No Fórum Nacional de Trigo, governo estadual defende ciência e inovação para avanço do agro

No Fórum Nacional de Trigo, Paraná defende uso da ciência e inovação no agronegócio

A ciência e a inovação podem elevar a presença do agro brasileiro no mercado mundial. A afirmação foi feita pelo secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, na abertura do Fórum Nacional de Trigo e 16ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (16ª RCBPTT), na noite do último dia 25, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava.

O encontro no Centro de Eventos da Cooperativa Agrária debateu temas como a qualidade do trigo brasileiro comparada à de países vizinhos e a contribuição da triticultura no cenário da agropecuária brasileira.

Ortigara defendeu que o Brasil evoluiu significativamente na capacidade de produzir alimentos e fibras, e que grande parte desse resultado se explica pelo conhecimento aplicado. “Somos um país com presença forte em cerca de 40 cadeias no mundo. Temos a possibilidade concreta de continuar nos desenvolvendo, de tornar o principal negócio do Brasil gigante no comércio mundial, com políticas agrícolas e pegada firme na ciência e na inovação”, disse.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o ciclo 2022/2023 deve somar 317,6 milhões de toneladas de grãos no Brasil, maior volume já produzido. Ortigara destacou que, daqui a 10 safras, a produção pode atingir 390 milhões de toneladas. “Estamos ganhando em produtividade e existe espaço para o crescimento do trigo”, afirmou.

A produção recorde de trigo no País, de 10,6 milhões de toneladas, colaborou para a redução das importações do cereal. No primeiro semestre de 2023, o Brasil importou 2,1 milhões de toneladas, 35% menos do que as 3,2 milhões de toneladas importadas no primeiro semestre de 2022, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária analisados no Boletim Agropecuário do Departamento de Economia Rural (Deral).

O Brasil exportou 2,1 milhões de toneladas de trigo no primeiro semestre, terceiro maior volume já comercializado nesse período. “O que foi feito nos últimos anos sinaliza que nós, além de conquistarmos a tão sonhada autossuficiência, também podemos ser jogadores no mercado mundial”, completou o secretário.

Juntos, o Paraná e o Rio Grande do Sul produzem 90% do trigo brasileiro. No ciclo 2022/2023, o Paraná pode ter produção recorde. Segundo o Deral, a safra de trigo no Estado está estimada em 4,6 milhões de toneladas, 30% mais que na safra passada.

Lançamento

 No mesmo evento, foi lançada a Biotrigo Weiss, primeira variedade de trigo desenvolvida no Brasil para fabricação de malte, parceria entre a Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária e a Biotrigo Genética. A cultivar atende requisitos da indústria cervejeira, como alta produtividade, baixa suscetibilidade a acamamento e doenças, baixa proteína e bom potencial germinativo.

A produção do cereal em escala suficiente para atender à demanda da indústria deve se concretizar em 2025. Atualmente, para produzir malte de trigo no Brasil é preciso importar matéria-prima, especialmente da Argentina.

Evento

A programação da 16ª RCBPTT apresenta trabalhos recentes de pesquisa desenvolvidos por instituições públicas e privadas para aprimoramento dos sistemas de produção de trigo e triticale no País. “Louvamos o esforço da pesquisa, da Embrapa, do IDR-Paraná, e também a ciência feita pelas empresas privadas no desenvolvimento de produtos e condições de todo tipo para o principal negócio do Brasil”, disse Ortigara.

Fonte: AEN Foto: SEAB-PR

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Produção nacional de trigo concentra 90% da colheita em dois estados

O atual ciclo do trigo em desenvolvimento nas lavouras do Brasil deve somar uma produção de 11,3 milhões de toneladas, segundo estimativa das principais consultorias agrícolas nacionais. Somente os dois maiores produtores – Rio Grande do Sul e Paraná – esperam colher 90% desta produção estimada.

