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Região de Ponta Grossa deve assumir liderança na produção estadual de cevada

A região de Ponta Grossa deve assumir a liderança na produção de cevada na safra que começa a ser plantada agora. A primeira mostra é que a semeadura já iniciou nessa regional, representando uma alteração importante. Normalmente, o plantio começava em maio pela região de Guarapuava, que no ano passado foi a maior produtora.

A alternância no espaço ocupado pela cevada no Paraná é uma das informações que estão no Boletim de Conjuntura Agropecuária referente à semana de 12 a 18 de abril. O documento é preparado pelos técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Na regional de Guarapuava, a Cooperativa Agrária centraliza os trabalhos de processamento e, em 2023, concentrou 48% (134 mil toneladas) das 278 mil toneladas de cevada produzidas no Estado. A região vizinha de Ponta Grossa, por sua vez, foi responsável pela produção de 109 mil toneladas (39%). No entanto, a estimativa para este ano é que haja redução de 16% na área total dedicada a essa cultura no Estado, caindo de 87,2 mil hectares para 73,4 mil. A maior queda é justamente no núcleo de Guarapuava, saindo de 43,2 mil hectares para 26 mil, ou 40% a menos.

Em compensação, a região de Ponta Grossa tem expectativa de acréscimo de 10%, passando de 31,7 mil hectares para 35 mil. Isso se deve principalmente à instalação da Maltaria Campos Gerais, a maior da América Latina. Fruto de investimentos de R$ 1,6 bilhão das cooperativas Agrária, Coopagrícola, Capal, Bom Jesus, Frísia e Castrolanda, a previsão é produzir 240 mil toneladas de malte por ano.

Os demais núcleos regionais produtores em menor escala são Curitiba, Irati, Jacarezinho, Pitanga, Apucarana, União da Vitória, Pato Branco e Francisco Beltrão.

Milho e Soja

O boletim apresenta, ainda, a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de que a produção de soja no Brasil será de 146,5 milhões de toneladas. Mato Grosso manterá a liderança, com potencial participação de 26% desse total. Mesmo com os problemas climáticos, o Paraná segue entre os principais produtores.

A previsão para a produção nacional de milho é de 110,9 milhões de toneladas, com Mato Grosso novamente liderando. O Paraná deve ocupar a segunda posição. No entanto, a segunda safra brasileira foi prejudicada pelo clima e a tendência é que nas próximas estimativas os números sejam revisados para baixo.

Fonte: AEN Foto: Gilson Abreu/AEN

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Preço da soja subiu no Paraná

A saca de 60 quilos de soja está cotada, nesta quinta-feira (18), a R$ 128,55, em baixa no litoral do Paraná (Paranaguá). 

Já entre diferentes cidades do interior do Paraná, a saca de 60kg é negociada a R$ 124,42. Para esta região, houve alta de preços.

O preço do trigo subiu no Paraná e no Rio Grande do Sul, onde as toneladas são negociadas a R$ 1.272,40 e R$ 1.214,80. 

Os valores são do Cepea.

Fonte: Brasil 61 Foto: Agência Brasil

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Anec eleva previsão de exportações de soja em abril, para até 14,34 milhões de t

O Brasil deve exportar entre 13 milhões e 14,34 milhões de toneladas de soja em abril, de acordo com atualização da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O volume é superior à estimativa da semana passada, quando eram previstos embarques de 12,73 milhões de toneladas.

Para o farelo de soja, a previsão de embarques também aumentou, para 2,58 milhões de toneladas, contra 2,44 milhões de toneladas previstas há uma semana.

Câmara aprova projeto que dá benefício fiscal a produtores de milho

As exportações de milho devem se manter em 26,72 mil toneladas, enquanto a previsão para o trigo caiu para 110,59 mil toneladas, contra 140,59 mil toneladas estimadas na semana passada.

Na semana de 7 a 13 de abril, foram exportados 2,95 milhões de toneladas de soja, 371,20 mil toneladas de farelo e 24,14 mil toneladas de trigo, sem registros para o milho.

