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Conectividade Rural para o bem do Brasil e do povo do campo

A agricultura moderna praticada em nosso país, que se converteu nas últimas décadas em uma das principais potências agrícolas, exige sem mais demora que os nossos competitivos produtores rurais, desde os tecnologicamente melhor posicionados até aos ainda carentes de infraestrutura produtiva adequada, tenham acesso aos últimos avanços tecnológicos do mundo contemporâneo e, dessa forma, possam usufruir dos seus benefícios, respondendo às exigências de eficiência produtiva, acesso às informações e rapidez nas comunicações.

Para que o Brasil consolide a sua posição de liderança no setor agrícola e agroindustrial, que vem sustentando o bom desempenho da nossa economia, é indispensável integrar o campo às redes de banda larga, permitindo aos produtores de todos os extratos exercerem a pleno o chamado rural 5.0, altamente demandante de sinal firme e com alta velocidade, para produzir mais e gerir melhor seus negócios, com eficiência, sustentabilidade e qualidade. Assim, levar a conectividade ao campo e integrar as populações dos territórios rurais à era digital proporcionará maior produtividade agrícola e do trabalho e, como benefício adicional, maiores oportunidades nas áreas de educação, capacitação, segurança, saúde, cultura e lazer.

Os últimos dados do Censo Populacional confirmam a saída expressiva dos jovens do meio rural brasileiro, indicando que mais de 1 milhão deles deixaram o campo entre 2012 e 2022. Esta migração em massa rumo aos centros urbanos tem como uma das principais causas o isolamento tecnológico e digital das comunidades rurais. Este diagnóstico, corroborado por outras pesquisas, coloca em evidência a importância e urgência da construção de políticas públicas que garantam uma infraestrutura de internet de qualidade e o fornecimento de sinal também com qualidade e velocidade no meio rural. A conectividade no campo atende, antes de tudo, uma exigência contemporânea para o pleno exercício da cidadania. E não se pode esperar que o mercado, movido pela atratividade econômica, leve este serviço essencial aos rincões de todo o país, pois ao critério do mercado, não há retorno econômico aos investimentos por absoluta falta de densidade populacional que viabilize o negócio.

Estender o acesso à Web no meio rural é um desafio similar ao quem vem sendo enfrentado nas últimas décadas para fazer as redes elétricas chegarem ao campo. Entretanto, do ponto de vista tecnológico, envolve uma complexidade muito mais acentuada, pois há diferentes modalidades e possibilidades de emissão e recepção de sinal. Mas há, também, grandes vantagens: diferentemente da energia elétrica, em que a oferta do serviço se dá com uma só concessionária, a rede de modalidades e de fornecedores de internet é vasta, o que permite que este serviço seja oferecido por mais de um provedor na mesma base territorial.

De fato, ao contrário da energia elétrica, que invariavelmente depende de uma única distribuidora, que possui o monopólio da concessão para aquela região, na internet são diversas as possibilidades tecnológicas, o que faculta a competição entre diversas operadoras. Se isso já é uma realidade nos centros urbanos, onde os usuários podem escolher e contratar o serviço da operadora que melhor atende sua disponibilidade financeira e suas necessidades, o cenário é bem outro no meio rural. A racionalidade econômica recomenda a não ter ilusões: nenhuma operadora realizará o investimento necessário para levar a internet ao vasto e esparsamente povoado território do campo sem demanda que garanta a viabilidade econômica. A baixa densidade populacional nesses espaços afugenta investidores privados, ávidos pelo lucro.

Assim, a solução realista está em políticas públicas que promovam a viabilização de infraestrutura tecnológica para universalização da conectividade, assegurando à população do campo acesso à internet com a mesma qualidade e velocidade usufruída pela população urbana. Essa necessária política pública pode ser implementada por iniciativa isolada de uma unidade da Federação, mas terá um alcance maior e um custo menor se for liderada pela União e viabilizada mediante cooperação com os Estados e Municípios.