Assim, o país se aproxima da autossuficiência no cultivo e calcula que, em no máximo cinco anos, possa plantar o suficiente para abastecer o mercado interno e exportar em larga escala. A previsão é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Anualmente o consumo brasileiro fica em torno de 11,5 milhões de toneladas e 12 milhões de toneladas/ano segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e nas últimas décadas a produção interna não superava as seis milhões de toneladas, exigindo grandes importações, sobretudo da Argentina, Estados Unidos e Leste Europeu.

Se a produção esperada pelas consultorias neste ano se confirmarem, o Brasil vai superar o recorde passado de cerca de 10 milhões de toneladas, conforme registro da Conab, a maior colheita da história degundo a companhia. A mesma Conab calcula para as lavouras atuais 10,5 milhões/ton. Dados atualizados do Rio Grande do Sul e Paraná revelam que somente os dois estados vão colher mais de 10 milhões de toneladas.

O Rio Grande do Sul, maior produtor brasileiro, espera safra de 5,7 milhões de toneladas conforme estimativa da Câmara Técnica do Trigo. O Paraná, segundo maior produtor, espera produção histórica de 4,5 milhões de toneladas, de acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.

A expectativa agora é pelas condições climáticas que podem interferir no desenvolvimento das lavouras que só começam a ser colhidas a partir de setembro.

Fonte: Gazeta do Povo/ Juliet Manfrin Foto: Gilson Abreu/AEN

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Tecnologia minimiza impacto de mudanças climáticas na agricultura

Os produtores rurais estão apostando cada vez mais na tecnologia para mitigar os efeitos adversos causados pelas mudanças climáticas nas lavouras. Estudos conduzidos por entidades do setor e instituições acadêmicas podem beneficiar agricultores e consumidores.

Isso porque a agricultura é especialmente vulnerável a eventos extremos, tais como períodos prolongados de chuva, estiagem e temperaturas muito altas ou baixas. Mas 44% dos brasileiros, segundo pesquisa recente do Ipec, não relacionam a alta dos preços de alimentos ao clima. Naturalmente, há outras razões, como custo do frete, sazonalidade da produção e combustíveis. Mas não é mais possível negar que certos itens sofrem bastante com a forte oscilação de fatores naturais.

Nos últimos 12 meses, por exemplo, o mamão, o maracujá, o morango e todos os tubérculos subiram quase 40%, bem acima da inflação oficial (IPCA). Nesses casos, o clima foi determinante.  As chamadas quebras de safra prejudicam o fornecimento desses gêneros alimentícios, gerando desequilíbrio de valores quando comparados a outros produtos.

Na tentativa de equacionar esses problemas, cientistas brasileiros desenvolvem novas gerações de plantas, no Laboratório de Meio Ambiente da Embrapa, em Jaguariúna (SP). Uma bactéria extraída do mandacaru, espécie típica do semiárido nordestino, já é aplicada com sucesso em plantações de milho. Sob condições de seca, esse agente produz substâncias que hidratam a raiz, fazendo-a crescer mais à procura de nutrientes e água, suportando por mais tempo a estiagem. Apenas 4 ml de líquido contendo a bactéria são misturados a um 1 Kg de sementes. A descoberta é resultado de doze anos de pesquisa.

A nova tecnologia já foi registrada no Ministério da Agricultura para, além do milho, ser usada na soja. Também já foram feitos testes em culturas de cana de açúcar e café. Todos esses produtos são seguros e abrem novos horizontes de pesquisa para enfrentar as mudanças no clima. Extraídos da própria natureza, não trazem risco à saúde humana e já minimizam, sobretudo, os efeitos da seca em várias regiões do País.

Giampaolo Pellegrino*, pesquisador da Embrapa, conversou com a SNA sobre esses novos paradigmas, ressaltando que certas culturas tendem a migrar para regiões mais moderadas em termos de temperatura, para fugir dos extremos de frio e calor. Além desse movimento, há a questão do desequilíbrio trazido por eventos esporádicos, como secas ou enchentes, que impactam gravemente a produção. Para ele, a abordagem deve acompanhar as vertentes de mitigação, isto é, reduzir os efeitos inerentes à própria atividade agrícola, como as emissões de carbono; e de adaptação, ou seja, adequar os métodos e técnicas às situações ligadas ao aumento médio da temperatura global e sua repercussão.