Para a semana corrente, entre 14 e 20 de abril, a Anec estima embarques de 3,32 milhões de toneladas de soja, 683,71 mil toneladas de farelo e 26,72 mil toneladas de milho, sem previsão de embarques para o trigo. As estimativas são feitas com base na programação portuária dos navios.

Fonte: Canal Rural/Estadão Conteúdo Foto: Ivan Bueno

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Com safra batendo na porta, robusta atinge recordes e arábica avança mil pontos

A quarta-feira (17) está sendo mais um dia de grandes emoções para o produtor de café. Desde as primeiras horas da manhã, os preços avançam com suporte na preocupação com a oferta global, com o robusta ultrapassando os US$ 4 mil a tonelada e o arábica buscando 240 cents/lbp em Nova York. As variações chamam atenção do setor já que o Brasil se prepara para o início da colheita e o mercado tem a expectativa de volumes mais significativos na safra 24.

Por volta das 12h30 (horário de Brasília), no terminal de Londres, o conilon para julho/24 avançava US$ 161 por tonelada, negociado por US$ 4138, setembro/24 tinha alta de US$ 161 por tonelada, cotado por US$ 4057, novembro/24 tinha alta de US$ 155 pontos, valendo US$ 3949 e janeiro/25 avançava US$ 143 por tonelada, negociado por US$ 3827.

Em Nova York, julho/24 tinha alta de 1115 pontos, negociado por 239,70 cents/lbp, setembro/24 tinha valorização de 915 pontos, cotado por 236 cents/lbp, dezembro/24 tinha alta de 880 pontos, cotado por 234,90 cents/lbp e março/25 teve alta de 860 pontos, valendo 233,40 cents/lbp.

De acordo com analistas ouvidos pelo Notícias Agrícolas, não há mudanças nos fundamentos do mercado. O setor continua preocupado com a seca no Vietnã – que já participa pouco do mercado e está em fase de florada. A partir de agora as chuvas são determinantes para o país asiático buscar alguma recuperação na produção. Os difenciais deixam o café do Brasil mais competitivo e o dia está sendo movimentado para o setor.

Além disso, alguns analistas afirmam que a previsão de frio para o Brasil nos próximos dias também ajudam a impulsionar as cotações, apesar de os modelos meteorológicos, até a manhã desta quarta-feira (17), não indicarem riscos para geadas com intensidade forte em áreas do parque cafeeiro. As condições do tempo continuam sendo monitoradas e o produtor segue se preparando para o início da colheita.

Dando suporte aos preços, pesquisas recentes mostram que o consumo de café continua evoluindo. Durante a Covid-19 a demanda se manteve estável e a expectativa do setor é que a partir de agora ela seja mais aquecida. Segundo dados da Circana, importantes polos consumidores como Estados Unidos registraram avanço no consumo da bebida.

Fonte: Notícias Agrícolas Foto: Divulgação

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Feijão-carioca danificado influencia mercado

O Instituto Brasileiro de feijão e Pulses (Ibrafe) divulgou recentemente informações cruciais sobre o mercado de feijão, destacando um desafio significativo enfrentado pelos produtores e empacotadores: o feijão-carioca danificado está exercendo uma pressão negativa sobre os preços médios este ano.

Comparando os dados do ano anterior com o volume disponível a cada mês, torna-se evidente que a presença do feijão-carioca danificado está impactando as médias de preços, impedindo uma queda natural nas cotações, especialmente nos lotes de melhor qualidade.

Este período representa um momento crítico para o mercado, com agentes do setor, incluindo produtores e empacotadores, já operando nos limites de preços possíveis. Apesar dos compromissos financeiros típicos deste período, os valores em torno de R$ 250 para feijões de qualidade mediana e aproximadamente R$ 300 para os de melhor qualidade parecem razoáveis.

Entretanto, é crucial ressaltar que essas estimativas são baseadas na premissa de que a qualidade do produto permaneça mediana no Paraná e que não ocorram perdas significativas devido às condições climáticas. “Observando e comparando os preços praticados no ano passado e o volume disponível a cada mês vê-se que o Feijão-carioca danificado puxou para baixo a media de preços este ano. Este pode ser um argumento para frear a natural tendência de queda nas cotações, nos lotes de melhor qualidade. Este  é o período crítico do ano em termos de disponibilidade os agentes do mercado, produtores e empacotadores já estão no limite possível dos preços’, conclui.

