplicação Lar – Otimizando investimentos em defensivos; Sustentabilidade na Agricultura – Práticas e inovações de produção; e Maximizando a Produtividade – manejo de doenças, pragas e plantas daninhas.

A Lar Cooperativa também apresentou ao público 28 cultivares de soja, cultivados em diferentes períodos do ano, ressaltando as potencialidades e condições de cada uma. Dessa forma, o produtor teve a oportunidade de comparar resultados e escolher as opções que melhor atendam às necessidades. Ao todo, foram 54 empresas participantes, sendo 25 de insumos agrícolas, 18 de insumos pecuários e 11 de maquinários e implementos para o campo, além da parceria com o IDR-PR (Instituo de Desenvolvimento Rural do Paraná) que contou com uma área exclusiva de pesquisas.

Oportunidades

Apesar do destaque técnico do evento, o Dia de Campo Lar 2025 foi uma oportunidade para fechar negócios. As equipes da Lar Lojas Agropecuárias preparam condições exclusivas para comercialização de insumos agrícolas e pecuários, além de equipamentos para o dia a dia. A Lar Máquinas negociou maquinários com sistema de financiamento diferenciado, utilizando grãos como forma de pagamento, além de juros reduzidos. A Lar Credi esteve presente para oferecer soluções financeiras personalizadas aos associados e divulgar o novo aplicativo que entrega mais segurança e agilidade no processamento de operações.

Com o objetivo de transmitir informações relevantes, precisas e moldadas exclusivamente a realidade da região, o Dia de Campo Lar 2025 proporcionou ao visitante uma experiência única que o ajudarão a otimizar a produção, reduzir custos e aumentar a rentabilidade da propriedade.

Ao promover o Dia de Campo Lar 2025, a Lar Cooperativa busca fortalecer a família associada, contribuindo com o desenvolvimento econômico e social da região, uma iniciativa fortemente conectada com o propósito de “cooperar para melhorar a vida das pessoas”. (Assessoria de Imprensa Lar). 

Mudas

As oportunidades e desafios do setor de mudas

Revista Apasem – Edição 2024 – Diferentes vertentes da produção de mudas no Paraná e no país como um todo – enfrentaram mudanças depois da pandemia de Covid-19. As principais estão em hábitos de alimentação e de lazer nos últimos tempos, além da priorização de reformas e adequação de espaços que movimentam o setor desde então. Dentro de cada característica particular, os produtores se planejam para aproveitar oportunidades e explorar potenciais, mas ainda precisam enfrentar gargalos a serem vencidos.

O diretor administrativo da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná – seção Curitiba –, Hugo Vidal, salienta a importância, no atual contexto, de esclarecimentos sobre legislação. De acordo com ele, existem duas normas que legislam sobre o setor, incluindo a Instrução Normativa 42, de 2019, do Ministério da Agricultura e Abastecimento. Além disso, a Portaria nº 616/2023, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) impacta diretamente o setor. Esta, mais recente, ainda gera dúvidas, de acordo com ele.

A nova legislação prevê o cumprimento de uma série de anexos e documentações, conforme a cultura, para a solicitação das mudas para instalação de viveiros. “Este é o principal ponto de dúvidas: onde entra o responsável técnico neste processo e até onde vai a responsabilidade do produtor”, destaca Vidal.

A legislação também é apontada por Mariana Barreto, secretária-executiva da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), como um ponto importante para ser observado. A instituição tem como foco os mercados de mudas de hortaliças, flores, plantas ornamentais e sementes. “No caso do segmento de mudas de plantas ornamentais, um dos desafios é atender à legislação de produção e comercialização, pois é uma legislação generalista, e esse é um setor com muitas particularidades, com características específicas conforme as espécies”, esclarece. A articulação é para a promoção de normas específicas, que atendam mais de perto a quem produz.