Nesse sentido, ele salienta que o melhor controle dos recursos hídricos é fundamental, pois a disponibilidade de água tende a cair em muitos dos cenários de oscilação climática. Pellegrino destaca também o Plano ABC da Embrapa, que busca justamente fomentar as práticas sustentáveis como estratégias de recuperação de pastagens e tratamento de dejetos animais. Adotadas em larga escala, possuem grande potencial de mitigação de emissão de gases geradores do efeito estufa.

Pellegrino aponta o sistema de plantio direto, e a fixação biológica de nitrogênio como bons exemplos em que o manejo e o aprimoramento genético caminham juntos, uma vez que a matéria orgânica é preservada sem o revolvimento do solo, enquanto as raízes não precisam de tanto fertilizante, já que as substâncias são inoculadas nas raízes.

Por fim, Pellegrino lembra que todo esse conjunto visa também aumentar a competitividade do setor, além de cumprir as metas assumidas pelo Estado Brasileiro em acordos internacionais. Ele explica, também, a Integração – Lavoura – Pecuária – Floresta (ILPF), uma forma de diversificação e intensificação da produção, com aumento de renda, manejo mais qualificado e eficiente, maior sustentabilidade e adaptação do sistema produtivo. Com efeito, há menos emissões e um balanceamento mais equilibrado de carbono.

*Giampaolo Queiroz Pellegrino é pesquisador da Embrapa Agricultura Digital na área de Mudanças Climáticas Globais e coordenador do Portfólio de Pesquisa em Mudanças Climáticas da Embrapa. É engenheiro florestal pela USP, com mestrado em agronomia, também pela USP, e doutorado em Engenharia Agrícola pela Unicamp. Sua experiência tem ênfase em Agrometeorologia, atuando principalmente nos temas mudanças climáticas globais e seus impactos na agricultura; análise de tendências; modelagem ambiental e simulação de cenários.

Fonte: Mais Soja via Marcelo Sá/Equipe SNA Foto: Divulgação

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Brasil lidera e é referência no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para produção de soja

O Brasil produziu mais de 150 milhões de toneladas de soja, na safra 2022/23, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), número que mantém o País na liderança mundial da produção desse grão, seguida dos Estados Unidos e da Argentina. O sucesso da sojicultura brasileira é resultado de amplos investimentos em pesquisa, a partir da década de 1970, associado ao empreendedorismo dos agricultores.

Como integrante de uma cadeia produtiva bastante robusta e organizada, a Embrapa Soja vem liderando redes de pesquisa para geração de soluções sustentáveis para incrementar a produção da soja, reduzir os custos de produção, aumentar a renda dos produtores e colaborar com práticas que favoreçam a agricultura de baixo carbono. “Entendemos que nossa contribuição ao agronegócio da soja coloca a Embrapa como referência mundial no desenvolvimento de tecnologias para a cultura em regiões tropicais”, avalia o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno. “Todo o esforço em tropicalizar esta cultura permitiu ao Brasil deixar de ser importador do grão, na década de 1970, para se tornar o maior produtor e exportador de soja no mundo. Isso tudo respaldado em ciência e inovação”, comemora Nepomuceno.

Levantamento da Embrapa Soja indica que a cultura da soja foi a que mais cresceu no Brasil nas últimas cinco décadas, tanto que de 1973 até 2023, a produção aumentou mais de 1000% sendo que a área em pouco mais de 400%, demonstrando o aumento de produtividade. “Podemos afirmar que o incremento contínuo da produtividade da soja por hectare é baseado em ciência e tecnologia, permitindo que os produtores adotem as melhores tecnologias na produção agrícola brasileira. O Brasil consegue, assim, produzir mais em menos espaço e com bastante eficiência”, destaca Nepomuceno. Atualmente a soja é cultivada em 20 estados e no Distrito Federal e os principais estados produtores são: Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás. Grande parte da produção brasileira é exportada para a Ásia (com destaque para a China) e Europa, entre outras regiões do planeta.  

