Contribuição da agricultura no mercado de créditos de carbono

Contribuição da agricultura no mercado de créditos de carbono

15 de dezembro, 2020

A Bayer lançou no segundo semestre de 2020 um projeto inédito de recompensa a produtores que gerarem créditos de carbono. Foram selecionados cerca de 450 agricultores - principalmente de soja e milho - de 14 estados, incluindo o Paraná. O programa terá a participação no total de 1,2 mil agricultores no Brasil e nos Estados Unidos, em um período de três anos, com investimento estimado de cinco milhões de euros somente no território brasileiro.

Segundo Eduardo Bastos (foto), diretor de sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para América Latina, a iniciativa está ligada com a recente renovação do compromisso de sustentabilidade da empresa, visando a redução em 30% das emissões de gases de efeito estufa no campo até 2030. Para isso, há o incentivo de práticas agrícolas sustentáveis, por meio das quais é possível reter mais carbono no solo.

Bastos afirma que a agricultura também pode ser parte da solução para os problemas relacionados às mudanças climáticas. O agricultor pode contribuir com a diminuição da emissão dos gases de efeito estufa e adoção de práticas de baixo carbono, entre outras medidas. E, ao mesmo tempo, ingressar no mercado de créditos de carbono.

Atualmente, de acordo com ele, este mercado está voltando ainda para outras áreas e soluções, não enxergando o potencial da agricultura. “Nosso desafio é esse: quando os emissores pensarem em uma estratégia de compensação dessas emissões, que olhem para o agro. Queremos mostrar que também é possível olhar para a área produtiva”, comenta.

O objetivo da iniciativa é ajudar na construção um modelo de negócio de carbono no país e de um mercado de carbono viável para os agricultores. Desta maneira, é possível que os produtores também possam ser recompensados por adotar as melhores práticas de gestão agrícola e outras ações de sustentabilidade.

O projeto começa já na safra 2020/2021, em cerca de 60.000 hectares. Os produtores foram selecionados com a ajuda dos representantes da Bayer. São participantes com perfil mais inovador e que já tinham a ferramenta Climate FieldView. “Este projeto está muito ligado com a agricultura digital e como é possível capturar dados e devolvê-los como informações valiosas para o agricultor e para a sociedade”, revela Bastos.

O programa está dividido em três grandes frentes, sendo a primeira delas a promoção de boas práticas agrícolas, pelas quais seja possível fixar carbono no solo. Entre as estratégias da chamada agricultura baixo carbono estão o plantio direto, a rotação de cultura e o cultivo de cobertura. “Matéria orgânica é carbono. E, em países tropicais, aumentar a matéria orgânica significa aumentar a produtividade”, enfatiza o diretor da Bayer.

A segunda etapa consiste em fazer a medição do carbono no solo. Isso precisa ser realizado antes do plantio e depois da colheita. A iniciativa está propondo novas tecnologias para essa mensuração, por meio de laser e infravermelho, o que vai permitir mais rapidez e menos custo. Atualmente, a metodologia científica para medição e depois comercialização do crédito de carbono é bastante custosa, com a abertura de trincheiras, colocação de cilindros, retirada de solo e homogeneização das amostras, para depois encaminhá-las ao laboratório. O método se torna inviável pela extensão das lavouras no Brasil, segundo Bastos.

Por isso, foi firmada uma parceria com a Embrapa para o desenvolvimento de uma modelagem para refinar esses dados obtidos com as medições a partir das novas tecnologias. “No futuro, ao colocar os dados da propriedade no sistema, e correlacionar por meio de big data e outras ferramentas, poderá dizer: se plantar de tal forma em determinado local, em determinada condição, terá tanto de carbono. Hoje, nem ao menos sabemos o quanto de carbono há naquela propriedade”, explica.

A terceira etapa do programa envolve a intermediação da Bayer como ponte com o mercado para viabilizar a compra dos créditos de carbono gerados pelos produtores. De acordo com Bastos, existem dois modelos de comercialização que estão sendo trabalhados pela Bayer. Uma pequena parte dos produtores participantes, cujas propriedades vão sediar mais análises - haverá a comparação dos métodos tradicional e das duas novas tecnologias -, já possuem um contrato firmado para compensação financeira de US$ 5 por tonelada de carbono. Esse valor será repassado ao longo do projeto, mesmo que não haja interesse do mercado.

“Para o ano que vem, também estamos trabalhando com grandes compradores globais para entender se eles têm interesse de fazer contrato de compra. Há a vantagem de já existir um comprador desses créditos, mas os preços de partida normalmente são mais baixos”, salienta.

Além disso, a Bayer está em contato com mercados regulados e tem conversado com o governo brasileiro sobre a criação de uma política nacional de carbono. Uma consulta pública deve ser lançada em breve sobre o tema. “Também estamos trabalhando para que novembro do ano que vem, na próxima COP, em Glasgow, o Brasil se coloque favorável ao comércio internacional de carbono”, declara Bastos.

Futuramente, ter esse sistema e o modelo de negócios de créditos de carbono estruturados também permitirá que o agricultor acesse mais benefícios, como o chamado financiamento verde, que contempla mais recursos ou diferenciação na taxa de juros para aqueles que adotam práticas sustentáveis. O acesso ficará mais fácil porque ele terá dados mais concretos para apresentar aos agentes financeiros, por exemplo.

“No futuro, teremos que mostrar aos nossos filhos e próximas gerações que realmente é necessário cuidar do meio ambiente e que precisamos fazer uma agricultura mais neutra, para que sejamos cada vez mais eficientes com os recursos que nós temos”, diz Cássio Kosstaz, produtor de Ponta Grossa participante do programa.

Fonte: Assessoria de Comunicação Apasem

 

 

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