Depois de longos estudos, estou convencido de que o principal e mais lógico modelo é o da integração federativa, onde o Governo Federal autoriza a implantação da infraestrutura de redes de internet como item financiável nas linhas de investimento do crédito rural e, ao mesmo tempo, o BNDES propicia crédito com esse mesmo fim aos municípios. As duas variáveis creditícias são possíveis, viáveis e necessárias, precisando subsistir, pois, convenhamos, nem todos os municípios tomam crédito e possuem condições de arcar a sós com os seus encargos. Daí a necessidade, em muitos casos, de se compartilhar custos com os usuários. Isso já ocorreu com a energia rural, em boa parte com custos de implantação de redes assumidos por quem podia pagar, mediante financiamento e parcelamento.

Experiências bem-sucedidas de compartilhamento das responsabilidades federativas mostram que os governos estaduais, por meio dos serviços de extensão rural, podem se incumbir de realizar as chamadas públicas para o credenciamento das empresas de infraestrutura e das de provimento de sinal. E os governos municipais, por seu turno, podem se encarregar da execução e ainda definirem, em consulta junto às organizações locais da sociedade civil, associações comunitárias, assentamentos fundiários, federações, sindicatos, cooperativas, e outras, os trajetos e as unidades familiares ou empresariais a serem beneficiárias.

Os recursos financeiros necessários já existem e estão nos bilhões do FUST – Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações. Basta ao Governo Federal dar sequência rápida aos estudos já realizados pelo BNDES e Ministérios. No Paraná, pelo Instituto de Desenvolvimento Rural, temos capacidade técnica e esse modelo desenhado. Estamos prontos para financiar e operar, apenas aguardando os meios de financiamento para iniciarmos a execução. Possuímos 44 anteprojetos passíveis de adesão imediata para colocarmos a campo essa política pública, desde que haja ambas as possibilidades de financiamento apontadas, uma vez que um trajeto é diverso em termos de tipo de público e condições financeiras das partes. E a melhor solução é compatibilizar, pela política pública e competência técnica local, o melhor arranjo, combinando em muitas vezes o investimento público municipal e/ou estadual – via crédito público – e investimentos privados pelo crédito rural.

Outro fator importante é dar oportunidade às milhares de empresas de base local/regional que já atuam como provedores de sinal nos territórios e que, por falta de condições financeiras e competência técnica, não conseguem garantir qualidade em seus serviços. Na modelagem aqui proposta isso se soluciona e, para além da solução técnica para a infraestrutura de acesso à internet de qualidade, muito mais empregos serão criados com a necessidade local de bons provedores de sinal.

Para que esta iniciativa caminhe com a urgência requerida, necessitamos que o Governo Federal, rapidamente, implante o Programa Nacional de Conectividade Rural e emita o ato autorizativo para o uso de linhas de investimento rural do Plano Safra. Essas linhas irão acatar como item financiável os troncos e extensões de linhas de sinais fora das unidades produtivas e em investimentos comunitários compartilhados pelo conjunto de beneficiários, assim como cada unidade produtiva rural financiará a parte que se refere ao investimento dentro da propriedade, como extensões de rede e receptores de sinal. Bom lembrar que as linhas do crédito rural já suportam, de há muitos anos, dentro das unidades produtivas, a possibilidade de aquisição do conjunto de equipamentos de informática e os necessários à produção agrícola, pecuária, florestal e agroindustrial, para o bom uso e proveito do sinal de internet de qualidade.

A política pública de conectividade rural que delineamos em pinceladas rápidas pode e deve ser articulada e compatibilizada com outra prioridade anunciada pelo Governo Lula: levar internet a todas as escolas públicas do país. Sabidamente, entre as mais de 30 mil escolas que permanecem desconectadas, a maior parte está no campo. Portanto, é fundamental somar esforços para eliminar a exclusão digital que hoje afeta desproporcionalmente os estudantes as áreas ruais deste imenso país.

Com essas políticas públicas integradas entre agentes federativos, em poucos anos e com muito trabalho organizado, teremos um outro Brasil, com um meio rural energizado por uma nova geração de jovens e muita gente no campo, felizes e conectadas. E assim dotaremos os territórios e o Brasil de infraestrutura moderna e capaz de suportar os avanços necessários para uma agricultura produtiva, moderna e com um meio rural 5.0.

