SEMENTES - Foto_ Fabiola Dias _ Adapec

Atualização de novas regras traz vantagens para laboratórios e produtores

As novas Regras de Análises de Sementes (RAS) implantadas em 2025 proporcionam vantagens tanto para os laboratórios quanto para os produtores, pois são métodos oficiais de análise de sementes referência para laboratórios credenciados para a elaboração dos Boletins de Análise de Sementes e, posteriormente, dos certificados ou termos de conformidade.

Muitos ganhos, conforme especialistas ouvidos pela Revista da Apasem, são consequências do aprimoramento na redação dos capítulos, que se tornaram mais claros e mais objetivos. Ou seja, a facilidade para a interpretação é um ponto crucial, impactando diretamente a padronização e a aplicação das metodologias por parte dos laboratórios. “As metodologias, de maneira geral, não foram alteradas, e sim o texto e a forma como estão apresentadas. E isso facilitou o entendimento dos laboratórios e analistas”, sinaliza Saionara Tesser, responsável técnica pelo Laboratório de Análise de Sementes (LAS) da Apasem em Toledo.

A atualização das RAS aconteceu no primeiro semestre deste ano, após a reivindicação do segmento para que a padronização acompanhasse a evolução da produção de sementes. A versão anterior era de 2009. O processo que culminou nas novas RAS contou com a participação de laboratórios oficiais e uma consulta pública por meio das Comissões de Sementes e Mudas. “Essa participação da comunidade foi uma enorme conquista”, acrescenta Saionara.

Segundo o Ministério da Agricultura, as novas RAS continuam com seu alinhamento perante as Regras Internacionais de Análise de Sementes da International Seed Testing Association (ISTA) e da Association of Official Seed Analysts, mas com respeito às particularidades da agricultura tropical e à legislação atual sobre sementes no país.

“O alinhamento das RAS 2025 com as Regras Internacionais da ISTA traz inúmeros benefícios como, por exemplo, a harmonização das metodologias nacionais com os métodos internacionalmente aceitos. Isso facilita a inserção das sementes brasileiras no mercado global, ampliando oportunidades comerciais e fortalecendo a reputação do Brasil quanto à qualidade das sementes produzidas. Outro aspecto positivo relevante é o acesso às ferramentas de apoio e metodologias disponibilizadas pela ISTA, agora integradas às RAS, oferecendo maior segurança e eficiência aos usuários”, afirma a consultora em análise de semente Myriam Alvisi, importante especialista do setor.

Ela reforça que a atualização das RAS atende plenamente às demandas atuais do setor sementeiro e dos laboratórios de sementes. “As mudanças promovem melhoria significativa na padronização das práticas laboratoriais, aumentando a confiabilidade, a exatidão e a reprodutibilidade dos resultados analíticos”, considera.

Uma das novidades na versão 2025 foi a melhor interface com os usuários, com a disponibilização das RAS na plataforma WikiSDA, o que possibilita atualizações mais rápidas, eliminando a dependência da publicação formal de portarias para oficialização das revisões dos métodos. “Essa atualização das RAS vai abrir possibilidades para novas revisões, com maior periodicidade. Assim, existirá um acompanhamento real entre o que acontece no setor e o que está colocado no instrumento normativo”, classifica Maria de Fátima Zorato, consultora em qualidade de sementes e outra referência dessa área.

Facilidade ainda implica comprometimento

Saionara Tesser, da Apasem, entende que os ganhos vindos com as novas RAS serão realmente sentidos na prática se os laboratórios e os analistas também estiverem comprometidos com a atualização. “Não adianta mudar se as equipes dos laboratórios não fizerem a consulta diária das regras de análise. Não adianta ter um material tão importante se ele não for consultado e tiver uma leitura bem feita, com os profissionais seguindo as regras ali descritas. Isso é o que vai fazer diferença. Caso contrário, os laboratórios não estarão atendendo o mercado e às regras do Ministério da Agricultura”, comenta.

Sementes florestais e misturas de sementes

Entre as principais novidades na atualização das RAS está a introdução dos capítulos de misturas de sementes e de espécies florestais nas RAS, o que não existia na versão de 2009. Além disso, a inclusão de um capítulo específico dedicado à análise de misturas de sementes repercute bastante no setor sementeiro.

Para Myriam Alvisi, isso representa um avanço significativo para atender às demandas crescentes desse tipo de comercialização. “Essa padronização garante a correta identificação dos lotes comercializados, promove segurança jurídica e técnica tanto para produtores quanto para consumidores finais, evita prejuízos econômicos decorrentes de inconsistências analíticas e fortalece a confiança nas transações comerciais envolvendo lotes de misturas”, indica.

Fonte: Revista Apasem/Joyce Carvalho Foto: Fabiola Dias/Adapec

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