Não vale a pena a adubação nitrogenada na soja

Não vale a pena a adubação nitrogenada na soja

15 de abril, 2021

Apesar de existirem poucas dúvidas entre técnicos e produtores a respeito da eficiência de uma inoculação bem feita com bactérias do gênero Bradyrhizobium para suprir as necessidades de nitrogênio (N) na adubação na soja, é corrente o argumento de que a inoculação sozinha não consegue atender as necessidades da cultura para a obtenção de altas produtividades. Mas pesquisas já comprovaram que sementes corretamente inoculadas com essas bactérias são capazes de fixar o N diretamente do ar atmosférico e disponibilizá-lo às plantas de soja a custo irrelevante e obtenção de altas produtividades. Mesmo assim, alguns incrédulos insistem na conveniência de adicionar uma pequena dose de adubo nitrogenado “só para dar aquele arranque inicial”.

Não, caro produtor, não vale a pena. O crescimento mais vigoroso da soja nos seus primeiros estágios de desenvolvimento, observado quando se aplica N mineral na semeadura, desaparece quando as bactérias do inoculante começarem a operar, o que ocorre cerca de 10 dias após a semeadura. A bem da verdade, os fertilizantes oferecidos pela indústria já vêm com pequenas quantidades de N (2 a 4%), que ajudam no arranque inicial das plantas, não inibem a ação das bactérias fixadoras de N e essa pequena dose não é cobrada do produtor. Neste caso, tudo bem. Compre a formulação do fertilizante com um pouco de N, porque ele não encarece a formulação oferecida pela indústria. Poderia até ser mais caro exigir uma fórmula de fertilizante com zero de N, do que a fórmula com pequena quantidade de N. Contudo, formulações com maiores concentrações de N, que vêm aparecendo cada vez com maior frequência no mercado, não devem ser utilizadas, pois inibem a nodulação da soja.

O N mineral é um fertilizante caro por seu alto custo energético de produção e, se não adiciona ganhos de produtividade à cultura da soja, é prejuízo para o produtor. Estima-se que o Brasil economize cerca de U$ 15 bilhões ao dispensar completamente o uso do N mineral na adubação dos seus cerca de 38 milhões de hectares de soja, considerando os custos do fertilizante, os custos operacionais para aplicá-lo no plantio ou em cobertura, além dos benefícios que a sua não utilização proporcionaria ao meio ambiente, reduzindo a contaminação das águas com nitrato e a emissão de óxido nitroso na atmosfera, um dos gases causadores do efeito estufa, além de CO2 implicado na síntese e utilização do fertilizante nitrogenado.

Contrastando os argumentos de quem acredita ser recomendável acrescentar N mineral ao normalmente fixado pelas bactérias – porque este seria insuficiente para que produtividades maiores do que a atual média nacional de cerca de 3.350 kg/ha sejam alcançadas – pesquisas realizadas para avaliar essa possibilidade indicaram que a fixação biológica é suficiente para fornecer o N necessário para produtividades superiores a 5 t/ha.

Se a adição de N mineral na adubação da soja não aumenta a produtividade, quem ganha é o vendedor do fertilizante, não o produtor. Pense nisso no próximo plantio, mas certifique-se de que utilizou boas práticas de inoculação, que incluem o uso de inoculantes dentro do prazo de validade, que a inoculação foi bem feita e que os inoculantes não foram expostos a temperaturas elevadas e armazenados por longos períodos em ambientes inapropriados.

Uma boa dica para técnicos e produtores é baixar gratuitamente a publicação da Embrapa Soja “Tecnologias de Produção de Soja”. Nela, além de todas as informações sobre inoculação, encontrará as melhores dicas e informações técnicas sobre o pacote tecnológico da soja. Vamos usar a natureza em nosso favor, para lucrar mais em termos financeiros e ambientais.

Fonte: Pesquisador da Embrapa Soja Amélio Dall’Agnol

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