Herlon Goelzer de Almeida, engenheiro agrônomo, é coordenador de Energias Renováveis e Conectividade Rural no IDR-Paraná

Fonte: IDR-Paraná Foto: Divulgação

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Do algodão colorido a exportação, conheça as particularidades da fibra brasileira

Ele tem um formato único que da sua fibra é transformada em vários jeitos e modos, podendo ser usada para a criação de roupas, ração animal, papel e até para coador de café. A sua cor original é branca, mas ao longo do tempo foram criadas outras cores, dentre elas, o marrom e o verde. A Organização Mundial do Comércio (OMC) criou, em 2019, o Dia Mundial do Algodão, que é celebrado neste sábado (7).

Até agosto de 2023, a produção de algodão faturou R$ 30 bilhões, ficando na 5ª posição do ranking das maiores produções agrícolas do país, de acordo com o último levantamento do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) por meio da Secretaria de Políticas Agrícolas (SPA).

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima para a safra de 2022/23 a produção de 7,64 milhões de toneladas de algodão em caroço, equivalente a 3,15 milhões de toneladas de pluma.

Existem diversas maneiras de melhorar o plantio do algodão como, por exemplo, o melhoramento genético da cultura do algodão, que atua no melhoramento da qualidade da fibra, resistência a pragas e doenças e também a temperatura. A Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo (SDI) trabalha para desenvolver inovações que ajudem o produtor a aumentar a produtividade e de forma sustentável. Uma dessas formas, é a agricultura de precisão, que consiste em acompanhar, coletar e analisar informações por meio de tecnologias que facilitam a tomada de decisão por produtores e trabalhadores, como dosagem ideal de insumos.

A coordenadora de Desenvolvimento de Cadeias Agrícolas, Lara Souza, afirma que na cultura do algodoeiro, a agricultura de precisão auxilia no manejo do tratamento da variabilidade apresentada no campo. “É possível melhorar a eficiência e a rentabilidade da produção agrícola, com enfoque na capacidade do uso dos recursos e produtividade das culturas”, explica ela.

Algodão colorido

O plantio do algodão é feito, principalmente, no nordeste do país, nos estados do Piauí, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. E como forma de criar novas alternativas para os produtores, a Embrapa implantou cultivares de algodão colorido por meio do cruzamento do algodão branco de alta qualidade de fibra com plantas de fibra naturalmente colorida. Foram produzidas seis cores, em tonalidades que vão de marrom claro até o avermelhado e também verde claro.

Esse tipo de plantio é vantajoso, pois reduz o impacto ambiental do processo têxtil e dispensa a etapa de tingimento e economiza o consumo de água na produção do tecido. O algodão colorido se tornou patrimônio imaterial da Paraíba e já foi usado na criação de roupas para passarelas de moda internacionais.

Operalizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e auditorado pelo Ministério, o programa de certificação voluntária dos laboratórios de avaliação de pluma e das usinas de beneficiamento de algodão desempenha a função de certificar o algodão brasileiro.

A certificação iniciou como módulo piloto em 2022 com duas usinas e um laboratório em Goiás. Em 2023, o programa adquiriu abrangência nacional e a expectativa é de que 30%, isto é, aproximadamente 3,7 milhões de fardos de pluma da produção nacional tenham suas características de qualidade atestadas e certificadas oficialmente pelo Mapa.

O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) trabalha em ações fiscais nas ações fiscais nas unidades e no monitoramento contínuo de informações on-line sobre identificação, rastreabilidade, controle e resultados laboratoriais.

O chefe do Serviço Regional de Operações Avançadas de Autocontrole, Monitoramento, Certificação e Rastreabilidade, Cid Rozo, destaca que o programa traz credibilidade quanto às informações das características de qualidade de cada fardo de pluma produzido junto às autoridades aduaneiras dos países importadores e compradores do algodão brasileiro no mercado nacional e internacional, em destaque para a China, que exporta 32% da fibra brasileira.

Rozo ainda afirma que toda a cadeia produtiva do algodão brasileiro, associada à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de manejo da cultura no campo poderão fazer com que o país exporte ainda mais algodão no mercado internacional. E acrescenta que o programa foi criado para “garantir confiabilidade nas informações dos parâmetros de qualidade da fibra exportada, chancelando, via certificação, os resultados aferidos pelos laboratórios de avaliação da qualidade do algodão”.

Exportação e abertura de mercados

Em 2022, o comércio mundial de algodão foi de US$ 23,72 bilhões, sendo a China o maior importador mundial. O Brasil ocupou o segundo lugar nas exportações da fibra, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Em relação à abertura de mercados internacionais, em 2019, o Brasil começou a exportar farelo de algodão para a China; em 2021, sementes de algodão para a Colômbia; e algodão em pluma para o Egito, em janeiro deste ano.