Tropicalização da soja

Fundada em 16 de abril de 1975, em Londrina (PR), a Embrapa Soja tem por missão desenvolver tecnologias sustentáveis para a produção de soja no Brasil. Até a década de 1980, os plantios comerciais de soja no mundo restringiam-se a regiões de climas temperados e subtropicais, cujas latitudes estavam próximas ou superiores aos 30º. “O produtor brasileiro tinha que usar as cultivares importadas dos Estados Unidos que eram adaptadas apenas para a região Sul do Brasil”, explica o pesquisador Carlos Arrabal Arias. “Com as pesquisas da Embrapa Soja, conseguimos romper essa barreira, desenvolvendo variedades adaptadas às condições tropicais com baixas latitudes, permitindo o cultivo da oleaginosa em todo o território brasileiro”, conta Arias.

Segundo o pesquisador, a primeira cultivar genuinamente brasileira foi a Doko, lançada em 1980, para o Brasil Central. “Depois desse lançamento, o programa de melhoramento genético de soja continuou gerando novas cultivares com alto rendimento, com sanidade elevada e adaptadas às regiões do Brasil”, explica Arias. A Embrapa é uma das únicas instituições que desenvolve diferentes plataformas tecnológicas em paralelo: tanto soja convencional com resistência a várias pragas e doenças, quanto soja geneticamente modificada resistente a insetos e herbicidas. Desde 1976, a Embrapa Soja colocou no mercado aproximadamente 440 cultivares de soja. As cultivares da Embrapa Soja disponíveis no mercado podem ser acessadas aqui. Atualmente, a Embrapa Soja faz a curadoria de um dos maiores Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) de soja do mundo. O BAG brasileiro tem mais de 65 mil acessos (tipos) de soja que guardam a variabilidade genética do grão, garantindo assim uma fonte para a busca de soluções para problemas que afetam a cultura.

Sustentabilidade do cultivo

Além do desenvolvimento de novas cultivares, a Embrapa Soja tem preconizado práticas de manejo responsável que vão desde a semeadura até a pós-colheita da soja. “As tecnologias são colocadas a serviço da sustentabilidade dos sistemas de produção, atendem diversos perfis e tamanhos de propriedades agrícolas, contribuem para a rentabilidade do produtor, para a preservação do meio ambiente e para a geração de benefícios para toda a sociedade”, explica, Adeney de Freitas Bueno, chefe de Pesquisa & Desenvolvimento da Unidade.

A expansão da cultura da soja está associada diretamente à adoção do Sistema Plantio Direto (SPD), que é embasado na redução do revolvimento do solo com a preservação de sua cobertura por plantas cultivadas ou seus resíduos vegetais e na rotação de culturas. “O SPD reduz a erosão e gera economia de corretivos, fertilizantes e operações de preparo de solo, além de permitir maior armazenamento de água no solo beneficiando a cultura em momentos de seca”, explica o pesquisador Alvadi Antonio Balbinot, da Embrapa Soja.

A pesquisa colaborou ainda nas últimas cinco décadas com um conjunto de recomendações para equalizar o uso dos solos brasileiros, especialmente os que têm elevada acidez e baixa fertilidade natural, a partir da aplicação de calcário e fertilizantes com base em critérios técnicos. “Essas recomendações colaboraram com as ações que permitiram o cultivo da soja no Cerrado brasileiro”, diz o pesquisador Adilson de Oliveira Jr.

Outra contribuição ao sistema produtivo da soja foi a inoculação com bactérias fixadoras de N (rizóbios). Essa solução propicia uma economia anual estimada em R$ 72,7 bilhões por safra, ao dispensar o uso de adubos nitrogenados. Em 2014, a Embrapa Soja identificou outra bactéria benéfica que estimula o crescimento da soja (Azospirillum). A associação dessas bactérias resulta em ganhos de produtividade da ordem de 16%, por ano. A fixação biológica de nitrogênio utilizada na cultura da soja também permite redução de emissão de gases de efeito estufa.