Fonte: Agrolink/Leonardo Gottems Foto: Divulgação

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Valor bruto da produção ultrapassa R$ 1,14 trilhão em março

Valor Bruto da Produção (VBP) em março deste ano foi de R$1,147 trilhão. As lavouras participaram com R$ 775,8 bilhões (67,6%) e a pecuária R$ 371,4 bilhões (32,4%). Nos últimos cinco anos o VBP cresceu 12,5%, influenciado por aumento de 36,7% da cana-de-açúcar, 55,6% do cacau, 21% do arroz e, 50% da mandioca.

Em março, a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e a laranja foram responsáveis por 52% do valor total. Na pecuária, bovinos, aves e suínos representaram 25%.

No comparativo do mesmo período do ano anterior, o resultado apresenta redução de 1,4%. As lavouras sofreram diminuição no VBP de 4,4% no mês, influenciada por clima desfavorável e queda de preços, principalmente soja e milho. Já a pecuária apresentou aumento de 5,5%, favorecido pelo crescimento na suinocultura (65,4%) e avicultura (9,2%).

Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, a atividade da agricultura e pecuária, apesar da queda no VBP em março, vem mostrando resiliência conseguindo desempenho relevante mesmo nestes momentos de crise climática e de rebaixamentos preços dos grãos, mantendo, pelo 5º ano seguido, valor acima de um trilhão de reais.

O arroz aumentou 21,8%, o feijão 18,2% e o café 17%, por conta da alta nos preços no mercado externo para o arroz e café e, redução na estimativa de produção do feijão, na segunda safra. No caso das lavouras, a cultura que teve maior redução no VBP foi a soja, com 19,8%, seguida pelo milho com 10,8%.

O Valor Bruto da Produção calcula o volume financeiro apropriado pela agricultura e pecuária brasileira, baseado na variação dos preços e da quantidade estimada de produção.

O que é o VBP?

O VBP mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária no decorrer do ano, correspondente ao faturamento dentro do estabelecimento. É calculado com base na produção agrícola e pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país dos 26 maiores produtos agropecuários nacionais.

O valor real da produção é obtido, descontada da inflação, pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A periodicidade é mensal com atualização e divulgação até o dia 15 de cada mês.

Fonte e Foto: Ministério da Agricultura

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Congresso Brasileiro de Sementes 2024

Com o “Sementes: A Matéria-prima da Sustentabilidade”, a Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (ABRATES) promove um dos eventos mais significativos do setor de agronegócio no Brasil. Trata-se do Congresso Brasileiro de Sementes que será realizado em Foz do Iguaçu, de 10 a 13 de setembro de 2024, nas instalações do Rafain Palace Hotel.

O encontro tem como objetivo discutir o papel das sementes na geração de inovação, qualidade e rentabilidade para o setor agrícola, bem como na preservação dos recursos naturais e da biodiversidade.

Para inscrições e mais informações: https://cbsementes.com/

Soja

Comercialização da soja brasileira safra 2023/24 alcança 41,6% da produção estimada

Levantamento realizado pela DATAGRO Grãos mostra que, até o dia 5 de abril, a comercialização brasileira da safra 2023/24 de soja alcançou 41,6% da produção esperada, abaixo dos 43,0% observados em igual período do ano passado, além de muito distante dos 71,5% do recorde da safra 2019/20 e dos 57,6% da média dos últimos cinco anos.

Porém, o avanço mensal foi de 8,4 pontos percentuais, bem superior aos 2,2 p.p. registrados no mês anterior, apesar de aquém dos 9,2 p.p. em 2023 e dos 9,1 p.p. da média normal. “O ritmo melhor dos negócios ficou dentro de nossa expectativa, pois a valorização dos preços foi confirmada, além de absorver a alavancagem de recursos para a compra de insumos da safra de inverno e da safra 2024/25”, comenta Flávio Roberto de França Junior, economista e líder de conteúdo da DATAGRO Grãos.