A abertura do mercado do algodão brasileiro para o Egito ocorreu em 2023. A Secretaria de Relações Internacionais (SCRI) estima que o Brasil tem potencial para exportar de 20 a 25% da demanda egípcia, que atualmente é de 110 a 120 mil toneladas/ano.

O adido agrícola em Cairo, Rafael Mohana, destaca que o algodão brasileiro possui grande qualidade e preços competitivos. “O país pode conquistar parte do mercado internacional e as ações de promoção comercial serão fundamentais para que o Brasil possa ocupar o seu espaço também no Egito”.

Fonte: Ministério da Agricultura Foto: Divulgação

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1º Workshop Nacional sobre manejo em gramados

Nos próximos dias 10 e 11 de outubro acontece, em Curitiba, o 1º Workshop Nacional Sobre Manejo em Gramados – controle de pragas, doenças e plantas daninhas. O objetivo é promover uma imersão no universo do controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

O encontro será no Setor de Ciências Agrárias, na Universidade Federal do Paraná, que fica na Rua dos Funcionários, 1540.

Inscrições

Fonte: Agro Informativo

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Soja vem garantindo bons resultados da balança comercial do Paraná em 2023

A cadeia de produção da soja foi a responsável pela maioria das exportações do Paraná no último mês de agosto, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Comex Stat/Ministério da Fazenda). De cada US$ 100 negociados pelo estado com outros países, US$ 37 vieram da exportação do grão ou derivados. O bom resultado ajudou a alavancar a balança comercial do Paraná, que nos oito primeiros meses de 2023 acumulou US$ 4,5 bilhões em superávit.

Os números do Ministério da Fazenda mostram que as exportações paranaenses registraram, em agosto de 2023, um saldo positivo duas vezes maior do que aquele atingido no mesmo mês do ano passado – US$ 488 milhões contra US$ 244 milhões. O maior comprador dentre os 179 mercados atendidos pelas mercadorias e serviços made in Paraná é a China, responsável por 27% de todos os valores negociados. Na sequência vêm Argentina, Estados Unidos, México e Coreia do Sul.

Outro fator que colaborou para o crescimento do saldo da balança comercial foi a queda nas importações. Em agosto deste ano, o Paraná comprou 14% menos de outros países em relação ao mesmo mês em 2022, em um total de US$ 1,8 bilhão em importações. “No acumulado do ano se observa a mesma tendência de queda. Desde janeiro, as compras realizadas pelo Paraná no exterior retraíram 18%, somando US$ 12,2 bilhões”, aponta o consultor econômico da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe.

Importações caíram no decorrer do ano

O mercado chinês também lidera as negociações de compras feitas pelo Paraná no exterior, com 23% do total das vendas feitas ao estado. Na lista dos cinco maiores mercados dos quais os paranaenses importam estão Alemanha, Argentina, Estados Unidos e Rússia – este último com um aumento significativo de 68% nas negociações em 2023.

Além da soja, em 2023 o Paraná exportou grandes quantidades de carnes (15% do total), material de transporte (8%), madeira (5%), produtos mecânicos (4%) e cereais (4%). Já nas importações, de janeiro a agosto deste ano, o destaque fica por conta dos produtos químicos (31% do total). “São essencialmente mercadorias do setor químico (45%) e máquinas e equipamentos (14%). Mesmo com China e Estados Unidos sendo os principais fornecedores paranaenses, de janeiro a agosto, ambos registram queda nas vendas para o estado, em 33% e 40%, respectivamente”, reforçou Felippe.

Fonte: Gazeta do Povo Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Brasil deve embarcar 87% mais soja do que em igual período de 2022

As exportações brasileiras de soja em grão deverão ficar em 6,714 milhões de toneladas em outubro, conforme levantamento semanal da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

No mesmo mês do ano passado, as exportações ficaram em 3,59 milhões de toneladas, ou seja, o aumento entre um ano e outro deve ser de 87%. Em setembro, o país embarcou 5,547 milhões de toneladas.

