O pão nosso de todos os dias

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30 de março, 2021

O estado do Paraná deve semear uma área superior a um milhão de hectares de trigo na safra 2021. Essa estimativa é similar a 2020 e maior em 9% quando comparada a 2019. Os dados são da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas – Apasem -, com base em estudos internos junto a empresários do setor e análise de números divulgados pelo Departamento de Economia Rural e Companhia Nacional de Abastecimento.

Segundo a Associação, o produtor sementeiro está atento às intensas movimentações do mercado do trigo nesses últimos tempos. Com isso, a procura pela semente desse cereal, que ocorre tradicionalmente no mês de março, neste ano já se verifica desde as primeiras semanas do mês de janeiro. “Isso é indicativo de que o Paraná repetirá o bom desempenho visto nos dois últimos anos quando, somente nossos associados colheram mais de 4 milhões de sacas, contendo cada uma 40 quilos de sementes”, aponta o diretor executivo da Apasem, Jhony Moller.

Esses números continuam dando a dianteira ao Estado na produção de sementes e do grão do cereal em todo o Brasil. Dos mais de 11,8 milhões de toneladas de grãos necessárias para abastecer o mercado interno anualmente, 6,2 milhões de toneladas são produzidas no Brasil, dos quais o Paraná injeta 3,1 milhões de toneladas ou 50% de toda a produção do trigo interno. Outras 5,6 milhões de toneladas o Brasil precisa importar de diferentes países.

A tecnologia avançada disponível, tanto para sementes quanto para o manuseio da lavoura, bem como preços atrativos, estão levando produtores a optar pelo cultivo do trigo em 2021, visando a atender ao déficit que o país ainda tem em relação ao consumo interno do cereal.

Para que ele possa ter um pontapé inicial com qualidade em sua lavoura, o começo de tudo é a escolha de uma boa semente que lhe permita um alto potencial produtivo. “Aliado ao clima, solo e boas práticas de manejo, esse produtor certamente terá resultados expressivos na lavoura e de certa forma garantia de que o grão terá aceitação no mercado interno”, avalia Jhony.

O diretor explica ainda que o Paraná é reconhecido nacionalmente por oferecer sementes de qualidade ao mercado. “De todas as empresas associadas à Apasem, 90% dedicam sua produção de sementes parcial e até total na produção voltada ao trigo. Um negócio que gera milhões à economia do Estado e feito por gestores e estruturas altamente qualificadas”, explica Moller.

Parte dessas sementes passa por análise nos laboratórios da Apasem em Ponta Grossa e Toledo. A região dos Campos Gerais produz a maioria do trigo paranaense. As amostras recebidas pela estrutura de Ponta Grossa nos últimos tempos apontaram que as sementes que estão chegando à safra de 2021 são de alta qualidade. “Podemos afirmar que 99% do trigo que estamos analisando apresenta resultado acima dos 80% de germinação, padrão mínimo exigido pela legislação para que se possa realizar a comercialização de sementes. Chama atenção também o fato do vigor das sementes estar bastante elevado”, explica a responsável técnica de Laboratório Apasem, Juliana Veiga. As primeiras amostras de trigo foram recebidas em novembro de 2020 e a finalização das análises está prevista para o fim do primeiro trimestre.

Tecnologia

A Biotrigo Genética, empresa especializada em melhoramento genético de semente de trigo, afirma que o mercado apresenta um volume adequado de sementes com a demanda existente, mas com potencial de aumento na produção e disponibilidade de sementes atrelado ao aumento de área. Segundo especialistas da empresa é visível um descolamento de preço da matéria-prima em relação ao preço do grão que aumentou em relação às safras anteriores o que acaba por motivar o produtor a escolher a cultura do cereal.

Se esse for o caminho escolhido pelo produtor ele vai encontrar farta tecnologia a seu favor no momento do cultivo. “Hoje, temos muito a agregar na oferta de opções para todos os ambientes e para todos os perfis de produtores. Existem variedades adaptadas para áreas úmidas, secas, quentes, frias, seja para triticultores e/ou para quem trabalha com a cultura em períodos eventuais”, explica o gerente regional Norte da Biotrigo Genética, Bruno Alves.

Todo esse trabalho de oferta de tecnologia favorável ao produtor é realizado pensando em incentivá-lo a permanecer no mercado do trigo, evitando que isso seja algo esporádico. “Outras soluções que o mercado também apresenta é em relação à segurança no campo para fins de controle de doenças como brusone em regiões quentes ou germinação da espiga em locais mais úmidos”, explica Alves, que destaca ainda que o produtor de sementes nos dias de hoje entende o valor tecnológico presente nas sementes do trigo. “O produtor é um formador de opinião e acaba por ser o elo que ajuda a cascatear essas informações dentro da cadeia, disseminando o conceito da importância de se ter em mãos semente de qualidade, certificada e de procedência”.

Cotação

Conforme dados divulgados pelo   Deral/PR, os preços recebidos pelo produtor de trigo no Paraná tiveram alta de 30,5% de janeiro a novembro de 2020, enquanto o preço da semente subiu 16% no mesmo período.

Fonte: Revista Show Rural Coopavel

 

 

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