Considerando a atual estimativa de produção em 146,3 milhões de toneladas, os produtores brasileiros negociaram, até a data analisada, 60,9 mi de t de soja. Em igual período do ano passado, esse volume de produção negociado estava maior em termos relativos e absolutos, chegando a 68,9 mi de t.

Safra 2024/25

As negociações da safra 2024/25 também andaram um pouco melhor no período analisado. O levantamento da DATAGRO Grãos aponta para 2,7% da expectativa de produção compromissada, salto mensal de 1,4 p.p., acima dos 0,9 p.p. em semelhante época do ano passado, mas abaixo dos 3,1 p.p. da média plurianual. Dessa maneira, o fluxo está aquém dos 4,3% compromissados em 2023 e muito distante dos 19,9% do recorde da safra 2020/21, além de abaixo dos 9,8% da média plurianual.

 Conforme exercício inicial realizado pela consultoria – a intenção de plantio sai em julho –, a projeção para safra 2023/4 é de 160,5 mi de t, o que representaria um crescimento de 9% ante a temporada atual.

Milho

As negociações da safra 2023/24 do milho de verão no Centro-Sul do Brasil também andaram de forma mais acelerada no período analisado. O levantamento da DATAGRO Grãos aponta para 19,9% da expectativa de produção compromissada, salto mensal de 8,4 p.p., acima dos 5,4 p.p. apontados no levantamento anterior, mas abaixo dos 16,0 p.p. em semelhante época do ano passado e dos 14,7 p.p. da média plurianual. Dessa forma, a comercialização se encontra aquém dos 25,5% compromissados em igual momento de 2023 e muito distante dos 36,0% da média normal.

“Em números absolutos, temos vendas de 3,6 mi de t, de uma safra de 18,2 mi de t. Em 2023, nessa mesma época, tínhamos vendas de 5,1 mi de t”, comenta França Junior.

A comercialização da safra de inverno 2024 da região, estimada em 81,9 mi de t, chegou a 19,5%, contra 14,4% no levantamento anterior, 22,4% na mesma data do ano passado e média plurianual de 39,2%.

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Fonte: DATAGRO

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Custos de produção de soja recuaram em março

Segundo o Acompanhamento dos Custos das Produções Agropecuárias, os custos para a produção da safra 24/25 de soja registraram uma queda em março de 2024. O custeio da temporada foi projetado em R$ 4.098,87 por hectare, representando uma retração de 1,25% em relação ao mês anterior, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Essa redução nos custos foi impulsionada pela desvalorização de 2,54% nos preços dos fertilizantes e corretivos. Em relação ao Custo Operacional Efetivo (COE), este foi estimado em R$ 5.627,92 por hectare, uma queda mensal de 1,11%. Já o Custo Operacional Total (COT) apresentou um recuo de 1,00% em comparação com a estimativa de fevereiro de 2024, projetado em R$ 6.233,75 por hectare.

Apesar da redução nos custos em março de 2024, ao analisar o Ponto de Equilíbrio (PE) para a safra em sacas, observa-se que o produtor do estado precisará produzir, no mínimo, 57,09 sacas por hectare para cobrir o COE e, para o COT, a necessidade é de pelo menos 63,24 sacas por hectare.

Diante desse cenário, as atenções permanecem voltadas para o investimento dos produtores para a próxima safra, considerando as dificuldades decorrentes dos preços baixos, custos elevados e margens apertadas.

Fonte: Agrolink/Seane Lennon Foto: Pixabay

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Com leis e programas, Paraná celebra pioneirismo na difusão da agricultura que cuida do solo

Recurso essencial para a atividade agropecuária, o solo precisa de cuidados adequados, que reduzam riscos ambientais de degradação e garantam fertilidade e a segurança alimentar para a população. Em 15 de abril, celebra-se o Dia Nacional da Conservação do Solo, instituído pela Lei Federal n° 7.876, de 1989, com o objetivo de lembrar a importância das boas práticas de uso e manejo deste recurso natural.