Na semana entre 24 e 30 de setembro, o Brasil embarcou 1,109 milhão de toneladas. Para o período entre 1º e 7 de outubro, a Anec indica a exportação de 1,781 milhão de toneladas.

Já no acumulado do ano, considerando de 1 janeiro ao final de setembro, as exportações da soja em grão chegam a 84,8 milhões de toneladas, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Assim, nos primeiros nove meses de 2023, o número já é próximo do recorde de todo o ano de 2021, quando 86,1 milhões toneladas da oleaginosa foram enviadas ao exterior.

Para o farelo de soja, a previsão é de embarques de 2,13 milhões de toneladas em outubro. No mesmo mês do ano passado, o total exportado foi de 1,784 milhão de toneladas. Assim, o aumento previsto entre os períodos é de 19,6%.

Em setembro, volume ficou em 1,965 milhão de toneladas. Na semana passada, as exportações ficaram em 323,930 mil toneladas e a previsão para esta semana é de 487,256 mil toneladas.

Fonte: Canal Rural Foto: Rumo Divulgação

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Vantagens da conoinoculação da soja

A coinoculação em soja é uma prática que combina o uso de  bactérias fixadoras de nitrogênio (N), os rizóbios, com o uso do Azospirillum, uma bactéria conhecida por sua ação promotora de crescimento em gramíneas. O Prosa Rural desta semana aborda o processo de Fixação Biológica do Nitrogênio na Soja, tecnologia que permite uma economiza de aproximadamente 38 bilhões de reais, por safra, ao dispensar o uso dos adubos químicos. Os pesquisadores Mariângela Hungria e Marco Antônio Nogueira, da Embrapa Soja, abordam as vantagens dessa tecnologia.

Se você preferir ouvir a versão estendida deste programa, confira o Podcast Prosa Rural – no Spotify e Google Podcasts!

Fonte: Embrapa Soja Foto: Divulgação

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As impressionantes exportações do agro brasileiro

Impressiona a qualquer pessoa acompanhar a performance das exportações do agro brasileiro nos últimos anos. Quando me formei engenheiro agrônomo (na Esalq/USP em 1991), o Brasil tinha uma produção crescente para atender, principalmente, ao mercado interno e ainda importava muitos dos alimentos aqui consumidos. Uma revolução estava pela frente porque este setor foi exposto à competição internacional e teve que lutar contra proteções e subsídios em diversos mercados compradores, gerando grande pressão competitiva, de gestão, inovação, pesquisa e desenvolvimento.

Os últimos anos foram incríveis. Em 2020, o Brasil vendia ao mundo cerca de US$ 100 bilhões e, em 2022, vendeu praticamente US$ 160 bilhões (dados do Ministério da Economia), número que tem tudo para ser ultrapassado neste ano, mesmo com preços dos produtos menores. O planeta precisa dos itens aqui fabricados e os volumes seguem crescendo, bem como o número de mercados que se abrem.

De 2002 a 2022, com valores trazidos a presente, o agro exportou US$ 2,1 trilhões, crescendo ao redor de 20% ao ano. São praticamente R$ 10,5 trilhões. Como 20 anos é muito tempo para entendermos, e para quem gosta de dados mais chamativos, os valores de 2022 mostram que o Brasil exportou (em produtos do agro) R$ 1,6 milhão por minuto. Se você levar 3 minutos para ler este texto, o agro terá vendido ao exterior quase R$ 5 milhões. Na soja, o Brasil vende R$ 500 mil por minuto, nas carnes R$ 260 mil, de café quase R$ 100 mil e de fumo, pasmem, R$ 25 mil reais por minuto.

Nestas décadas, o Brasil foi colecionando lideranças em mercados internacionais e já são nove, a caminho da décima. Cada cadeia que chega ao posto de número 1 é motivo de celebração. A cadeia onde o Brasil tem uma posição mais consolidada de liderança é a da laranja, pois nosso suco ocupa quase 80% das importações feitas pelo planeta. Quem mais cresceu neste período foi a soja, onde o Brasil ocupa 40% da produção mundial e já está beirando os 60% do que o planeta importa. Isto mesmo: um país fornece quase 60% de um produto vital para a fabricação de ração para alimentação animal e de óleos usados na alimentação humana.

