Iniciativas adotadas no Estado transformam-se em exemplos para outras regiões. Operação Big Citros faz parte das medidas tomadas frente à situação de emergência fitossanitária para combate ao greening
Operação Big Citros. Pode parecer até nome de filme. Mas, na vida real, representa um esforço conjunto que se tornou exemplo do Paraná para o país. Trata-se de uma força-tarefa, capitaneada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), para combate ao avanço do greening, doença que tem a capacidade de inviabilizar a citricultura. A estratégia visa dar mais capilaridade, chegando até os produtores de diferentes regiões, e assim analisar o estágio do avanço nos pomares comerciais e em propriedades rurais e urbanas com frutas para consumo familiar. Isso permite a adoção de medidas de prevenção e manejo de maneira mais rápida e efetiva.
A operação segue as legislações federal e estadual vigentes na área. O Paraná tem um decreto, com validade até o final do ano, que determina a situação de emergência fitossanitária para combate ao greening. Em julho de 2025, o Ministério da Agricultura atualizou o Programa Nacional de Prevenção e Controle ao Greening, que é a principal doença que afeta a citricultura. Foram alterados critérios e procedimentos para a manutenção ou instituição de status fitossanitários, assim como medidas de prevenção e controle.
“A Operação Big Citros consiste na concentração de servidores da Adapar em uma determinada região, por um determinado período, para fiscalizar as propriedades comerciais. A ideia é fazer uma verdadeira varredura para, assim, adotar as medidas necessárias para o controle, o que inclui a erradicação de plantas hospedeiras”, explica Caroline Garbuio, chefe da divisão de sanidade da citricultura da Adapar.
O greening apareceu no Paraná em 2022, primeiramente na região noroeste. Em 2025, a doença chegou à citricultura do Vale do Ribeira. Nas cidades de Cerro Azul e Doutor Ulysses, há uma forte dependência econômica na produção das poncãs, cujo cultivo acontece essencialmente em propriedades familiares. Técnicos da Adapar e das secretarias municipais de Agricultura e Abastecimento já estão engajados para orientar e tomar as medidas preventivas necessárias.
Segundo Caroline, um grande case dentro da Operação Big Citros aconteceu em Paranavaí, onde a prefeitura municipal se engajou, juntamente com equipes técnicas de diferentes órgãos, para fazer com que esse trabalho de prevenção seja permanente. Paranavaí é o principal polo da citricultura paranaense.
“É necessário muito apoio, inclusive da iniciativa privada, e junção de esforços para que os pomares se mantenham saudáveis. A partir do trabalho da Adapar e da força-tarefa, a prefeitura também tem condição de caminhar sozinha nessa mesma direção, ainda mais naqueles pomares para consumo próprio. Quando se faz poda de árvores nas ruas, por exemplo, já se verifica a situação dentro nas residências, para conter o avanço do greening também dessa forma”, comenta.
A própria demanda e preocupação do setor vinham impulsionando ações isoladas, que passaram a ser coordenadas dentro da Operação Big Citros. Rafael Warmling, presidente da Associação dos Citricultores do Paraná (Acipar), salienta que os produtores estão contratando equipes próprias para fazer a erradicação de pés onde a doença está instalada. E reforça a preocupação com as plantas fora dos pomares comerciais. “Dentro dos pomares comerciais, os produtores vêm, conforme vão aparecendo os sintomas do greening, erradicando essas plantas e as substituindo por mudas sadias e certificadas”, conta.
Para Elisangeles Souza, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, a responsabilidade do combate ao greening também é da população em geral, que precisa estar sensibilizada, principalmente quanto à erradicação de plantas que estejam infectadas pela bactéria causadora da doença. “Isso também está relacionado à compra de mudas saudáveis, de produtores certificados e que garantam a procedência. Esse cuidado vale tanto para produtores comerciais quanto para pequenas propriedades, ou onde há cultivo nas próprias residências. As mudas nunca devem ser compradas de vendedores ambulantes, pois não há segurança de que elas sejam saudáveis. Existe todo um procedimento para produzir mudas de cítricos e toda a atenção deve ser redobrada”, esclarece.
A Operação Big Citros e demais iniciativas no Paraná estão sendo reconhecidas nacionalmente. Em 2025, técnicos, fiscais e agrônomos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul acompanharam os trabalhos feitos pelo Adapar e pelo IDR-Paraná. O objetivo foi obter conhecimento para auxiliar no combate ao greening nos outros Estados da Região Sul. E, desssa maneira, aumentar a rede de apoio e de vigilância.
O que é o greening?
O greening ou HLB (Huanglongbing) é uma doença que afeta a citricultura, causando a redução na produção e até mesmo queda prematura dos frutos e a morte precoce das plantas. Os frutos ficam com formato de pêra, tamanho reduzido, acidez elevada e menor teor de açúcares. Isso diminui o valor de venda do produto, impactando o consumo in natura ou para o uso industrial.
Como a doença é transmitida?
O greening é causado pela bactéria Candidatus Liberibacter, que chega até os pomares por meio do psilídeo Diaphorina citri. Entre as medidas preventivas estão a aplicação de inseticidas e a adoção de um sistema biológico de manejo, que consiste em soltar Tamarixia radiata. Trata-se de uma vespa inimiga natural do psilídeo. A ação pode ser feita em pomares e também em áreas onde há plantas de murta, espécie ornamental que é uma das principais hospedeiras do psilídeo. O combate ainda inclui a erradicação de plantas doentes. A medida pode abranger ainda as plantas doentes que estejam em um raio de quatro quilômetros de propriedades comerciais.
Importância da citricultura no Paraná
Segundo dados do Valor Bruto da Produção (VBP), do Departamento de Economia Rural (Deral), referentes ao ano de 2023, os principais citros produzidos no Paraná são laranja, tangerina e limão, cultivados em cerca de 29,3 mil hectares. O Estado é o terceiro maior produtor de citros, sendo a mais representativa dentro de toda a fruticultura paranaense. A produção de citros chegou a quase 861 mil toneladas naquele ano, gerando um rendimento de quase R$ 1 bilhão.
Revista APASEM por Joyce Carvalho Foto: Roberto Dziura Jr./AEN

Deixe seu comentário