Os pesquisadores da Embrapa Soja geraram, ainda, tecnologias que propiciam os manejos integrados de insetos-praga, doenças e plantas daninhas, por meio de diferentes métodos – químicos, mecânicos, biológicos e culturais – para prevenir e controlar esses problemas, viabilizando a produção de soja nas diferentes condições de solo e de clima do Brasil. A adoção do Manejo Integrado de Insetos (MIP-Soja) permite reduzir o uso de inseticidas na lavoura em 50%, garantindo maior lucratividade ao sojicultor, além de maior preservação ambiental.

Nos últimos 50 anos, a pesquisa brasileira também gerou tecnologias para melhoria da qualidade das sementes de soja. “O uso de sementes com alto vigor promove ganhos de produtividade superiores a 9%, comparativamente ao uso de sementes com baixa qualidade”, destaca o pesquisador José de Barros França Neto.

Novos desafios, novas soluções

Para colaborar com sustentabilidade produtiva da soja, atualmente, a Embrapa vem direcionando suas ações em quatro eixos de pesquisa: Genética Avançada, Bioinsumos, Soja Baixo Carbono e Agricultura Digital. Pesquisas vêm sendo direcionadas para aumentar a participação de insumos biológicos no controle de insetos-praga e doenças e na promoção do crescimento de plantas, bem como a substituição de fertilizantes de origem não renovável por insumos de base biológica.

O programa Soja Baixo Carbono (SBC), lançado pela Embrapa Soja, objetiva atestar a sustentabilidade da produção de soja brasileira, sendo pautado na mensuração dos benefícios e na certificação das práticas de produção que reduzam a emissão de gases de efeito estufa.

Além disso, existe a revolução nos laboratórios, capitaneada pela edição de genomas. “Essa técnica vem permitindo a edição do genoma da soja, possibilitado deletar ou alterar pequenas partes do DNA da própria planta para alcançar características desejáveis. No Brasil, e em muitos países, a soja geneticamente editada pela tecnologia CRISPR/Cas, por exemplo, vem sendo considerada convencional, não transgênica, o que agiliza a sua inserção no mercado”, explica Nepomuceno.

 A transformação digital vem trazendo mudanças no campo, por meio de soluções de conectividade, sensoriamento remoto, sensores, drones, entre outras. “A agricultura digital potencializa o monitoramento das lavouras, a racionalização no uso de insumos facilitando e aumentando a eficiência do produtor em suas decisões, permitindo o incremento da produtividade e da rentabilidade”, defende Nepomuceno. “Com a condução integrada desses quatro eixos de pesquisa, estamos colocando a Embrapa Soja no enfrentamento de grandes desafios da contemporaneidade e na busca de soluções sustentáveis para o agronegócio da soja”, conclui o chefe-geral da Unidade.

Grão que alimenta

A soja é um alimento calórico-proteico, que apresenta entre 36% e 40% de proteína nos grãos, sendo a principal fonte de proteína de qualidade no mundo e disponível em grandes volumes. A leguminosa é a base das rações de animais, garantindo melhorias na qualidade da carne suína, bovina e de aves, assim como no leite, ovos e outros produtos de origem animal. Na alimentação humana, a soja é usada diretamente na culinária (grão, óleo, farinha, farelo, proteína isolada e lecitina) ou ainda como matéria-prima pela indústria alimentícia. A partir do desenvolvimento tecnológico, o grão passou a desempenhar múltiplas funções e usos, podendo ser utilizado também para produção de biocombustível, indústria cosmética, produtos terapêuticos, pneus, além de outros usos não convencionais.

Fonte e Foto: Embrapa

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Governo faz ajustes em programas de concessão de crédito rural

O Ministério da Fazenda divulgou nesta segunda-feira (24) mudanças nas operações de crédito voltadas às atividades da agropecuária e agricultura familiar. As mudanças atingem o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e Proagro Mais.