O Brasil também adoça o planeta e, também na liderança, neste ano deve chegar perto de metade do açúcar comprado pelo mundo. A carne de frango há muito tempo assumiu a ponta, com praticamente um terço do frango importado no planeta. Quem neste ano deve chegar à liderança, deixando os Estados Unidos para trás, é o milho, onde o Brasil entregará 30% das importações globais. No café, a liderança já é antiga e está próxima também de 30%.

Da carne bovina, cerca de 23%, ou seja, um em cada quatro bifes importados vem do Brasil. Na celulose, principal matéria-prima para fabricação de papel, embalagens e tecidos, quase 25% do mercado comprador é nosso. E para completar o time dos nove, no fumo, o Brasil também é líder com pouco mais de 11% do mercado global.

E quem seria o próximo? As minhas apostas caem para o algodão, que está em segundo, atrás dos EUA, mas tirando diferença com um belo trabalho de competitividade       e sustentabilidade.

Nos biocombustíveis, somos segundo colocados também no etanol, com 20% do mercado global, atrás apenas dos americanos. Há, ainda, esperanças de crescimento na suinocultura, em diversas frutas e sucos, produtos hortícolas, castanhas, no trigo, onde o Brasil está prestes a inverter o quadro, entre outros.

Lembram-se do nosso último texto, sobre o uso dos muitos produtos do agro em nossas rotinas? Pois bem, o Brasil contribui para que estes mesmos produtos também estejam na vida das pessoas em muitos outros países. Esta geração de caixa permite controlar a taxa de câmbio, acumular reservas, gerar empregos e oportunidades para as pessoas, orçamentos para os Governos e, principalmente, fazer crescer o respeito das nações pelo Brasil, afinal não vale a pena brigar com quem entrega o produto mais sensível para todas as pessoas: a comida na mesa.

Marcos Fava Neves é engenheiro agrônomo e professor das Faculdades de Administração da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, e da FGV, em São Paulo. Artigo publicado originalmente na edição do dia 7 de setembroda revista Veja e reproduzido com autorização do autor

Fonte: Portal Paraná Cooperativo Foto: Divulgação

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Confira como a soja se comportou em setembro e o que está por vir

Os preços da soja recuaram no mercado brasileiro em setembro, mês marcado por lentidão na comercialização.

O principal determinante para o comportamento lento do mercado foi o fraco desempenho dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Os produtores voltam suas atenções para o plantio da nova safra, em fase inicial.

Veja como os preços da soja se comportaram em setembro

Passo Fundo (RS): caiu de R$ 153 para R$ 145 no período

Cascavel (PR): baixou de R$ 143 para R$ 135

Rondonópolis (MT): decresceu de R$ 130 para R$ 125

Porto de Paranaguá (PR): passou de R$ 153 para R$ 145

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em novembro acumularam desvalorização de 5% desde o início do mês.

A posição novembro era cotada a US$ 13,00 por bushel na manhã da sexta (29). O início da colheita nos Estados Unidos, as perspectivas favoráveis em relação à produção sul-americana e a aversão ao risco no mercado financeiro foram os fatores que pesaram sobre Chicago.

Em contrapartida, o dólar comercial subiu 0,4% no mês, a R$ 4,994 na manhã da seta, 29. Em boa parte do mês, a moeda americana superou a barreira de R$ 5,00. O câmbio limitou parcialmente as perdas no mercado brasileiro.

As exportações de soja do Brasil deverão totalizar 99 milhões de toneladas em 2024, acima dos 98 milhões indicados para 2023. A previsão faz parte do quadro de oferta e demanda brasileiro, divulgado por Safras & Mercado, e indica um aumento de 1% entre uma temporada e outra.

Esmagamento e estoques finais

A consultoria indica esmagamento de 55 milhões de toneladas em 2024 e de 53 milhões de toneladas em 2023, com uma elevação de 4% entre uma temporada e outra. Safras indica importação de 110 mil toneladas em 2024, contra 130 mil toneladas em 2023.

Em relação à temporada 2024, a oferta total de soja deverá aumentar 6%, passando para 168,871 milhões de toneladas. A demanda total está projetada por Safras em 157,7 milhões de toneladas, crescendo 2% sobre o ano anterior.

Desta forma, os estoques finais deverão subir 103%, passando de 5,507 milhões para 11,171 milhões de toneladas.