No caso dos produtores de grama, o desafio maior está na informalidade do setor. São 29 empresas paranaenses formalizadas e cadastradas no Sistema Renasem. Mas estima-se que existam muitas mais, o que afeta diretamente a competitividade do mercado. O diretor-presidente da instituição Grama Legal, Luiz Negrello, conta que as empresas do setor precisam cumprir uma série de normas, mas essas exigências não aparecem, necessariamente, nos editais de licitações públicas. Prefeituras, governos, secretarias e departamentos nestas esferas são as principais contratantes, além de construtoras e concessionárias de rodovias. “Isto é contrassenso”, enfatiza.

Negrello e a coordenadora executiva da Grama Legal, Livia Sancinetti, destacam que planejamento é a palavra-chave para os produtores. Isso vale para lidar com as características do clima perante a produção da grama, o enfrentamento de condições climáticas adversas nesse contexto, as dificuldades em assistência técnica especializada, a falta de linhas de crédito direcionadas e a pouca disponibilidade de produtos específicos para a rotina de atividades.

“Temos apenas seis produtos registrados especificamente para a nossa produção. Houve ampliação nas possibilidades de aplicação por parte das grameiras de outros insumos, a partir da extensão da bula, o que nos ajuda”, indica Lívia. “Mas também dependemos de compras que são realizadas diretamente com cooperativas. E os objetivos delas são diferentes dos nossos. Por isso, precisamos redobrar o planejamento sobre quando realizar essas compras e quando fazer isso”, cita Negrello.

Potenciais

Hortaliças, flores e plantas ornamentais

Segundo a ABCSEM, esses três segmentos apresentam potenciais de mercado, ainda se beneficiando de uma consequência da pandemia de Covid-19. O isolamento e as mudanças de comportamento motivaram reformas e obras, além dos cultivos de hortaliças e de plantas medicinais em pequenos espaços e no ambiente doméstico. A busca por uma alimentação mais saudável também motiva os consumidores e, consequentemente, aquece as demandas para os produtores de mudas.

Grama

A perspectiva de novos investimentos em rodovias, em todo o país, chama atenção dos produtores de grama. A legislação atual prevê a plantação em uma determinada faixa nas margens das estradas por exemplo. Uma maior movimentação na construção civil, assim como em obras públicas, também é vista com otimismo.

Produções em pequenos espaços

Regiões populosas, como a de Curitiba e municípios no entorno, já não têm mais disponibilidade de grandes áreas para a agricultura. Por isso, a produção de mudas, com auxílio de viveiros, torna-se alternativa para investimentos de maior impacto na economia dessas localidades. Hugo Vidal, da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná – seção Curitiba –, enfatiza também que há maior visão para a compra de mudas de viveiros legalizados, o que vem gerando benefícios para o setor.

Por Joyce Carvalho

Broa de centeio é o 15º produto paranaense e primeiro de Curitiba a receber selo de Indicação Geográfica (IG)

Broa de centeio é o 15º produto paranaense a receber selo de Indicação Geográfica

O Paraná ganhou nesta semana mais um produto com o selo de Indicação Geográfica. A broa de centeio da Padaria América, em Curitiba, recebeu o registro do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), na modalidade Indicação de Procedência, o que a garante um padrão de qualidade exclusivo. É o primeiro produto da Capital a receber a chancela do órgão, além de ser o primeiro ligado ao setor de panificação no Brasil a alcançar esse reconhecimento.

Mesmo com o destaque principal sendo de Curitiba, os municípios de sua Região Metropolitana, incluindo Araucária, São José dos Pinhais, Colombo, Pinhais, Almirante Tamandaré e Piraquara, também foram considerados parte da Indicação Geográfica, por conta das tradições envolvendo a broa também estarem presentes nestes municípios. A conquista coloca o Paraná como referência nacional em produtos com Indicação Geográfica (IG), totalizando 15 registros estaduais.