A resolução do Conselho Monetário foi editada pelo Banco Central na última quinta-feira (20), mas foi publicada na edição do Diário Oficial da União de hoje.

Entre as mudanças divulgadas está a proibição de concessão de crédito do Pronamp para aquisição de máquinas e equipamentos que possam ser financiadas pelo Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota). Nesse caso, produtores rurais e cooperativas agrícolas com renda bruta anual de até R$ 45 milhões permanecerão financiando tratores, pulverizadores, semeadeiras, colheitadeiras e equipamentos para beneficiamento agrícola pelo programa instituído pelo Banco Central desde 2002.

Outra mudança, realizada no Manual de Crédito Rural (MCR) foi o estabelecimento de índices mínimos de nacionalização e potência máxima, nesse caso, 80 cavalos-vapor, para tratores e motocultivadores que venham a ser financiados pelo Pronaf, além da dispensa do Credenciamento de Fabricantes Informatizado (CFI) para financiamento de motores de embarcações, o que não ocorre para os demais equipamentos financiáveis.

Também atribui ao Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) os critérios para enquadramento de empreendimento no Proagro e Proagro Mais, que tenham sistema de produção de base agroecológica, ou em transição. Na regra anterior, essa atribuição era estabelecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Esses critérios garantem aos empreendimentos que se enquadrem nesse perfil a aplicação da alíquota básica de apenas 2% na participação dos programas.

Fonte: Agência Brasil Foto: Wenderson Araújo

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Demanda por soja brasileira está aquecida

A disputa entre compradores domésticos e externos pela oleaginosa resultou em alta nos preços nacionais, que alcançaram, na semana passada, os maiores patamares nominais desde abril/23, conforme dados do Cepea.

Veja as cotações da soja aqui.

Conforme dados do boletim informativo do Cepea, os preços do farelo de soja também subiram nos últimos dias. Além das influências da alta da matéria-prima e da valorização externa do derivado, a demanda pelo produto brasileiro segue aquecida, tanto por parte de compradores domésticos quanto de externos. Já os preços do óleo de soja caíram, influenciados pela retração de grande parte dos compradores. 

Fonte: Agrolink Foto: Divulgação

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Feijão, por Ibrafe: Produtores e empacotadores estão mais aliviados com o retorno de negócios de R$ 240

Produtores e empacotadores estão mais aliviados com o retorno de negócios ao redor de R$ 240, já bem mais perto dos R$ 250, o mínimo almejado pelos produtores e o piso ideal para os empacotadores, que prefeririam estar comprando a R$ 300. Eu explico.

O empacotador de tamanhos médio e grande não especula comprando mais baixo para vender quando sobe. Tanto é assim que todos conhecemos empresas que compram praticamente todo dia, dado o volume que necessitam. O seu faturamento diminui quando o preço diminui ao produtor, mas as despesas se mantêm e a margem diminui. Com os supermercadistas ocorre o mesmo. Atingir metas da seção de mercearia das grandes redes quando os preços diminuem exige divulgar ainda mais e, com isso, promover para fazer volume. Por isso, todos sentem um pequeno alívio no segundo semestre, quando a produção passa a ser originada em áreas irrigadas onde há um número menor de produtores e, invariavelmente capitalizados, conseguem evitar oscilações ainda mais fortes.

Então não temos problemas, certo? Errado. Ainda temos um mal a ser eliminado. Especuladores que enchem de foguinho e setas num dia defendendo que o Feijão no mundo acabou, que algo que nunca se viu está acontecendo e que os preços vão ser os maiores desde que Moisés saiu do Egito. E no outro, incrível, todos os estados vão produzir e nem vai valer a pena colher. Isso é crime previsto em lei. As tais fake news são coibidas com a lei e implicam, se houver prejuízo comprovado, em prisão. Portanto, leve seu boletim de duas semanas atrás, que comentava que o desastre era iminente, e os do final da semana passada, quando parece agora que o céu será o limite, e registre um B.O.