Safras trabalha com uma produção de farelo de soja de 42,3 milhões de toneladas em 2024, subindo 4%. As exportações deverão cair 2% para 21,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno está projetado em 20 milhões, aumentando 8%. Os estoques deverão subir 36% para 3,03 milhões de toneladas.

A produção de óleo de soja deverá aumentar 3% para 11,1 milhões de toneladas. O Brasil deverá exportar 2,05 milhões de toneladas, com queda de 9%.

O consumo interno deve subir 5% para 9 milhões de toneladas. O uso para biodiesel deve aumentar 13% para 4,5 milhões de toneladas. A previsão é de estoques subindo 13% para 615 mil toneladas.

Fonte: Canal Rural/Victor Faverin Foto: Envato

24/02/2021 - Cascavel, colheita de Soja

Com 46,3 milhões de toneladas, safra 22/23 do Paraná alcançou volume recorde

A safra paranaense 22/23 deve alcançar volume recorde, chegando a pouco mais de 46,3 milhões de toneladas (a safra de 21/22 ficou com 34 milhões de toneladas). A estimativa (confira aqui) fo divulgada na última quinta-feira (28) pelo Departamento de Economia Rural (Deral).

Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, a colheita do milho de segunda safra está encerrando no Paraná, faltando apenas 1% dos 2,3 milhões de hectares. A estimativa é que a produção somada da primeira e segunda safras 2022/23 supere os 17,9 milhões de toneladas, colocando-se entre as maiores do Estado.

“A segunda safra é excelente, apesar dos percalços climáticos”, afirma o analista do produto no Deral, Edmar Gervásio. “O mercado ficará bem abastecido”.

Segundo ele, é possível que o Paraná amplie um pouco o volume de exportação, que normalmente fica em torno de 2 milhões de toneladas, superando 3 milhões de toneladas.

Já os produtores de soja conseguiram avançar bastante o plantio em setembro, na próxima safra, alcançando 16% da área de 5,8 milhões de hectares. Até o final do mês deve ultrapassar 20%, volume bastante superior à média de 5% a 7% para setembro. A produção deve alcançar 21 milhões de toneladas. “A largada foi muito boa”, diz Gervásio.

Segundo ele, esse adiantamento no prazo pode ajudar também a antecipar o plantio do milho segunda safra, caso tenha o clima ideal. “É bom para o planejamento do produtor que teoricamente poderá se beneficiar de um clima mais propício para a semeadura do milho principalmente na região Oeste”, pondera.

Café e Feijão

A colheita de café da safra 22/23 chegou a 95% da área de cerca de 26 mil hectares, faltando basicamente as regiões de Apucarana, Maringá e Ivaiporã para o término. A nova estimativa apresentada pelo Deral aponta ligeiro aumento na produção dos grãos, passando de 41,2 mil toneladas para 42,4 mil toneladas, com melhoria da produtividade sobretudo nas regiões de Jacarezinho e Maringá.

“Foram floradas tardias do ano passado que acabaram vingando e culminaram nessa colheita mais atrasada”, salienta o economista Paulo Sérgio Franzini, analista da cultura.

Segundo ele, a próxima safra já teve uma florada boa em setembro. No entanto, a temperatura alta verificada no mês pode comprometer o desenvolvimento. “Há uma dúvida muito grande se pode ou não comprometer o pegamento dessas flores, mas é provável que sim porque a temperatura foi muito alta”, afirma.

O feijão de primeira safra está com 45% da área de 111,2 mil hectares já semeada. Aproximadamente 94% da lavoura desenvolve-se de forma boa, com o restante em situação mediana. A estimativa de produção está em torno de 215,2 mil toneladas, enquanto a safra 22/23 fechou em 199 mil toneladas.

Trigo

Comparativamente à previsão de agosto, o trigo perdeu cerca de 10% do potencial, baixando de 4,5 milhões de toneladas para 4,16 milhões, ainda assim recorde para a cultura no Estado. “Já pode ser caracterizado como perda, mas pode reduzir ainda mais”, afirma o agrônomo Carlos Hugo Godinho. Segundo ele, a principal razão é a brusone, uma doença da lavoura.

A colheita atinge cerca de 60% dos 1,4 milhão de hectares e as consequências da doença são observadas somente depois de retirada da terra. “Há má formação de grãos, o que reduz a produtividade em volume mais intenso do que o comum”, explica.