Cinco anos antes, em 1984, o Paraná já criava uma lei estadual para preservação do solo agrícola. A Lei Estadual nº 8.014, que completa 40 anos em 2024, é considerada uma ferramenta de promoção da agricultura sustentável, e reforça sua validade em um momento de atenção para os efeitos das mudanças climáticas, que também impactam a atividade agropecuária, e de intensificação da erosão dos solos agrícolas.

O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, lembra que o Estado foi pioneiro no desenvolvimento de algumas práticas conservacionistas, a exemplo do plantio direto, quando a semente é colocada na terra sem revolvimento, mantendo a cobertura de plantas e resíduos vegetais que protegem o solo, e que revolucionou a forma de fazer agricultura tropical. O Governo também tem ampla participação em programas e pesquisas no setor.

“Poucos lugares do mundo tiveram, como nós tivemos, essa visão. Isso é motivo de orgulho, porque com conhecimento, inovação, ciência, nos tornamos um estado com produção relevante, diversificada, e com presença forte no mercado mundial”, afirma Ortigara. “Fica o nosso reconhecimento àqueles que constroem essa visão estratégica e um pedido de atenção para capricharmos cada vez mais nas formas de manejo de solo e da água, tão fundamentais para a vida, para o ambiente, e para o nosso negócio, que é produzir alimentos”.

Segundo ele, a agricultura atual se volta aos processos naturais, à redução da carga química. “Na minha visão, o que vai potencializar o novo salto qualitativo e quantitativo é exatamente a ideia de um solo com mais vida, mais matéria orgânica, mais carbono retido. Claro que isso se combina com outras técnicas, como permitir que a água infiltre, evitar erosão, evitar solos compactados, fazer rotação de culturas”, explica.

A conservação dos solos acontece quando o agricultor adota práticas como o não revolvimento dos solos, a rotação de culturas, uso de plantas de cobertura, uso racional de adubos, terraceamento, manejo integrado de pragas e doenças, e adequação de estradas, explica o engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento e secretário executivo do Prosolo, Antônio Ricardo Lorenzon. “Essas são algumas ações que diminuem a perda de solo e melhoram a qualidade dos recursos hídricos”, diz.

De acordo com Lorenzon, principalmente quando há uso intensivo de insumos, é necessário fazer um levantamento detalhado de solos, já que é possível encontrar diferentes tipos dentro de uma mesma paisagem – o que também exige adequação dos cuidados no uso e manejo.

Programas

O Paraná tem grande experiência na execução de programas de conservação do solo e da água, como o Estradas da Integração, que promove o controle da erosão por meio da redução da poluição dos cursos d’ água e melhoria da trafegabilidade de estradas rurais. Desde 2019, já são mais de 1,2 mil quilômetros de estradas rurais pavimentadas em todas as regiões do Paraná, com pelo menos 18 mil famílias beneficiadas.

O Estado também foi o primeiro a adotar os objetivos do Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil (PronaSolos), criando o PronaSolos Paraná, que desde 2018 reúne instituições parceiras para estudos sobre os solos brasileiros.

Por meio desse programa, recentemente uma ação conjunta entre Embrapa, Secretaria da Agricultura e Abastecimento, IDR-Paraná, Instituto Água e Terra (IAT) e Itaipu ajudou a mapear em torno de 10 mil quilômetros quadrados na Bacia do Paraná III. O trabalho foi feito na escala 1:50.000 (solos) e 1:5.000 (vegetação ciliar), e proporcionou a capacitação de aproximadamente 80 técnicos do governo estadual e da iniciativa privada por meio da 1ª Reunião de Correlação e Classificação de Solos e Vegetação Ciliar, que aconteceu em março, em municípios da região Oeste.

O levantamento, resultado de um trabalho de quase três anos, permite visualizar, com precisão, lagos, nascentes e rios, e seus padrões de distribuição. Com uma base de dados robusta, disponibilizada na plataforma GeoInfo – Infraestrutura de Dados Espaciais da Embrapa, o novo mapa hidrográfico pode subsidiar outras pesquisas e colaborar para a construção de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável.