Fonte: Ibrafe Foto: Divulgação

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Colheita de milho 2ª safra 2023 no centro-sul do Brasil atinge 47%, diz AgRural

A colheita de milho segunda safra 2023 alcançou 47% da área cultivada no centro-sul do Brasil até a última quinta-feira, um avanço de 11 pontos percentuais em relação ao registrado na semana passada, mas ainda com atraso frente aos 62% observados há um ano, disse a consultoria AgRural nesta segunda-feira.

Segundo a consultoria, o ritmo dos trabalhos foi puxado novamente por Mato Grosso e Goiás, onde o tempo mais seco favorece a perda de umidade dos grãos e a entrada das máquinas em campo.

Já em outros Estados, como no Paraná e no Mato Grosso do Sul, a colheita ainda não deslanchou devido à combinação de plantio tardio e alta umidade dos grãos causada por chuva e pelas temperaturas baixas em julho.

Fonte: Portal do Agronegócio via Reuters Foto: Divulgação

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Paraná e Rio Grande do Sul impulsionam Brasil rumo à autossuficiência na produção de trigo

Após décadas de dependência extrema do trigo importado, principalmente da Argentina, Estados Unidos e do Leste Europeu, o Brasil se aproxima da autossuficiência na produção para abastecimento do país e até sinaliza para o mercado de exportações. Segundo as principais consultorias do agro, como a StoneX, a previsão de colheita no atual ciclo pode alcançar 11,3 milhões de toneladas, superando a última safra que foi de cerca de 10 milhões de toneladas, conforme registro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projeta 10,5 milhões/ton para novo ciclo. O Brasil consome, por ano, de 11,5 milhões de toneladas a 12 milhões de toneladas.

As estatísticas oficiais divulgadas Pela Conab e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), desde o ano de 1970, apontam para recordes nos indicadores de produção e de áreas de cultivo, o que já aconteceu no período de 2021/22 e deve se repetir neste ano.

Maiores produtores do país, Rio Grande do Sul e Paraná, que caminham para a conclusão da semeadura, devem colher mais de 10 milhões de toneladas, se somado o volume de produção dos líderes no cultivo de trigo entre os estados brasileiros.

Política de incentivo no RS

O grande filão do cultivo está na região Sul do Brasil, destacada pelos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Juntos os dois prometem colher 90% de toda produção nacional que vem sendo estimada por consultorias.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, onde se espera entre a primeira e segunda melhor safra do cereal da história, a expectativa de produção é de 5,7 milhões de toneladas, muito próximo à registrada no ano passado. A avaliação é do coordenador da Câmara Técnica do Trigo, Tarcísio José Minetto, do Sistema Ocergs, a Organização Cooperativa.

Segundo o coordenador, o estado tem investido e incentivado o cultivo do cereal como opção de renda e de rotação de cultura. “Com isso, nossa estimativa é para que em um, no máximo dois anos, a produção (nacional) alcance e mantenha a autossuficiência. Em encontro recente com técnicos da Embrapa no Rio Grande do Sul foi possível avaliar que, em cinco anos sejamos autossuficientes e tenhamos um volume importante para exportação”, projetou.

Com o envolvimento de entidades ligadas ao agro, o Estado lançou o Programa Duas Safras que estimula a triticultura no inverno e isso justificaria, segundo Minetto, o avanço das lavouras, ano após ano. “Na safra de verão, o Rio Grande do Sul cultiva de 8 milhões a 8,5 milhões de hectares, enquanto no inverno vinha cultivando apenas 15% disso. Com os incentivos e estímulos, já plantamos em torno de 25% das áreas. Nesta safra, destinamos somente para a cultura do trigo cerca de 1,5 milhão de hectares”, ressaltou.

Na avaliação de Minetto, a produção estimada depende do comportamento climático nos próximos meses. “Mas se o clima contribuir, e esperamos que assim seja, teremos uma ótima produção, similar à registrada no ano passado, o que é expressivo e importante não só para o Rio Grande do Sul, mas para o Brasil”, reiterou.