O brusone se beneficiou das altas temperaturas observadas no inverno. Ainda há preocupação com as lavouras a serem colhidas no Centro-Sul.

Frutas e hortaliças

A produção de laranja também sente as altas temperaturas, particularmente na região Noroeste. “Certamente a próxima safra pode ser comprometida devido a esse excesso de calor da semana passada”, diz o engenheiro agrônomo Paulo Andrade, analista do setor no Deral. Outra preocupação para os citricultores é o greening, uma das principais doenças da cultura, que acomete muitos pomares paranaenses. “É um problema sério e a erradicação é necessária”, complementa. O Estado tem 21 mil hectares plantados com laranja.

O tomate de segunda safra (22/23) está com 96% da área de 1,6 mil hectares colhida, com previsão de render 93,9 mil toneladas. A batata tem 94% dos 11,1 mil hectares colhidos, com estimativa de 329,2 mil toneladas. A cebola está com a área de 2,7 mil hectares totalmente plantada, com rendimento estimado em 94,4 mil toneladas.

Da nova safra (23/24), o tomate tem 53% dos 2,4 mil hectares plantados, com projeção de 148,7 mil toneladas, enquanto a batata foi semeada em 81% dos 14,5 mil hectares, podendo render 454,5 mil toneladas. “Com expectativa de altas temperaturas e excesso de chuva no Sul, o melhor seria que ela não fosse contínua, mas bem distribuída”, destaca Andrade.

Boletim

Nesta quinta-feira foi divulgado também o Boletim de Conjuntura Agropecuária referente à semana de 22 a 28 de setembro. Além de detalhar as informações sobre a estimativa de safra, o documento traz dados sobre mandioca, flores, bovino de corte, frango e mel.

A colheita de mandioca da safra de 22/23 vem se desenvolvendo normalmente e estima-se que já atingiu cerca de 70% dos 136 mil hectares cultivados. O encerramento da colheita se estende até meados da segunda quinzena do mês de dezembro, período em que se inicia a entressafra. Neste período, a maioria dos empresários realiza a manutenção das indústrias de fécula e das farinheiras.

Em relação ao mel, o boletim reforça que o Paraná é o segundo maior produtor do Brasil, contribuindo com 14,2% da produção total do País, de acordo com os dados do IBGE. A produção nacional de mel atingiu 60.966 toneladas em 2022, representando um aumento de 9,5% em relação a 2021, quando totalizou 55.679 toneladas. O Valor Bruto da Produção nacional alcançou R$ 957,8 milhões, sendo que o Paraná contribuiu com R$ 138,8 milhões. Dois municípios paranaenses se destacam: Arapoti, no Norte Pioneiro, e Ortigueira, nos Campos Gerais.

Sobre a bovinocultura, o boletim aponta que em setembro o preço da arroba do boi gordo subiu, acumulando 13,6% de alta desde o início do mês. A expectativa para o curto prazo é de que as cotações continuem subindo, com os preços futuros (outubro/23) em R$ 237,55. No atacado paranaense, traseiro e o dianteiro também seguem subindo, atualmente comercializados a R$ 18,18 e R$ 12,24, respectivamente. A queda no número de animais terminados e o melhor escoamento da produção dos frigoríficos são apontados como os principais motivos.

Fonte: AEN Foto: Gilson Abreu

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Primeira etapa da fiscalização do seguro rural segue até outubro

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) dá continuidade, esta semana, às operações de fiscalização do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Estas operações fazem parte da primeira fase, que teve início em agosto e segue até o mês que vem. Entre outubro e dezembro ocorrerá a segunda fase das fiscalizações. A meta prevista é realizar 1.828 fiscalizações entre os meses de agosto e dezembro de 2023.

Com os dados das apólices fornecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e as instruções em mãos, o fiscal verifica se de fato o produtor contratou a apólice de seguro; se cultivou a cultura especificada na área indicada na apólice, observando a existência ou os vestígios da mesma; e se confirma o recebimento da subvenção federal por meio do desconto financeiro para a aquisição da apólice de seguro.

O PSR é um programa de subvenção do governo federal, administrado pelo Mapa, que tem como objetivo tornar o seguro rural mais acessível para os produtores rurais.

Fonte: Conab Foto: Divulgação