O secretário de Estado do Turismo, Márcio Nunes, destacou a importância dos produtos paranaenses que têm o selo. “Cada IG conquistada pelo Paraná reafirma nosso compromisso em valorizar as tradições e a qualidade de nossos produtos. Isso atrai mais visitantes, movimenta a economia e incentiva os produtores locais a preservarem suas práticas e conhecimentos”, disse.

“Esses produtos, muitas vezes, acabam ajudando a criar ou consolidar rotas e roteiros turísticos no Estado, o que colabora na promoção, atração e distribuição de fluxo turístico municípios que, por vezes, não contam com tantos atrativos consolidados”, completou o secretário.

Além do registro de Indicação Geográfica, a broa de centeio também é reconhecida como Patrimônio Cultural de Curitiba. O produto é frequentemente associado à Carne de Onça, prato típico da cidade – outro produto paranaense que aguarda chancela do órgão federal para reconhecimento de Indicação Geográfica.

RELEVÂNCIA – A Padaria América, fundada em 1913, é um dos estabelecimentos que mantém viva a produção da broa de centeio, além de ser a padaria curitibana mais antiga ainda em funcionamento. Com três unidades na capital paranaense, o empreendimento produz cerca de 250 broas por dia, utilizando métodos tradicionais que envolvem fermentação mista e com longos períodos de cozimento.

“O trabalho que sempre fizemos e agora a conquista do selo garantem a qualidade a broa de centeio de Curitiba, assegurando que essa tradição não se perca com o tempo. Temos uma série de questões obrigatórias durante o processo de produção, que fazem deste item local algo único, ou seja, é uma grande conquista, que exalta essa rica tradição”, disse Eduardo Engelhardt, sócio-proprietário da Padaria América, em Curitiba.

A broa de centeio tem suas raízes na imigração europeia que marcou a formação cultural do Paraná. Introduzida no final do século XIX, a receita combina farinhas de centeio e trigo, água e sal, podendo incluir outros ingredientes, como açúcares, fermentos e gorduras. O produto evoluiu ao longo do tempo, adaptando-se às mudanças nos processos de produção e nas preferências dos consumidores, mas sem perder sua essência.

Considerada um símbolo gastronômico de Curitiba, a broa foi oferecida a figuras históricas que passaram pela cidade ao longo dos anos, tornando-se parte do imaginário coletivo e da identidade cultural curitibana. Hoje, é possível encontrar variações como broa integral, vegana, diet e mista, que atendem a diferentes demandas.

IG’S DO PARANÁ – A Indicação Geográfica é um título que certifica produtos ou serviços cujas características estão ligadas à sua origem geográfica, valorizando a história, a cultura e a economia. Com o reconhecimento da broa de centeio, o Paraná passa a ter 15 produtos com o selo. Esses registros destacam o estado como um dos líderes nacionais no reconhecimento de produtos ligados ao território paranaense, reforçando também produtos e atrativos turísticos.

Para Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paraná – órgão de promoção comercial do setor no Estado, cita que os reconhecimentos passam, também, pela criação de novos produtos ligados ao turismo.

“Falar sobre Indicação Geográfica é muito importante, porque ela carrega consigo o senso de pertencimento regional e maior notoriedade para os municípios. É o que aconteceu em Antonina, no Litoral do Estado, com as balas de banana; em Carlópolis, no Norte Pioneiro, com as goiabas; e em muitos outros destinos paranaenses. Essas indicações também são importantes, porque acabam criando e consolidando rotas turísticas ao redor do Paraná, fomentando fluxos turísticos em diversas regiões”, explicou.

Entre eles estão, até o momento, a aguardente de cana e cachaça de Morretes; a goiaba de Carlópolis; as uvas de Marialva; o barreado do Litoral; a bala de banana de Antonina; o melado de Capanema; o queijo da Colônia Witmarsum; o café do Norte Pioneiro; o mel da região Oeste; o mel de Ortigueira; a erva-mate de São Mateus do Sul; o morango do Norte Pioneiro; a camomila de Mandirituba; e os vinhos de Bituruna.

Texto e foto – A Agência Estadual de Notícias (AEN)