O avanço da triticultura gaúcha já torna o estado o maior exportador do cereal no país. Ano passado, segundo o coordenador da Câmara Técnica, foram 3 milhões de toneladas vendidas a 14 países.

Paraná: maior safra da história

O Paraná, segundo maior produtor de cereal do Brasil, deverá colher a maior safra da história: 4,5 milhões de toneladas de trigo, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). Em 2022, o estado produziu cerca de 3,8 milhões de toneladas. “O Paraná teve uma ótima safra em 2022 e, mais uma vez, tudo se desenha para uma colheita histórica se as condições climáticas permitirem”, comentou o secretário de Estado de Agricultura, Norberto Ortigara.

“O trigo passou a ser menos atrativo ao produtor nas últimas décadas, com baixa cotação e falta de política de incentivo. Precisamos de ações para mantermos as plantações”, acrescentou.

Ortigara ainda lembra que, na última década, se tornou mais vantajosa a importação, tanto pelo preço quanto pela qualidade do produto, situação que se inverteu nos últimos três anos.

“A cotação do cereal como de outras comodities subiu muito nos últimos anos por conta da pandemia de covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia. Internamente tivemos muitas pesquisas (pela Embrapa) que resultaram em um trigo de excelente qualidade”, explicou.

Fonte: Gazeta do Povo Foto: Gilson Abreu/AEN

O Café do Norte Pioneiro foi o primeiro produto a obter o registro de Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).  -  Foto:  Emater de Carlópolis

Maior prêmio do segmento, Café Qualidade Paraná 2023 está com as inscrições abertas

Cafeicultores interessados em disputar o prêmio Café Qualidade Paraná 2023 já podem fazer a inscrição, gratuita, até o dia 2 de outubro, em qualquer unidade municipal do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater). Podem participar proprietários, meeiros, arrendatários e parceiros. Esse é o evento mais importante do segmento no Estado. Ele revela novos talentos da cultura que está ligada à história do Paraná.

É possível concorrer com cafés que passaram por processamento natural – ou via seca, em que os grãos são secados inteiros, ou cereja descascado – e pela chamada via úmida, método em que a polpa do fruto é retirada antes da secagem.

Em ambas as categorias o produtor deve atentar para o tamanho do lote, que pode ter de uma a cinco sacas (60 quilos) beneficiadas. Os grãos devem ter peneira 16 ou superior, menos de 11,5% de umidade e apresentar no máximo 12 defeitos.

Os lotes inscritos passam inicialmente por uma avaliação física para detectar alterações no produto – como grãos quebrados ou avariados por insetos – com base na Classificação Oficial Brasileira (COB). Na segunda avaliação, a prova de xícara, realizada com a metodologia da Associação de Cafés Especiais (SCA, na sigla em inglês), são analisados aroma, doçura, acidez, corpo, sabor, gosto remanescente e balanço da bebida.

Em cada categoria, os finalistas classificados até o terceiro lugar têm garantida a compra de seu lote pela cotação da Bolsa de Valores (B3) no dia anterior à data do encerramento do concurso, acrescido de um ágio mínimo de 50%.

A íntegra do regulamento pode ser conferida em www.cafequalidadeparana.com.br.

O concurso Café Qualidade Paraná é patrocinado pela Amiste Cafés, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Bratac, Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa), Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Crea-PR, Federação de Agricultura do Paraná (Faep), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Grupo Dois Irmãos, Integrada Cooperativa Agroindustrial, e Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Prefeitura de Mandaguari, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi) e Sociedade Rural do Paraná (SRP).

O certame é uma realização da Câmara Setorial do Café do Estado do Paraná, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e Associação dos Engenheiros-Agrônomos de Londrina.

Serviço:

21° Concurso Café Qualidade Paraná

Inscrições: até 2 de outubro, nos escritórios municipais do IDR-Paraná

Mais informações: www.cafequalidadeparana.com.br

Fonte: AEN Foto: Emater/Carlópolis