Já o Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná (Prosolo) estabelece ações coordenadas entre órgãos públicos e privados para conservação do solo agrícola e da água, como estudos financiados pela Fundação Araucária e pelo Sistema Federação da Agricultura do Paraná e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faep/Senar). Há também ações de capacitação, com apoio do sistema Faep.

“Essas ações conjuntas são importantes ferramentas para o planejamento conservacionista, criando uma unidade de discurso que fortalece a difusão de tecnologia”, finaliza Lorenzon.

História

A ocupação dos solos do Paraná pela agricultura passou a se intensificar na década de 1960, com velocidade ainda maior nas décadas seguintes, explica o engenheiro agrônomo Oromar Bertol, diretor do Núcleo Estadual da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (Nepar-SBCS). “Na época, as práticas agrícolas adotadas no uso das terras, principalmente no preparo do solo e no plantio das culturas, estavam em desacordo com o clima dominante no Paraná. As práticas adotadas desprotegiam o solo por deixá-lo descoberto e pelo revolvimento intensivo”.

Como consequência, o Paraná enfrentou a intensificação da erosão hídrica, um fenômeno causado pelas chuvas e que pode ser considerado natural, mas que se torna intensa quando o solo  está desprotegido e desagregado. Ela remove a melhor camada de solo, reduz o valor da terra e sua capacidade de armazenar água, além de ocasionar contaminação das águas, assoreamento de rios, lagos, represas, soterramento das nascentes e desabastecimento de populações.

As dificuldades estavam principalmente em áreas com intenso uso e ocupação, como Oeste, Norte, Sudoeste e Noroeste do Estado. A intensificação desse problema faz com que o recurso se torne finito. “Em razão disso, cresceu a necessidade de o Paraná ter uma lei que protegesse um dos seus patrimônios mais importantes”, diz o engenheiro agrônomo.

Para Bertol, embora tenham se passado quatro décadas, a Lei nº 8.014 continua atual. Entre os exemplos, estão artigos que determinam a necessidade da participação dos poderes públicos estadual e municipal e da sociedade civil na preservação do solo; de integrar diferentes práticas conservacionistas; evitar as queimadas; evitar o desmatamento de áreas impróprias para a agricultura; promoção da educação conservacionista por parte da assistência técnica e extensão rural; e a realização de pesquisas por meio das instituições científicas.

Os especialistas enfatizam que a continuidade de ações em manejo conservacionista do solo pela sociedade como um todo é de grande importância para o Paraná. “Estamos falando de dois importantes recursos naturais, solo e água, que impactam na vida do produtor rural e da sociedade. Conciliar solos produtivos para agricultura e água de qualidade para a população é possível quando práticas adequadas são adotadas”, diz Bertol.

No entanto, muitos agricultores não têm adotado boas práticas de conservação, causando retorno da erosão dos solos, dentro de um contexto de alterações do clima, especialmente com  chuvas mais intensas.

O Nepar promove eventos técnico-científicos, como as reuniões paranaenses de ciência do solo, com a participação de pesquisadores, professores, alunos e profissionais de assistência técnica e extensão rural. Também publica manuais, boletins destinados a professores das redes públicas estadual e municipal de ensino, e diante do agravamento da erosão, elaborou juntamente com universidade e instituições de pesquisa uma proposta técnica que gerou, em 2015, a Rede Paranaense de Agropesquisa.

Segundo Bertol, mesmo com as informações e estudos disponíveis, parte dos produtores rurais ainda resiste ao emprego das tecnologias conservacionistas. Por isso, o núcleo também investe em capacitação. Em 2024, o Nepar planeja realizar eventos para ampliar o alcance de medidas de conservação dos solos e da água. “Isto se fará por meio da atuação dos nossos membros em todas as regiões do Paraná, inseridos nas diferentes universidades públicas e privadas, nos institutos de pesquisa e nos órgãos de assistência técnica e extensão rural”, completa.

Solo

Um bom exemplo da cultura conservacionista do solo e da água está na extensão rural desenvolvida na microbacia Santa Terezinha, em Realeza, na região Sudoeste, desde os anos 1980, no contexto da criação da Lei nº 8014. A área de 1,4 mil hectares, com 59 famílias produtoras principalmente de grãos e suínos, era caracterizada por supressão das matas e alta exploração dos recursos ambientais para a atividade agrícola, o que reduzia significativamente a produtividade das lavouras.

O solo também era bastante compactado e com baixos índices de nutrientes. Além disso, propriedades vizinhas drenavam a água para estradas ou divisas, e os processos erosivos podiam ser observados pelas voçorocas e altos índices de turbidez dos cursos d’água. As famílias se abasteciam com água de fontes desprotegidas.

O extensionista César Paz conta que, com ações integradas para a sistematização das lavouras, eliminando erosão nas divisas, terraceando encostas e adequando estradas rurais, foi possível transformar gradativamente a paisagem. “Coube à Extensão Rural capacitar parceiros e produtores em frequentes reuniões técnicas, articular e mobilizar as instituições municipais para viabilizar um trabalho que tinha a microbacia hidrográfica como unidade de planejamento, usando a legislação como ferramenta imprescindível”, diz.

De acordo com ele, a adoção das práticas conservacionistas pelos agricultores e técnicos foi massiva. “Além das técnicas de controle do escorrimento superficial, houve aumento de infiltração de água, melhor manejo do solo, modernização dos equipamentos e rotinas com boas práticas de produção assumidas hoje pelas novas gerações”, comemora.

A comunidade conseguiu benefícios com práticas como a ampliação do plantio direto, o compartilhamento de máquinas e equipamentos e destino correto de embalagens, adoção do manejo integrado de pragas e doenças, e o uso adequado de agrotóxicos. “Atualmente as produtividades alcançadas superam em muito os anos 80. Um exemplo é a produtividade de 4.700kg de soja por hectare em condições climáticas normais. Também se observa aumento da produção de biomassa de pastagens perenes”, diz o extensionista.

Defesa agropecuária

Outra parte do trabalho do Estado acontece por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), em ações que se concentram em duas frentes. Uma delas é a fiscalização, com efetiva aplicação da lei em casos de irregularidades e imposição de penalidades aos causadores de danos ao solo agrícola. As práticas nocivas ao solo podem gerar notificação e autuação para o produtor, com multa conforme a gravidade do caso.

A penalidade pode ir de 5 a 17 UPF (Unidade Padrão Fiscal do Estado do Paraná) por hectare prejudicado. Mas o coordenador do Programa de Fiscalização do Uso do Solo Agrícola, Luiz Renato Barbosa, destaca os bons resultado nesse setor. “Em cerca de 80% dos casos fiscalizados pela Adapar, já na fase de notificação, o produtor consegue um profissional habilitado para fazer o planejamento adequado do manejo e volta para a regularidade”, conta.

A outra frente é a a educação sanitária, ou seja, a prevenção dos danos ao solo por meio da orientação dos produtores e capacitação de profissionais, de forma integrada com a extensão rural do IDR-Paraná. Essa é a frente em que a Agência busca trabalhar de forma mais intensa, segundo o coordenador do Programa de Fiscalização do Uso do Solo Agrícola, Luiz Renato Barbosa.

“Também incentivamos os profissionais do setor, como engenheiros agrônomos, a se envolverem nas recomendações técnicas aos produtores rurais para conservação do solo e águas. Nesse sentido, a Adapar está à disposição para fornecer instruções sobre a elaboração dos planejamentos exigidos pela lei”, diz.

As ações da Coordenação Programa de Fiscalização do Uso do Solo Agrícola têm se beneficiado do uso da tecnologia. Softwares e drones colaboram no mapeamento de bacias de captação de água, que identificam pontos de fragilidade, e propriedades com inconformidades.

“A lei é muito clara em dizer que toda propriedade rural, para ser explorada, deve ter planejamento conservacionista, atendendo às capacidades de uso do solo. Quando o produtor é resistente, precisa lembrar que está descumprimento o Artigo 1º, que diz que o solo é patrimônio de todos. Então esse dever vem em benefício de toda a sociedade”, explica Barbosa.    

Fonte: AEN Foto: Roberto Dziura